Princesa Infernal [Parte 5] – Na Estrada

Escrito por: A.J. Perez

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Princesa Infernal – Capítulo 5: Na Estrada

— Então, quem é você? — Questionou Mirah.

— Sua babá aqui na terra. — resmungou o homem em resposta com uma voz rouca e carregada de muitos anos.

— Obrigada.

— Não precisa fingir gratidão, — ele a olhou de cima abaixo — garota.

— Não estou fingindo, por que faria isso?

— Você vem do inferno menina, nada de bom vem daquele lugar. Por mim eu enfiaria uma espada em seu coração agora e acabaria com isso, mas devo uma a Morte, e ela foi enfática quanto ao seu bem estar e sobrevivência, então finja gratidão a ela e não a mim. Não ligo pra você ou pro fato do inferno estar em guerra civil, quem liga se os anjos estão se matando lá, e acabando com os demônios e diabos? É um favor que estão nos fazendo.

— Espera.. você disse guerra civil?

O homem riu, a barba cheia e levemente grisalha, assim como o cabelo curto, tremeu conforme ele gargalhava. O movimento involuntário ressaltava suas muitas rugas do tempo ao redor dos olhos. Ele finalmente a olhou.

— Sério garota? Como não sabe da guerra civil? Você estava lá antes de vir pra cá não?

— Quanto tempo, — ela engoliu em seco — quanto tempo faz que o inferno está em guerra?

O homem bufou.

— Eu não sei bem, uns 800 anos? Algo assim. Onde diabos você esteve por todo esse tempo que não sabe sobre a guerra?

— Eu… — ela não conseguia organizar as ideias só pensava em como seu pai deveria estar preocupado com ela, ele sabia que ela sobreviveu? Ele ficou preocupado com ela?

— Lúcifer?

— O que? — indagou o homem sem entender o que ela queria dizer.

— Lúcifer está ganhando a guerra?

O homem riu.

— Lúcifer está morto. — As palavras se enterraram no peito dela como um milhão de espadas celestes — Yekun matou ele logo que a guerra começou, assim como a filha dele, sem ninguém na sucessão do trono ele se auto proclamou regente do inferno. Maldito, metade dos anjos queriam ele morto, mas ele foi esperto. Fez alianças previas com diabos e demônios e conseguiram expulsar de Carceres todos os que eram fiéis a Lúcifer. Quando a batalha pela cidade se findou ele a fechou com encantamentos e magias para então selar os portões angélicos. Nenhum anjo tem poder de entrar ou sair do inferno desde então. Os que estavam na terra estão presos aqui desde então. Apenas os demônios e diabos conseguem passar pelos portões. É assim que as noticias correm.

— Os diabos e demônios trairão Lúcifer, isso é…

— Mas tiveram o seu castigo, — ele riu — depois da cidade conquistada Yekun iniciou o Expurgo, caçar e matar todos eles, diabos e demônios, eles fugiram como cachorros assustados, bilhões morreram no expurgo. Por mim vocês lá de baixo podem se matar todos, quem liga.

— É… — disse ela pensativa — quem liga?

O olhar dela era triste e vazio, pensando em tudo que havia perdido. 800 anos? Ela sabia que o tempo entre os mundos era diferente mas não assim, não de forma tão gritante.

Ela fechou os olhos e respirou fundo, os abriu e olhou pela janela o ar entrava frio, arvores cheias de vida passavam por eles em alta velocidades, ela podia ver o verde se estendendo até os pés de um grupo de montanhas cobertas de gelo no topo, um rio sinuoso cortava a mata sumindo ao longe.

— Você tem nome? — questionou ela.

— Tenho. — resfolegou o homem que voltou a ficar em silencio.

— Não era bem a resposta que eu esperava receber…

— Esperava que eu não tivesse nome?

— Esperava que me dissesse o seu nome?

— Por que? Não somos amigos, não seremos amigos, estou fazendo um favor pra Morte e só. — Ralhou o homem fechando a cara.

— Dante. — disse ela olhando pela janela.

— O que? — indagou o homem.

— Dante, você precisa de um nome, vou te chamar de Dante.

— Dante? Sério? Eu lá tenho cara de Dante?

— Tem! A menos que diga seu nome.

— Então é Dante.

— Bom.

— Bom.

Eles permaneceram em silencio por alguns segundos até o homem quebra-lo.

— Sabe que isso é muito clichê não é?

— O que?

— Você ser do inferno e me chamar de Dante! Como Dante Alighieri.

— É um bom escritor.

— Você leu a divina comedia?

— Li… — respondeu Samirah.

— Como diabos alguém no inferno lê a divina comedia?

— Por que alguém não leria?

O homem bufou.

— Essa de longe é a conversa mais bizarra que já tive com alguém.

— Não está sendo normal pra mim também, Dante. — ralhou ela virando o rosto para olhar a paisagem.

— Dante — ele bufou — Meu nariz nem é tão adunco. — resmungou o homem em um tom baixinho.


 

Continua…

 

 

 

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