Dia 14… – Desespero

ht1Por L. Orleander

O dia hoje foi no mínimo tumultuado, odeio acordar cedo aos Domingos, mas hoje fui obrigada a acordar.

Netuno estava de prontidão na minha cama, fazendo um barulho infernal, gato doido nunca o vi agi daquele jeito, mas hoje estava sem saco pra isso e perdi a paciência.

Eram oito horas da manhã e se eu não podia dormir, ninguém ia, isso incluía Carlos, o pai de Valentina e dono de Netuno.

Levantei trôpega, de pijama e com uma meia faltando no pé, sai do quarto com Netuno no colo, levei dois arranhões por pegar o bonito á força, só quando cheguei na sala que me deu um estalo.

Batidinhas quase inaudíveis batiam na minha porta, eu agora escutava um chorinho agudo e Netuno aumentando o miado.

Abri a porta desesperada e me perguntando quem era o louco que deixava uma criança sozinha no corredor.

Qual não foi minha surpresa ao abrir a porta e ver o cabelo dourado balançar de um lado a outro e abraçar minhas pernas. Valentina chorava copiosamente.

Eu a peguei no colo e saí porta afora.

O braço estendido no 527 me deixou em pânico, meu primeiro instinto, gritar, pedindo socorro.

Sentei Valentina na soleira da minha porta, eu imaginava como a cena ia ficar martelando na cabecinha dela, e me perguntava quanto tempo ela devia estar ali ou ter batido em outras portas.

Carlos tinha os olhos arregalados e no chão ao seu lado uma vozinha chamava insistentemente pedindo o endereço, peguei o celular e passei pra ela, pedi desesperada que viesse rápido. Logo o corredor se aglomerava e as pessoas ajudavam a tira – lo da porta.

Perguntei a Valentina onde estavam suas roupinhas, ela ainda estava de pijama. Procurei no celular do pai algum contato que identificasse alguém da família e achei uma tia, que me pediu por gentileza para levar Valentina comigo, somente até ela chegar.

A pequena não estranhou, Netuno já estava em casa. Não foi difícil distrai – lá, como eu suspeitava, é muito engraçadinho ver ela correndo atrás do gato.

A tia, Hortência, me ligou avisando que se atrasaria pois tinha ido ao hospital ver como estava o irmão, me perguntou como estava a menina e me pediu mil perdões pela situação respondi que estava tudo bem.

Ela dormiu, agarrada ao gato como se este fosse um ursinho de pelúcia, e ali ele ficou até ela acordar, como se fosse um guardião.

Lembrei que você um dia mencionou sua gata, mas foi um insight tão rápido que não me ative a memória.

Hortência apareceu quase no finzinho da tarde. Me pediu desculpas pela demora novamente, me contou que Carlos estava estável, e que já tinha cansado de dizer ao irmão que ele deveria morar mais perto dela. Ele tinha câncer, benigno o médico disse, estava no começo e Carlos ainda não tinha se adaptado a medicação.

Hortência me contou sobre o falecimento da mãe de Valentina e de como ele se desdobrava para criar a filha sozinho, apaguei aquela imagem de homem seco depois dessa conversa.

Aproveitei e comecei a pintar as paredes, Val me ajudou e adorou a cor, disse que vão faltar flores.

Carlos volta pra casa amanhã, Hortência levou Valentina e agradeceu novamente, disse que nada pode pagar o que fiz por eles hoje. Eu gostei dela, mulher simples e gentil.

Dia movimentado né?

Uma criança que não tenho contato, um pai – herói que não me diz nem “bom dia”, um gato que se tornou hóspede, e eu pintando paredes.

Tudo o que eu conhecia dessas três figurinhas foi Seu Luís que me contou, aquilo me fez pensar em como eu era egoísta, olhando somente pra mim e para o que eu queria…

19:38 Hs. – Domingo – São Paulo – SP

Mari…

CONTINUA…

 

 

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