Torre de Pedra – Visões

 

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Por L. Orleander

A água era morna, eu não sentia meus olhos arderem e nem mesmo a dor que lacerava meu peito.

As luzes dançavam sobre a água enquanto eu estava submerso, ela me olhava, ainda sentada em seu trono, como uma estátua.

Minha mente voltou a focar – se no que estava acontecendo.

O que estava acontecendo?

Eu havia feito uma promessa e senti como se o peso do mundo estivesse preso a ela.

Mikaela…

A face dela… O sorriso… O que era aquilo em mim?

As perguntas me consumiam por dentro e meus pulmões começavam a queimar e brigar pelo ar, entrei em desespero. Tentei sair da agua, mas senti o peso sobre meu peito me puxar mais para dentro.

Mãos invisivéis me arrastavam para o fundo, onde pequenas luzes cintilantes grudavam a minha pele emanando calor, o ar voltava aos poucos e a sonolência chegou.

Acordei próximo ao lago onde Mikaela foi iniciada pelos Etéreos, mas algo estava diferente.

Crianças corriam sobre a água, rindo despreocupadas.

Os cabelos brancos e negros se misturavam, enquanto eu assistia olhos azuis, verdes e violetas brilharem ao sabor do Sol, foi quando ele apareceu.

No meio do lago um ancião coroado de olhos gentis e amendoados sorria para os pequenos, que de imediato curvaram – se, chamando – o de pai.

A túnica turquesa era cravejada de pequenos sóis e patecia se que estar molhada, o local de onde elehavia saido fechou – se e até a margem ele caminhou.

Pythaí! – chamou ele com a voz rouca. – Pythaí!

Ali ele ficou até que um rapaz apareceu em meio as arvores trazendo em seus braços um embrulho.

– Meu pai, senhor dos senhores, eis – me aqui. – respondeu o rapaz.

O ancião olhou para seus abraços e seu semblante se fechou de imediato.

– O que você fez? – perguntou ele. – O que foi que você fez?

O embrulho mexeu – se inquieto e começou a chorar.

– Você trocou – nos por eles, Pythaí. Olhe para essa coisa, nosso sangue puro, manchado por eles. Eles são servos. Não são dignos de nós. Por que fizestes isso?

– Meu pai, olhe como ele é perfeito. E puro.

O semblante do ancião mudava da descrença para a fúria. O rapaz tentou afastar a criança, mas não foi rápido o suficiente.

A criança foi arremessada ao lago e debatendo – se entre o choro e o desespero, ela afundou, tentei correr para acudir ao desespero de um pai, mas foi inútil, minhas pernas não me obedeciam.

– NÃO!!! – gritou o rapaz, ajoelhando – se ao chão.

Foi então que o milagre ocorreu.

O embrulho voltou a superfície silencioso entre luzes e pequenas bolhas cintilantes, pérolas.

A moça de cabelos cor de palha  subiu do lago cantando uma canção de ninar que de imediato acalmou a criança.

O ancião olhou irritado para ela que apenas o enfrentou com um olhar austero.

O sangue clama pelo sangue, meu pai” – pude ouvi – lá dizer sem se quer abrir os lábios.

– Morgan… – disse ele dando – se por vencido e deixando cair um lágrima retornando ao leito do lago e sumindo em meio a espuma.

– Irmã? – chamou Pythaí.

Ele será reclamado, deste dia em diante, a descendência dele será reclamada, e aqueles que se recusarem, padecerão. Aqueles que não selarem seus votos, ao véu negro pertencerão. Chegará um tempo, Pythaí que você se arrependerá da escolha que fez. Os humanos são belos e também traiçoeiros. – disse ela colocando a mão do lado esquerdo.

A cena esvaiu – se diante de mim e transformou – se em outra, a mesma moça, Morgan estava morta, no leito do lago com a tez pálida e reluzente, no berço de vime e á seu lado um jovem chorava, pedindo perdão.

Morgan morreu por amar um mortal. Morgan morreu por quebrar seu voto. Morgan morreu por uma traição” – sussurrava o vento aos ouvidos do rapaz, que ergueu a adaga presa em suas vestes e cravou – a no peito.

Eu nada sentia… Apenas chorava… O que ali acontecia, em minha alma eu sabia, Mikaela também passaria.

O sangue clama o sangue…” – era apenas isso que eu ouvia…

CONTINUA…

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