Dia 9…

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Por L. Orleander

Estou perdendo a força na mão direita, era quase imperceptível, mas está ficando cada dia pior, descobri isso hoje.

Algumas vezes quando venho escrever, ela treme e me impossibilita de segurar a caneta ou mesmo de escrever uma frase completa sem torna – lá ilegível, é tem sido estranho.

As dores de cabeça também pioraram, parece meio hipocondríaco eu sei,mas elas tem aumentado em grau, número e gênero, prometi a mim mesma que vou procurar um Neuro o mais rápido possível, não por que você queria isso, mas por mim, preciso continuar viva e sem surpresas ruins, mas confesso que sinto falta…

Sinto falta de você dizer que estava preocupado com isso. Eu realmente achava que você se importava  e que por algum motivo bizarro você cuidaria de mim se fosse necessário.

Engano meu, nós falaríamos isso para qualquer um, não?

Os vizinhos novos, os vi hoje. Tem uma menininha, Valentina, não deve ter mais que 4 anos, a fala é fanhosa, mas tão doce que dá vontade de ficar horas só ouvindo ela falar. O cabelo é loirinho e os olhos são azuis.

Eles tem um gato, de uns dias pra cá ele tem aparecido por aqui, Netuno, descobri o nome quando a menininha entrou no elevador com ele no colo, um cinza estranho, que parecia azul, mas era lindo. Acho que o cara sisudo era o pai, deu um bom dia seco, ela era espoleta e o gato um sossego.

Reli suas mensagens antigas, ouvi seus áudios, eu era louca pela sua voz, que as vezes parecia uma criança e ainda sim continuava a coisa mais gostosa de se ouvir de manhã, me pergunto quantas vezes fiz esse mesmo processo anuindo ao fato de me perguntar se você faria o mesmo ou se pensava em mim.

Porta afora éramos apenas dois estranhos e eu não representava nada pra você.

Como eu sei? Uma vez acordei a noite e te vi apagando as minhas mensagens, aquilo me doeu e me fez pensar por que as minhas?

Esperei você dormir aquela noite e amanheci no sofá, saí antes de você e só voltei pra casa com a certeza de que você não voltaria pra casa, pelo menos até aplacar minha raiva, minha tristeza e eu me colocar no meu lugar.

TPM.” – você disse. – “Vai passar…”

Você passou a sair com mais frequência e aos poucos começou a levar suas coisas embora, isso me magoava, mas quem era eu pra falar alguma coisa?

O fim de semana chegou e você decidiu viajar, “sozinho”. Foi ali que tive certeza, você não nasceu pra se prender a ninguém e meu, jamais seria.

Fui até usa casa e recolhi cada migalha minha, se você decidiu partir aos poucos, não seria eu que ia te pedir pra ficar.

Os dias passaram e nenhuma mensagem ou ligação, somente as  fotos nas redes sociais. No fim, você estava feliz sem mim.

Minha cabeça assimilou aos poucos o que acontecia, mas meu coração teimoso se negava, pobre tolo eu não deveria tê – lo escutado.

O regresso foi áspero, ficou uma semana sem dar noticias quando mandei uma mensagem perguntando da viagem.

E assim passou o mês…

A ausência daquela resposta, era uma resposta a qual eu evitava.

Coloquei o resto das suas coisas no carro e levei até sua casa. Onde ficavam as minhas coisas, haviam outras.

Onde antes estavam meus livros, revistas de moda e de alguma cultura alternativa faziam morada, assim como a camisola de cetim lilás na cama.

Coloquei a chave no envelope, quando sai e passei por debaixo da porta. Sem bilhete, sem adeus e sem obrigado.

O que você veio fazer aqui em casa?”  – você perguntou preocupado quando atendi o celular distraída.

Eu desliguei, arranquei o chip, acendi a boca do fogão e coloquei fogo. Meus olhos arderam, me obriguei a não derramar uma lágrima…

Troquei de número…

CONTINUA…

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