Dia… 10

tumb1

Por L. Orleander

Tive que parar de escrever ontem, doeu o peito, fiz uma xícara de chá e me deitei, era difícil, sentir aquilo e ter que segurar, manter preso pra me provar que sou mais forte. Lembrar aquilo não era uma boa ideia.

Ocupei a mente depois da ligação. Trabalhei feito louca a semana inteira, como se tivesse tomado uma dose de cafeína e adrenalina na veia.Comprei outro número e passei apenas para o pessoal do trabalho e para meus pais, para as demais pessoas, sim aquelas próximas á você, eu simplesmente dei a desculpa de que estava dando um tempo de tecnologia.

Foi numa Quinta – feira que minha paz de espírito teve fim, eu pensei estar colocando minha vida de volta nos eixos, pensei seriamente que agora ia ser mais fácil as coisas, eu estava me acostumando a sua ausência.

Os primeiros dias foram ruins, mas eu estava sobrevivendo. Um mês…

Saí do serviço e decidi pegar um filme no estilo Sessão da Tarde, mas sem os intervalos intermináveis da rede Globo, ia desabar aquela chuva, perfeito pra dormir ouvindo o som, eu não cansava disso, eu amava.

Passei no mercado despreocupada, comprei chá de frutas vermelhas, mel, pão de queijo, chocolate e pipoca de micro ondas. Era só besteira, queria um dia de criança e eu podia me dar, afinal  era só eu.

Você sumiu…” 

A voz atrás de mim me fez empalidecer, cada célula do meu corpo entrou em estado de alerta e senti aquele choque absurdo tomar meu corpo, a operadora do caixa me perguntou se eu estava bem e se levantou de seu lugar pronta pra chamar alguém, olhei pra baixo e balancei a cabeça, forçando um meio sorriso tolo.

Paguei as compras, sem responder e saí do mercado com pressa, sem olhar pra trás, nem notei que um diluvio já caia sobre mim.

Justamente naquele dia eu tinha ido trabalhar sem carro, minha mente em alerta tentava enviar ao resto do meu corpo um tranquilizante dizendo que era apenas uma alucinação, tudo bem eu precisava respirar, eram apenas 10 minutos de casa agora. Era apenas o estresse da semana.

Marina.”

Era o seu timbre no meio da chuva me gritando, cada neurônio meu reconhecia ele, apertei meus olhos e parei por um instante, voltei a caminhar, dessa vez quase correndo.

A água da chuva e meus olhos cheios de lágrimas, não ajudavam muito. Eu não queria te ouvir… Eu não queria te ver…

A mão fechou – se em meu pulso e eu tentei me desvencilhar, ainda me lembro que meu primeiro instinto foi ficar furiosa e te bater com as sacolas, mesmo você ainda me segurando, parei de lutar, abaixei a cabeça e respirei fundo, olhei nos seus olhos e ameacei gritar e chamar a policia.

A chuva me parecia tão fria, comparada ao toque quente da sua mão no meu rosto, seu beijo…

Morreu ali minha resistência, se destruía ali minha muralha, éramos dois loucos se beijando na chuva, meu coração desesperado te pedindo pra ficar.

As roupas molhadas pelo chão do quarto, a mão segurando minha cintura nua, o seu olhar avido e desejoso, nossas bocas sem dizer palavra, nossa música tocava suave em algum canto da casa.

Eu sentia a respiração falhar entre um suspiro e outro, nossas mãos trocando caricias pelo corpo nosso, tão conhecido em cada movimento, éramos o encaixe perfeito e até você já admitirá .

Mas era o turno da minha razão governar, no fundo eu sabia que era apenas o sexo casual e que na manhã seguinte você recolheria sua roupa e partiria.

Você dormiu, seu sorriso tinha o poder de matar qualquer leão, tirei seu braço de cima de mim e me virei para o lado oposto da cama, a lágrima escorreu, e senti nojo de mim.

Me perguntei incessantemente por que eu havia me rendido, era só isso que você queria, voltar pra que? Haviam tantas mulheres no mundo.

O dia começou a amanhecer, me levantei sem fazer barulho e coloquei a roupa molhada na maquina, voltei ao quarto e tomei meu banho, tentei fazer o mínimo de barulho possível.

Estendi a roupa, e ouvi quando seu celular tocou, eu já estava trancando a porta. Não iria ficar lá pra te ver.

Está acabando o mundo lá fora, essa é uma daquelas memórias que achei ter esquecido, mas infelizmente elas estão voltando com força e dessa vez, as marcas das lágrimas que banhavam meu rosto, agora mancham a folha…

Eu sinto sua falta, Fernando…

23:46 Hs – Sexta – Feira – São Paulo – SP

Mari…

CONTINUA…

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