Torre de Pedra – Gêmeos

 

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Por L. Orleander

O rapaz balançava de um lado a outro pendurado por uma corda, as margens de um penhasco.

Morto…

A cena não saia de minha cabeça, foi então que senti me faltar o ar, a frieza da água voltou a me cobrir e como um louco ressurgi arfando das profundezas do que agora parecia um lago. Do outro lado da ala Oeste, o trono estava em minha frente, Lady Margrethy ainda mantinha – se sentada feito uma estatua de mármore.

Venha!” – sussurrou a voz em minha mente.

Estes são os ancestrais de Mikaela, foi com os dois irmãos que tudo começou.

Os gêmeos, Pythaí e Morgan amavam – se demais e quando nasceram houve alegria e prosperidade ao nosso povo.

Pythaí era o inteligente e astuto, e trazia consigo o brilho da Lua e a escuridão dos céus em seus cabelos

Morgan era bela e nascerá com o dom da profecia, e era aí que todos a temiam e se afastavam, mesmo sendo filha de um ancião como Nuelly, a princesa dos cabelos de Sol ou de palha, era como diziam.

Ambos eram a realeza. Mas estavam marcados pela dor e pela morte jovem. Morgan já havia anunciado, e Nuelly sabendo a causa proibiu que ambos conhecessem ou vislumbrassem os humanos.

Pelo o que pareceu tempo suficiente, deu certo. A previsão infantil foi sendo esquecida. Até o selamento de votos.

Seres mágicos vem com a primeira lunação cheia para selarem sua fidelidade ao seu povo em meio ao plano mortal, assim como os que nascem entre os humanos, descem ao lago para selarem seu sangue ao seu verdadeiro povo.

Aquilo me causou espanto, como Mikaela sendo parte humana deveria ser fiel apenas a um lado. A resposta veio como se ela ouvisse o que eu pensava.

Ela nasceu parte humana, mas nossa linhagem pura destrói essa parte, tornando o ser puro com o passar dos anos.

Morgan descobriu isso assim que fez seus votos. E infelizmente apaixonou – se por um passante.

O rapaz estava bebado quando a viu subir do lago e ficou hipnotizado ao ver a beleza de Morgan. O rito foi concretizado e Morgan feliz, fugiu pela primeira vez para ver o mundo, voltando na manhã seguinte horrorizada com as coisas ruins que encontrará em seu caminho. Antes de descer ao lago o rapaz, que a seguirá desde o momento que a viu, segurou – lhe o braço.

Aquilo pareceu eras. Os olhos deles se encontraram os fez querer – se.

Morgan amou o rapaz com loucura e intensidade, fugindo sempre para encontra – lo. Mas o rapaz contou aos amigos em uma de suas bebedeiras. E estes foram atrás da pobre donzela, capturando – a e usando de seu corpo das piores formas possiveis. Ela voltou ao lago e sua água por anos matou os animais e adoeceu as crianças, calou – se para o mundo e aos seus somente dizia o que o futuro reservava com a voz de sua mente. O rapaz pranteava as margens do lago dia e noite, mas Morgan rendeu – se ao véu negro e apenas punia – o com pesadelos terriveis, onde ele assistia o corpo de sua amada ser deflorado e violado dia e noite por seus algozes.

Nuelly chorava em agonia pela filha e esqueceu – se que Pythaí sairá e não mais havia voltado.

O ancião adoecia e não dizia mais coisa com coisa até que a filha tomando – o pela mão mandou que ele chamasse o filho de volta, pois segundo ela, ele trazia novidades.

Pythaí ouviu o chamado do pai e voltou depois de quase um ano com a criança nos braços. Um filho…

Ele encontrou uma moça de vida fácil que lhe agradou e quando esta o tocou sentiu – se diferente e seguiu ao seu lado, deixando o passado para trás.

Pythaí tornou – se pastor e cuidava de seus rebanhos sempre longe do lago, junto a moça. Viu – a morrer em seus braços, quando seu filho nasceu.

Filho este que Nuelly renegou e desejou matar, mas Morgan impediu.

Os gêmeos morreram, Morgan de desgosto e com o coração transformado em pedra pela amargura. Deixando para sua descendência uma maldição.

Pythaí morreu de velhice, conhecido como o Principe do Lago e para sua descendência deixou uma esperança.

O povo do lago caminhava entre os humanos e uniam – se a eles, mas o sangue clamava e a maldição de Morgan também. Não poderia haver amor sem dor. Pois a morte viria…”

Os olhos da rainha estavam lacrimosos e só então entendi por que Mikaela não fora criada pela mãe.

Não era falta de amor a filha era excesso.

Uma vida por outra… Aquele que dá filhos a mortais deve devolvê – lo a suas raizes ou entregar a si ao lago. O véu negro não pode nos roubar para si.

Seu dever é cuidar para que não aconteça a Mikaela o que aconteceu a seus ancestrais.”

Eu não me sentia apto a cumprir aquilo e se quer sabia o que fazer, mas eu promoterá e não iria falhar.

Prepare – se haverá guerra por ela…”

– Mas por que eu? – perguntei tentando me encontrar no meio daquilo tudo.

Por que você a ama, Lucyus…”

– Como? – eu empalideci, enquanto meu coração parecia querer explodir…barrinha5

Ainda me lembro do espanto que demonstrei quando ela me disse aquilo. Lembram – se quando lhes disse que Lady Margrethy me causava arrepios até mesmo de ouvir seu nome? Bem, esse era um dos motivos.

Mas deixemos esse monte de histórias velhas de lado e vamos ao que realmente interessa, afinal é para isso que estamos aqui, não?

CONTINUA…

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