Torre de Pedra – Senhora do Oeste

marg1

Por L. Orleander

Fez frio na noite em que ela partiu e a névoa que subia do chão causava calafrios.

Não havia um soldado se quer que não sentisse o ar gélido tocar – lhe a pele.

A carruagem escura vinha com rapidez. O regimento Oeste, ou como alguns costumavam chamar, As Almas.

Os cavalos negros feito a noite não relinchavam e eram altivos, os olhos possuíam um estranho brilho humano, notei assim que a carruagem parou diante de nossos portões.

Lady Margrethy…” – ouvi Eurador pronunciar. – ” A rainha – mãe, preparem as capas senhores, teremos tempestade…”

O céu não tinha uma nuvem se quer e as estrelas brilhavam majestosas. Eu ri desdenhoso, mas os mais velhos partiram de seus postos e só voltaram prontos para ver água cair do céu. Aquilo me causou estranheza.

Falcon apareceu sisudo para recepcionar quem quer que fosse que ainda não havia descido da carruagem, visto que o cocheiro se afastou, e as damas de companhia, dois pares de moças gêmeas de cabelos prateados, olhos azuis e tez pálida, se postaram lado a lado da portinhola da carruagem.

Um sino tocou baixo. E Falcon suspirou fundo, o rei amava aquela mulher e em sua face, nós víamos a dor de ama – lá, eu me vejo ali, todas as vezes que me lembro, todas as vezes que a vejo…

Lady Margrethy…” – anunciou uma das moças como se fosse o sussurro do vento.

Um raio cortou o céu, e nuvens fecharam – se sobre as estrelas, feito as cortinas de veludo velho da sala dos reis, a sala da descendência de Mikaela.

A primeira gota tocou – me a face e Eurador sorriu no momento em que a portinhola da carruagem se abriu.

As damas se prostraram diante dela e o caminho parecia estar sob uma redoma. A chuva começou fina e se tornou torrencial.

O rosto dela estava coberto por um véu escuro, mas seus olhos…

O frio me subiu a nuca e me deixou em alerta. O verde vítreo, me olhou de cima a baixo.

Mikaella…

Dei um passo adiante, mas Eurador me parou, olhando – me carrancudo. Balancei a cabeça de um lado a outro e senti como se voltasse a tocar o chão.

Por um momento eu me vi em guerra, vi bestas e monstros descomunais.

Vi rostos desfigurados e mortes e tremi ao abrir os olhos, ela me observava e seu olhar mostrava que ela sorria.

” Em breve…” – a voz sussurrou dentro de minha cabeça.

Eu estava encharcado, tremia de frio e estava nervoso, os outros soldados e regentes se afastavam para fugir do mal tempo.

– Você viu também, não é mesmo? – aproximou – se Eurador.

Apenas acenei com a cabeça.

– Venha rapaz, você precisa de algo quente e de uma verdade…

Segui Eurador calado, tremendo e pensativo. Tomei banho e coloquei vestes secas e quentes, pois o frio resolverá fazer estadia junto á ela.

– Sente – se meu caro, a historia é longa e não tão bonita e agradável… – aquilo me soou pesado.

Falcon era uma criança quando a conheceu. Ela era um sonho.

Os cabelos da cor do fogo e a pele rosada, uma doçura de criança, cheia de vida e encanto.

Falcon era o herdeiro do trono, o primeiro a ir contra tudo o que foi ensinado.

Enquanto seu pai, Lord Farrys, queria casa – lo com a filha de um duque ou conde, Falcon se enamorava pela “filha do lago” era assim que a chamavam.

Margrethy tinha sangue azul na hierarquia mística. Ninfa, era a palavra.

Falcon a queria como quem quer um tesouro que não pode ser seu.

Os anos passaram, e com ele o amor cresceu, casaram – se após a morte de Farrys em combate e eram felizes.

Mas o sangue chama, sempre chama.

O rei tem para si os Étereos e para a rainha ficou o regimento Oeste e nada de especial havia nele, era a guarda de Marg, todos sorriam em sua presença  ela tratava a cada soldado com carinho  atenção sempre que visitava – os, ela sempre levava presentes a seus guardas.

A rainha iluminava o caminho de muito e os de nosso rei mais do que o dos demais, foi nessa época que la viu – se grávida do primeiro herdeiro, mas o azar estava presente naquele dia…

Margrethy cavalgava numa tarde invernal quando caiu. Encontraram – na fria, com os olhos vazios e a mão no ventre. Ela perdera o herdeiro.

Falcon chorou a seu lado e lhe pediu perdão.

Margrethy ainda perdeu dois herdeiros, ao que Falcon começou a perder as esperanças…

As chuvas vieram e com elas nossa rainha renasceu, encheu – se de esperança e decidiu fazer o possível e o impossível para dar ao seu amado a graça que tanto queria. Um filho.

Na primeira noite de Lua Cheia, a rainha desceu ao lago e pediu aos seus ajuda para seu intuito, mas até mesmo isso tinha um preço. Mortais não se unem seres místicos sm responder ao sangue.

Margrethy engravidou e em meio a dores numa noite de tempestade, veio ao mundo Mikaela, silenciosa  e miúda, achamos mesmo que ela estava morta e o rei quedou – se de coração partido. Foi quando aquilo surgiu.

Feito um fantasma bailando entre nós, adentrou o quarto em um sussurro e pegou a criança nos braços, ninando – a, Mikaela começou a mover – se e chorar, assim como nossa rainha.

De olhos leitosos o ser estendeu a mão em direção a Margrethy sorrindo ao que essa o tocou, como um sopro, as vestes da rainha modificaram – se e ela ficou de pé, o choro de alegria e as faces rosadas deram lugar á feições esculpidas em mármore.

Falcon não teve tempo de abraça – lá e nem ela de tocar a filha, ela evanesceu como fumaça diante de nossos olhos, o sangue, a realeza de nossa rainha chamou – a de volta ao lago. E com ela um regimento inteiro. A ala Oeste tornou – se um deserto. Cemitério de estatuas que vez por outra lá aparecem, casa de luzes que ninguém ousa se aproximar.

A casa da Senhora do Oeste, a filha do lago. Nosso rei não permite que ninguém ali entre, se as portas não se abrirem por si só. A ala tem vida própria…”

Falcon falava como se fosse um velho louco diante de mim, não conseguindo acreditar em sua voz a contar aquela história, quando a porta se abriu e um clarão cortou o céu atrás da silhueta vestida em uma capa negra.

– Eurador! – diz a voz doce, tirando o capuz de sua cabeça.

Era como ver Mikaela anos mais tarde, u não conseguia parar de olha – lá.

– Milady. – Eurador postou – se de joelhos e eu o segui.

– Levante – se velho amigo, você ainda precisa terminar de contar uma história…

Ela parecia ter certeza do que fazia ali e acredite – me ela me contaria o porque, afinal de contas, agora, era Mikaela que corria perigo.

 

O sangue sempre chama o sangue…”

CONTINUA…

 

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