Dia 16… – Novidades

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Por L. Orleander

Estavam acontecendo tantas coisas, que eu acabava me atrasando pra escrever ou me esquecendo, devido ao cansaço.

Terminei as paredes, na minha humilde opinião, eu levo jeito pra coisa, ficaram lindas e claro meu pai não apareceu pra me ajudar, mas foi por uma boa causa, ia passear com minha mãe no fim de semana. Ainda acho lindo o jeito como depois de tantos anos juntos, eles se tratam como dois adolescentes que acabaram de se apaixonar, tem lá suas intempéries, mas sempre se resolvem.

Meu quarto agora é azul, uma parede anil e as outras três celeste, com estrelas que brilham no escuro formando constelações. A ideia? Dela mesmo, Valentina.

Ela adorou quando veio dormir aqui, infelizmente Carlos passou mal de novo, e Hortência não tinha como arrumar alguém no meio da noite para ficar com ela, eu realmente estava começando a ficar preocupada, ele está cada dia mais magro.

Hortência voltou cedinho no outro dia, Valentina havia voltado pra escola, mas cansou de dizer enquanto era trocada que não gostava de lá.

Ah, tenho uma novidade… Rs

Carlos voltou pra casa dois dias depois do acontecido e os dias passaram normalmente até que um belo dia ele bateu na minha porta desesperado.

Motivo: Valentina aprendeu a fugir!

Ela subiu e desceu sabe – se Deus quantas vezes de elevador enquanto nós batíamos de porta em porta atrás dela. Eu, particularmente, não sei como ela aguentou ficar dentro daquilo, eu odiava elevadores, por fim Seu Luis conseguiu pega – lá e trazê – lá até nós, ele a abraçou tanto, balançando – se com ela no colo, sentado no chão, encostado na porta. Ele estava desolado, acho que a doença tem – lo feito ficar assim, com medo de perder ela ou de deixa – lá.

Aquilo me doeu também, pedi a Deus numa pequena prece intima que ele se curasse. Hortência parecia ser uma boa pessoa, mas Val já havia perdido a mãe, perder o pai também era injusto.

Netuno agora é um gato gordo e preguiçoso. Me ajudou com aquele seu sofá outro dia, finalmente consegui tirar aquele entulho de casa.

O novo era perfeito e Netuno aprovou, por mais incrível que possa parecer, ele não fez se quer um arranhãozinho, nem nas almofadas e nem no sofá.

Agora era definitivo, eu finalmente havia conseguido colocar as suas coisas pra fora.

Suas roupas dei a um morador de rua, ele deveria ter mais ou menos sua idade. Nos sentamos na guia da calçada e ele me contou como havia sido sua vida até ali, me disse que voltaria para casa, pois sentia a falta da mãe e da terra natal, ele me agradeceu pelas roupas e parecia realmente feliz por recebe – lás, eu também estava, finalmente por dá – lás para alguém que precisava.

Ainda tenho uma foto sua na mesinha da orquídea, que fica perto da porta, ela não morreu mais e eu assisti tutorias de como cuidar de uma. Tirei as fotos que vieram da casa da sua mãe dos portas – retratos, joguei as molduras no lixo e guardei as fotos na caixa onde eu guardava aquelas de família.

Com tudo você era uma boa lembrança e isso eu não podia negar ao meu coração e nem a minha mente.

Pastas de serviço e pen’s drives eu dei um jeitinho de colocar fogo, afinal de contas não iam me servir, era apenas lixo.

Guardei seu caderno de anotações, aquele que haviam as poesias, os pensamentos… Tinha planos pra ele, talvez você desaprovasse ( ou talvez não… Rs)

Voltei a fazer caminhadas no fim da tarde, tem sido revigorante e tem me ajudado a sair daquela vida ociosa que eu vinha levando por conta você sabe do que.

Lembra – se do que você disse sobre a livraria ao lado do café? Pois é, parece que alguém ouviu sua ideia e decidiu fazer exatamente isso naquele lugar vazio, é um pouco mais colorido agora, menos triste…

Ana e Paulo me chamaram pra viajar no fim de semana, o destino? Maresias…

A praia é linda e  o pôr de Sol perfeito, Paulo acabou esquecendo e mencionou você em uma das conversas que rolavam ali, dizendo o quanto você teria gostado, eu desconversei e continuei a falar outras banalidades.

Ana estranhou, mas sorriu em seguida e ignorou qualquer comentário que talvez tivesse pensado em dizer, era o efeito “Nando” passando.

Tiramos tantas fotos felizes entre amigos, luais e risadas, Val adorou, mostrei todas pra ela assim que voltei, ela disse que sentiu minha falta e pediu para Carlos deixa – lá ir comigo na próxima vez.

Ele sorriu e só balançou a cabeça, parecia um pouco melhor essa semana…

Está parando, sabe? De doer.

é meio agudo, claro, mas não incomoda como antes, não a ponto de fazer chorar ou tomar um porre pra ficar dopada, é uma dorzinha saudosa, controlada.

As coisas estavam ficando mais simples, ver pessoas, sair sem esquentar com as conversas, sorrir como era antes de você.

Tem sido bom voltar a viver…

00:30 Hs – Sábado – São Paulo – SP

Mari…

CONTINUA…

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