Dia 8… – Casualidades

91

Por L. Orleander

Era apenas mais um a droga de dia, como os outros estavam sendo, em especial hoje, não consigo me concentrar em nada, nem se uma agulha caísse, eu conseguiria.

Está ficando cada dia mais difícil conciliar minha vida normal, com as lembranças da sua existência na minha vida.

Seu nome tão comum dito ao meu redor, como uma invocação demoníaca, não bastasse isso, tinha o estagiário novo com seu cheiro, uma moça com a mesma cor e detalhe dos seus olhos e meu chefe com um timbre semelhante ao seu, nada ajudava mais do que isso não é?

Inferno!!! Você me persegue…

Era a primeira vez…

O vestido de tecido leve, as mãos avidas e concisas e o desejo, era insano e me parecia a melhor hora para dizer não a tudo.

O beijo roubado, o zíper das costas fechado com delicadeza, o beijo leve em meu pescoço, o sabor da vodka nos lábios, não era a resistência que me incomodava, nem o fato de me reprimir, era o desespero pra te ter que me apavorava.

Onde raios eu estava com a cabeça?

Nosso corpo virou uma coisa só, desconexa e completa, eu sentia as ondas de eletricidade percorrer cara poro de minha pele, sentia – me tremer por dentro a cada beijo, nos teus olhos, eu assistia sua alma, a mão na minha nuca me pedindo por favor pra parar de resistir.

Eu toquei o que foi – me o paraíso e entreguei – me ao anjo que caiu, simples e unicamente para ser atirada ao inferno sem dó ou piedade.

Cada detalhe, cada caricia que me arrepiava, eu disse não umas quinhentas vezes, mas como você mesmo disse, você sabia que eu queria, meu auto – controle foi destruído naquela noite.

Amanheci o dia julgando ser alucinação, estávamos calados, como se tivéssemos feito algo errado, fingi dormir e te deixei ir embora, mas mandei uma mensagem a noite agradecendo sem nem saber o por que, queria ter dito mais do que um mero “Obrigado e Se cuida”, era estranho querer falar sobre e não ter coragem para.

Passei dias pensando no ocorrido, remoendo cada cena, cada coisinha pequena e tão prazerosa que fizeram de mim uma tola inexperiente, droga era apenas sexo, não era minha primeira vez, por que eu estava tão tensa, (“em choque” você disse)?

Tomei coragem pra perguntar se tínhamos feito algo tão errado, você foi seco “ nada demais”, não me irritou, mas doeu como se eu furasse o dedo numa agulha.

“- Não vai mais acontecer. – eu disse

– Não. – foi sua resposta…”

Eu não liguei, ia seguir minha vida, a mente menos pesada, viver o que eu tinha vivido até ali, até antes de você, mas por que droga eu não conseguia parar de pensar naquilo, na sua voz sussurrando?

Passou um mês, ironias do destino nos esbarramos, com o caso quase esquecido, não te vi chegar, mas quando seu braço encostou no meu, senti aquele choque de novo, você não me notou, lugar cheio todo mundo esbarra em todo mundo, tratei de me afastar o mais rápido possível.

Meu coração foi até a boca e voltou, desgraçado me traiu, tentei realmente ignorar sua presença, você tinha amigos e eu tinha amigos, dessa vez bem diferentes, a moça que estava com você era linda.

Num vestido preto e batom vermelho de braços dados com você, aquilo parecia um tapa, mas que merda estava acontecendo comigo? Bebi a última dose de Martini e decidi ir embora, contra pedido dos que estavam comigo, ia ser melhor.

Eu estava rubra pelo álcool e por ver você e nem notei que a banda que fazia cover de vários sons iniciava com perfeição um dos solos que eu me apaixonará á pouco.

Abri a porta e senti o ar gélido da noite, acendi o cigarro tremendo, eu devia estar passando mal.

Marina…” 

Ali foi minha ruína, você parado a porta, sorrindo como se nada tivesse acontecido, sorri meio sem jeito e acenei com a cabeça, virei as costas, ia embora, você me abraçou, forte, carinhoso…

Deus onde estava meu escudo agora? O que você tinha feito dentro de mim? Não tive reação.

Perdi seu numero…” 

Era estranho, mas ouvir aquilo me fez derrubar tudo o que construí naquele meio tempo pra esquecer o que aconteceu entre nós, a música alcançava seu refrão, droga o que eu ia fazer agora?

“Between love
Between hate
Shake this silence back ‘fore it’s too late
And it haunts you
And it haunts you
It’s a love-hate
Heartbreak…” ¹

As lembranças aleatórias, eram as piores, corroíam feito ácido sulfúrico. Sem fim. Sem volta…

O vestido daquela noite ainda está pendurado no guarda roupa, parece um fantasma, nunca mais o usei depois daquele dia e hoje assim que levantar vou dar fim á ele.

Não é o não te querer, só não quero pensar mais nisso…

01:53 hs – Quarta – Feira – São Paulo – SP

Mari…

¹Entre o amor
Entre o ódio
Agite esse silêncio antes que seja tarde demais
E isso assombra você
E isso assombra você
É um amor/ódio
Desgosto…

Love/Hate Heartbreak – Halestorm

2 comentários em “Dia 8… – Casualidades

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s