A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 11) – Cinzas

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Capítulo 11 – Cinzas

Escrito Por: Alfredo Dobia

 

O nascer do sol já era visível aos olhos de Lúcia, que acabara de pegar no sono com a alma cheia de chagas, exactamente como no dia em que recebera a notícia de que ela não veria seus ais nunca mais. Aquilo foi intenso de mais para uma menina de apenas oito anos de idade.

— Bom dia! — cumprimentou, saindo do quarto e deparando-se com Chris Aderson na cozinho.

Ela ainda estava de pijama, com os olhos cansado de tanto chorar.

— Oi, bom dia — respondeu Chris. — Como você está?

Lúcia puxou uma das cadeiras da mesa da cozinha, reparando que tudo estava o seu devido lugar, como se não havia acontecido nada.

— Cansada, triste, confusa, em fim — ela parou pra respirar. — Acho que minha vida acaba de ganhar um novo rumo.

Analisou a casa novamente. Estava simplesmente impecável, o sangue que tingia a parede e o chão havia desaparecido, e não conseguindo deixar passar, ela disse:

— Foi você quem arrumou tudo isso?

— Sim! — Chris respondeu. — A noite de ontem havia foi tensa de mais pra você e ter que se preocupar com a faxina seria sinistro — suas palavras fizeram Lúcia abrir um curto sorriso pra ele. — E já agora.. Sinto muito pelo seu avô. Ele era um bom homem. E não se preocupe com nada, eu já tratei de tudo. Suas cinzas estão naquele vazo. Aí na estante — ele apontou pro vazo grande de cor azul.

— Ele sempre dizia que quando chegasse seu dia, a única coisa que lhe faria descansar em paz, era colocar suas cinzas no mar, junto com a do papai — Lúcia comentou, num tom vazio.

— E assim será — ele disse.

Ela levantou a chávena de café e deu um gole de leve nela. Logo a seguir, a porta da sala se abriu e Valter Anderson passou por ela.

— Bom dia! — Ele disse.

— Bom dia! — Chris e Lúcia responderam simultaneamente.

Depois disso, o silêncio tomou conta da casa.

— O pequeno-almoço já está pronto — anunciou Chris, quebrando-o.

— Aí, Lúcia — Valter começou a falar — desculpa por aquilo que disse ontem. Acho que o meu irmão tem razão. Talvez eu tenha pegado um pouco pesado com você.

Lúcia voltou a pousar a chávena na mesa.

— Eu é quem vos devo um pedido de desculpa — ela disse. — Estava com tanta raiva e dor ao ver meu avô morto, pendurado em uma parede… por descobrir que minha mãe está viva e sendo prisioneira de um monstro, que acabei por descontar tudo em vocês. Eu sei que não foi por mal por vocês não terem me contado sobre ela, mas vocês têm de me prometer que vão confiar em mim daqui pra frente e que não vão mais esconder nada de mim. Combinado?

— Sim, nós prometemos — Chris disse, dando uma pancadinha no ombro do irmão. — Não é Valter?

— Com certeza! — confirmou.

— E agora — Lúcia disse. —, como é que a gente vai derrotar um cara que tem o triplo da nossa força?

Chris caminhou em passos longos até o seu quarto. Na volta trouxe consigo o livro de gerações da sua família.

— Então — ele disse  — , como eu dizia ontem. Você não precisa de entregar sua alma ao Cyrius. Não precisas fazer nenhum trato com ele. Eu e o Valter viemos estudando a anos, as poucas formas de derrota-lo, e nesse estudo, descobrimos algo muito interessante. Uma planta muito rara, existente em apenas dois países do mundo.

Os olhos dela brilhavam ao ouvir aquilo. Ela sentia uma luz de esperança

Chris Continuou:

— Segundo o pai do pai do nosso pai, está planta possui um poder extraordinário. Na verdade, apenas uma folha dela seria capaz de destruir as criaturas mais perversas e poderosas de todo o mundo sobrenatural, incluindo homens praticantes de magia negra, como é o caso do nosso malvado aparentemente invencível.

Lúcia ficou intrigada e queria saber mais a respeito da poderosa planta, inspirou e logo a seguir disse:

— Nunca ouvi falar dela aqui na América. Será que vocês não podem ser mais específicos nos detalhes? Tipo, dizendo que planta é essa e qual é o país onde ela se encontra?

Os Anderson olharam-se

— Aí é onde está o problema. Nós ainda não sabemos em que país ela se encontra. O livro só fala do quão poderosa ela é — explicou Valter.

— Mais nós temos de ser rápidos — disse Chris. — Paciência não é muito o forte do Cyrius, e eu acredito que ele quer se livrar do seu pacto, tento quanto a gente quer matá-lo.

Valter arqueou as sobrancelhas

— Você não esta ajudando muito com essas palavras, irmão — ele disse. — Mas numa coisa você está certo. Temos que nos apressar antes que ele volta pra buscar sua resposta e temo que na próxima vez, ele não seja tão cordial como foi ontem.

Chris fechou o livro.

— Bem, agora eu preciso tomar uma duche. Tenho que levar as cinzas do vovô — preludiou Lúcia, mudando de assunto.

— Você não precisa ir para o bar tão cedo se quiseres. Eu posso tomar conta por alguns dias — sugeriu Chris.

Lúcia caminhou, até o lavatório de louças levando os copos.

— Obrigado — ela disse. — Mas acho que por agora não quero me distanciar do bar. Lá é o único lugar onde eu fico realmente ocupada e longe de tudo isso.

Repentinamente seu telefone vibrou na mesa. Ela caminhou até ele. Era uma mensagem, e no mostrador vinha o nome da Sasha.

Não consegui dormir em condições pensando no dia de hoje.

Ela leu, e não fazia ideia do que Sasha queria dizer.

Dia de hoje? O que tem no dia de hoje?

Não acredito que você se esqueceu que a apresentação da peça teatral que venho ensaiando a meses será hoje. Se você não vir eu juro que te mato.

Lúcia riu, lembrando, e logo a seguir voltou a digitar em resposta:

É claro que venho. Você sabe que eu já mais faltaria em algo tão importante da minha melhor amiga.

Então tá, nos vemos depois. Tchau…

Tchau.

Lúcia pousou o telefone na mesa.

— Sou mesmo uma péssima amiga — murmurou. — Como fui me esquecer do dia mais importante da carreira da Sasha?

Valter deu de ombros, enquanto ela se retirava do meio deles. Chris, ficou apenas observando o belo cabelo dela.

— Olha Chris, você tem que parar com isso! — Alertou Valter.

— Isso o quê?

— Essa troca de olhar com ela o tempo todo. Você acha que eu não reparo? Olha, eu sou seu irmão e ninguém te conhece melhor do que eu. Você está tendo sentimentos por ela, e ela por ti.

Chris franzir a testa.

— Está tão óbvio assim? —

— Sim, está. E você sabe que isso tem que terminar antes que seja tarde de mais. Ela é problema, e dos grandes. A nossa missão e protege-la não namora-la. Além do mais, ela não é como nós. E você também sabe das regras sobre namoro entre pessoas como nós.

Chris torceu o nariz.

— Eu sei, e juro que tenho tentado evitar ela o máximo que posso. Mas ultimamente isso não tem sido uma tarefa fácil. A gente passa tempo de mais juntos, e o sorriso dela não me ajuda em nada para esquecer essa loucura. Mas eu prometo que isso vai acabar. Não posso permitir meus sentimentos interferirem na missão.

— Fazes bem — concordou Valter. — Ela é proibida pra você, e isso que vocês estão sentindo tem que acabar. Não podem continuar alimentado. CONTINUA…

Obs: Pt – Português de Portugal.

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