Dia 17… – Lapsos

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Por L. Orleander

Tem ficado cada vez mais fácil conviver com a ausência e tenho feito desse pensamento meu mantra. Eu só queria ter aprendido a fazer isso lá no comecinho de tudo, sabe?

Teria nos poupado tanta coisa, tantos erros e ofensas…

Encontrei um pensamento velho, seu, naquele seu caderno de anotações, e na real não sei por que cismei de pega – lo e lê – lo do começo ao fim, como eu nunca tinha feito antes.Doeu um pouquinho, eu estava sentada no sofá com Netuno nas pernas e senti a lágrima quente em meus olhos, uma só, escorreu. Acho que não foi o que estava escrito que me deixou magoada, mas o que me fez sentir, sua rejeição.

Eu poderia ter te dito mais, mas acredito que eu não ia encontrar, nunca, palavras suficientes pra isso. Não havia um modo de eu ter sido mais clara com você, só me faltou dizer com todas as letras o que eu queria de você e talvez até nesse momento você iria ironizar, se fazer de desentendido e dizer que estava alterado demais para falar sobre. Sumiria por uns dias e talvez quando voltasse, fingisse que não se lembrava do que foi falado e encontrasse um meio de mudar o assunto ou nem tocar nele.

Queria ter te dito que você era um babaca!

O típico cara egocêntrico e auto – suficiente, que manipulava as palavras pra conseguir manter o que ou quem quisesse ao seu redor. Caras como você, se moldavam verdadeiras fortalezas e no fim eram apenas mais solitários e vazios do que a maioria, sem coração. Era triste, mas era a verdade, e eu só notava isso agora, tão tarde.

Esse era você, um babaca e por consequência, eu era a idiota que se achava importante de mais pra você, simplesmente por que você voltava.

Na real, agora entendo que seus retornos eram apenas uma forma de garantir que sempre havia um “porto” quando o resto do mundo te cansasse e causasse a sensação de “saturamento da rotina”, afinal eu estava sempre a postos pra te receber sem jamais te cobrar algo mais sério.

Que burra que eu era, estava cega, e achava que com isso te manteria na minha vida pra sempre…

Isso não era amar e nem gostar de você, era medo de ficar só, você sabia o que dizer para me agradar.

Me sentir confusa por outra pessoa, nada mais era que uma desculpa que eu inventava pra mim mesma pra não sair da “zona de conforto” também, meu vício em você era maior que minha razão dizendo que aquilo era um suicídio emocional todos os dias. Não era adequado pensar em alguém que pudesse fazer de mim primeira opção enquanto eu te tivesse ali. Eu sei, o acordo era cada um continuar a viver sua vida e sair com quem quisesse, mas naquele tempo eu só queria você, e parecia que era só isso que importava pro meu coração iludido.

Foi com o passar desses dias de ausência tanto física quanto de essência que eu entendia que você era meu pior erro e ainda sim era aquela pessoa que eu mais almejava ter.

Eu me senti vulnerável com você por perto, não gostava disso, me fazia parecer fraca e fazia com que nossos amigos, pelo menos os que sabiam, me vissem como digna de pena por sofrer por você.

Dr. Monteiro tinha razão eu era o que eles chamam de “pessoa com necessidade de amar doentia”, o que na realidade aos olhos de fora não é amor, é dependência e necessidade abusiva de sentir – se amada.

Os dias estão passando Nando, e agora algumas coisas parecem fazer mais sentido

Os amigos, a loira platinada, os meus porres, suas poesias… Eram coisas agora perdidas.

Eu queria muito ter tido essa conversa antes, contar das minhas declarações ocultas, mas sei que de nada valeria, era impossível.

Eu te acostumei a ser assim, deixar a porta aberta pra você voltar quando quisesse na hora que desse vontade, minhas prioridades não importavam.

Não era o sabor do beijo, o valor pessoal, o toque, não. Era  a necessidade de auto – afirmação.

Não se engane! Eu não bebi, aliás que diminui muito. A sobriedade tem me feito bem, é bom voltar a ter um pouco de sanidade afinal, tem me feito pensar e rever tudo.

Eu pensei, não, eu cheguei a conclusão, durante um tempo que como você o “agente duplo” não se importava nem um pouco, era apenas gentil, era educação.

A culpa em partes, não foi sua, eu criei as expectativas, agi como criança diversas vezes por que de algum modo eu sabia que fazendo isso você voltava, não por gostar de mim, mas para não criar algum tipo de conflito.

Nunca foi por que eu representava algo, era só medo do escândalo, das conversinhas que fariam a mim de vítima e você, o monstro. Era o evitar que “outras” soubessem sobre mim.

Hoje vejo como aquilo te sufocava e me tornava apenas uma mulher infantil e louca por atenção.

Eu não tinha seu coração, nem sua mente, tínhamos apenas corpos com necessidades biológicas. Você era mecânico comigo e acho que foi isso que me deixou mais irritada quando ela apareceu.

Todo o romance que eu sonhava viver com você e que tinha pra você, você devotava á ela, escondido dos outros, de mim, mas a gente sempre encontra a aresta solta e descobre.

Aquilo ferrou com o meu juízo, mas a letargia do porre foi tanta, que só quis te abençoar, acho que foi a única vez que meu corpo e minha mente se uniram e agradeceram por eu tomar vergonha na minha cara e sair de cena.

Agora lendo suas anotações, fico me perguntando se eu não merecia um pedacinho do paraíso também.

Sua mãe me odiava, me odeia e nós nem nos vimos mais que duas ou três vezes, reza a lenda que mães sempre sabem o que é melhor para os filhos, acho que agora entendo os motivos dela agora, eu também não ia querer uma mulher como eu na vida do meu filho…

03:47 Hs – Terça – Feira – São Paulo – SP

Mari…

CONTINUA…

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