Torre de Pedra – Filhos do Lago

torre1

Por L. Orleander

“De ano em ano tive que assistir ela crescer de longe… Mikaela… Era filha de quem era e eu não podia fazer nada. Assim como meu pai, antes de mim também não pode.

É uma sina, jovem Lucyus…

Uma maldição ao que parece, onde nem vocês, nem nós e se quer o tempo pode mudar.”

A rainha me olhava com piedade e um olhar amoroso que não entendi naquele momento.

As lembranças fervilham em minha mente e me traziam a primeira vez que a vi, a luz da Lua com o olhar esperançoso.

Se não fosse o cabelo negro, Mikaela seria a cópia perfeita de Lady Margrethy.

Assim como meu pai, eu amei um homem. Valoroso, gentil e confiável. Falcon tinha um coração puro e sem maldade. Mas eu não vi nada disso, eu era apenas uma criança e para mim, para pessoas como eu, isso não ocorre como acontece em vocês. Levam – se anos e infelizmente, quando descobrimos é tarde demais para revogar o que estava selado.

Fazemos um voto de sangue. Selamos nossas essências a nossa linhagem em lealdade e fidelidade eterna. Mikaela será chamada a cumprir seu voto.

O sangue chama pelo sangue…”

De alguma forma o que a rainha dizia se enraizava em meu peito feito erva daninha. Eurador olhava o vazio, na direção das alas.

– Você… Deseja ver? – me perguntou ele.

Lady Margrethy sorriu, um riso cansado e olhou para Eurador acenando.

Eu respondi que sim e saímos em meio a chuva deixando pra trás a rainha e suas damas de companhia.

– Lucyus? – chamou ela firme. O som de sua voz arrepiou – me da cabeça aos pés, mesmo em meio a água fria que molhava meu corpo.

– Minha senhora? – parei eu virando – me para trás.

– Não nos deixe perde – lá. Salve minha filha…

– Eu prometo Milady! – meu peito inflou – se e caí por terra retorcendo – me de dor.

Em meu peito, do lado esquerdo, como se houvessem me marcado com ferro quente, um pequeno sinal em formato de crescente surgia.

– Leve – o Eurador e mostre – lhe tudo… – disse ela sumindo nas brumas que formavam – se ao seus pés.

Fui arrastado por Eurador até as portas da ala Oeste, o silêncio só era quebrado pelo som de gotas caindo. As portas não abriram – se com Eurador empurrando, foi quando ouvimos o riso de sinos.

Você não… És desta casa, és deste reino e de teu sangue já provamos. Queremos o dele…”

Eu nada via pois a dor me cegava, mas vislumbrei o que pareceu ser uma sombra fazer reverência.

Fui deixado no chão frio e úmido, convulsionando de dor.

Assisti formas multicoloridas bailarem sobre mim e sussurrarem entre si. Um círculo de fogo branco subiu ao meu redor feito pólvora.

– Bem vindo aquele que vem do Norte. Trono dos tronos, ovelha descagarrada da terra-mãe. Sede bem vindo, valoroso guerreiro.

As mãos frias tateavam meu corpo, enquanto a dor em meu peito cessava. As portas abriram – se rangendo e eu molhado em suor, chuva e lágrimas olhava estarrecido para a claridade pálida que a mim se apresentava.

No centro da ala uma fonte translúcida parecia ter vida, plantas arrastavam – se de cima a baixo no patio de treinamento, nas paredes, em cada quarto e nas estatuas que empunhavam espadas de punhos dourados e lâminas de cristal.

– Bem vindo a casa dos filhos do lago! – disse um par de vozes em uníssono.

Virei – me apenas para encontrar Eurador prostrado e o trono moldado em prata pura, sair da fonte.

Lady Margrethy estava sentada nele, mas os olhos não eram os seus e as vozes saiam dela.

Tentei correr para a porta, mas elas fecharam – se.

Foi então que uma a uma vi a estatuas ganharem vida.

Quatro anciões tornaram – se quatro rapazes.

Eu venho do Sul e do Norte.

Do Leste e do Oeste.

Guardo as portas da morte

E abrigo o cansaço dos vivos.

Eu venho do Sul e do Norte

Do Leste e do Oeste.

Curvo – me a senhora do Lago.

A rainha da noite…”

Eles curvaram – se diante da rainha e esperaram a ordem, mas ela não veio…

-Lucyus…

Ela chamou – me com olhos penetrantes.

Mikaela estava sentada no trono, fria, mirando a todos com indiferença.

Eu estiquei os dedos antes que pudesse toca – la, mas as brumas a carregaram.

A dor tomou conta uma vez mais

Está chegando…”

Eu gritei como se enfiassem ferro quente dentro de mim.

Os quatro anciões tocaram o lago e se abaixaram me tocando.

Por fim o que caminhava pelo Norte se aproximou e sussurrou em meus ouvidos.

A Morte sempre se encontra na porta Oeste…”

Meu corpo foi arremessado na fonte aos pés do trono.

– Vá e volte. Retorne filho e descubra tua historia.

Bom, eu voltei. Estás pronto para guardar com sua vida, um segredo?

CONTINUA…

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