A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 9) – Resgate

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Por: Alfredo Dobia

Cap 9 – Resgate

Uma semana havia se passado e desde o caso das cêntricas, tudo parecia bem. Durante esse tempo, Lúcia sentia-se desconfortável por partilhar a mesma privada com os Anderson. As outras estavam com problemas e ela já perdera a conta das vezes que ligara para a empresa de canalização, e obteve um feedback não muito agradável.

— Você tem apenas três horas para vir a busca do teu irmão — disse um homem no telefone.

Seu tom era expressamente sombrio e carregava consigo ódio e dor ao mesmo tempo.

— O quê? — murmurou Valter, do outro lado do telefone. — Quem é você?

— Quem sou eu? Não me diga que esqueceste de mim assim tão rápido. Qual é, faça um esforço vai.

Valter podia sentir as chagas na voz do homem, mesmo sem entender o que estava acontecendo. Ele andava de um lado para o outro se perguntando o que diabos aquele homem estava tentando lhe dizer.

Cris havia lhe pedido para levar Lúcia, enquanto ele terminava de fechar o bar, antes de lançar nele um feitiço de protecção contra as criaturas do Cyrius.

— Olha, eu não sei que droga de jogo é esse, então vê se explica melhor ou eu desligo o telefone.

Lúcia sentia que algo estranho estava para acontecer, sentia seu coração apertado e não conseguia tirar os olhos no valter que parecia uma bomba relógio, girando de um lado para o outro.

— Alô, Valter — disse Cris ofegante, como se estivesse sido torturado. Escute aqui. Não dê ouvidos pra ele, apenas cuida da Lúcia. Eu estou…

— Escute bem, eu não sei o que está acontecendo, mas seja o que for, estou vindo buscar você. — Valter passou a mão nos seus cabelos curtos, preocupadamente.

— Não valter, me escute, isso é uma armadilha ele…

Cris foi interrompido

— O tempo está passando e eu não sou muito paciente — disse o homem. — Então vê se te apreces.

— Escute aqui. Se você encostar um fio de cabelo nele, eu juro que procuro você até no inferno se for preciso. E quando eu te achar, farei você sentir as dores mais profundas que nenhum ser no mundo possa imaginar que existe.

As palavras do Valter acabaram por deixar Lúcia arrepiada e com medo, ela podia ver seus olhos pegando fogo a cada letra articulada.

— Eu conheço esse endereço! — afirmou Lúcia, lançando uma ameixa de cabelo para trás, enquanto procurava suas chaves. — Vamos que eu te ajudo a encontra-lo.

Valter assentiu em discordância.

— Desculpa Lúcia, mas você não pode vir comigo. Isso é algo que eu tenho de fazer sozinho. Não poderei defender você se as coisas se complicarem.

— Eu não posso simplesmente ficar aqui de braços cruzados, sabendo que um dos caras que veio de um lugar mágico esquisitamente sinistro, para salvar minha vida, morrer nas mãos de um idiota que nem ao menos sabemos o nome — ela explicou, determinada. — Além do mais, eu posso me cuidar muito bem sozinha. Não preciso de nenhuma ajuda sobrenatural. — Concluiu.

Valter encostou mais perto dela, arregalando os olhos.

— Diz a mulher que quase levou um tiro nas mãos de um adolescente metido a rebelde.

— Não aconteceu nada.

— Isso porque nós estávamos lá.

— Ah, estavam? — ela descansou as mãos nos quadris.

— Como você explica aquele coisa do sinto do rapas, quando estava prestes a atirar em ti? E o facto de ele ter apertado o gatilho e não sair nenhum brinquedinho que poderia matar você? Por acaso achas que foi sorte?

Lúcia franziu a testa, atónica.

— Espere um pouco! — ela disse. — Foram vocês que fizeram aquilo?

— Isso agora não importa!

— Tudo bem. Mas não é isso que me vai fazer mudar de ideia. Eu vou e ponto final.

Valter bufou, notando que nada que ele dissesse iria fazer Lúcia ficar. De seguida colocou sua jaqueta, dizendo:

— Já vi que não te vou convencer a ficar. Mas escute aqui, não vá bancar a heroína, pelo amor Deus. Você é péssima nisso! Apenas fica de fora esperando, ok!

— Ok!

Valter e Lúcia chegaram no local do endereço. Estavam em frente a uma fábrica de extintor. Ele arregalou os olhos, sacou o papel das mãos da Lúcia pra confirmar se estavam mesmo no lugar certo. Olhou ao seu redor e o silêncio que pairava no ar não lhe agradava muito.

Uma sensação de frio no estômago se espalhou em seu corpo desconfortavelmente. Valter sentia suas pernas bambas. Algo de errado estava pra acontecer. Sua magia o alertava.

— Ele está aqui, posso sentir a presencia dele — Valter disse.

— Como assim? — Lúcia quis saber.

— Um bruxo pode sentir a presencia de outros bruxos, principalmente quando têm o mesmo laço sanguíneo. Agora fique aqui, eu já volto — ele ordenou, caminha em direcção do prédio.

De repente uma luz amarela se formou. Valter reduziu seus passos e conduziu as mãos no rosto, a luz era muito forte, não o permitia ver com clareza o que estava em frente. Assim que adentrou na fábrica, seus olhos avistaram seu irmão. Não demorou muito para o encontrar. Cris estava amarrado dos pés as mãos. Seus lábios abriram um sorriso curto pra ele. Valter correu para o desamarrar, mas Cris assentiu a cabeça, como se estivesse o alertando pra parar.

Faltando apenas dois metros para chegar perto do Cris, Valter foi arremessado para longe, por um obstáculo abstracto. Havia uma barreira invisível na frente do irmão.

— Escudo invisível. — disse ele, impressionado. — Esse cara tem classe.

Levantou e encostou a mão na barreira. Pequenas fagulhas acinzentadas repeliam sua mão a cada toque. Ele pronunciou algumas palavras, na tentativa de destruir o escudo, mas nada aconteceu. Distraído nos pensamentos de como ajudar Cris.

Uma botija atravessou o escudo, batendo forte em seu estômago. Cris se mexeu, fechando os olhos por um segundo, como se a butija o atingisse também. Valter gemeu dolorosamente. Lúcia ouviu um barulho. Era a botija girando no chão. Ignorando as palavras do Valter, ela entrou na fábrica, vendo de seguida Cris amarrado e Valter estendido ao chão, rebolando de dor como se a botija o fracturasse as costelas.

— Gostou da minha surpresa Valter Anderson? — perguntou um homem de cabelo escuro, vindo em sua direcção.

Valter poderia sentir as chagas naquele tom de voz novamente, como ouvira no telefone. Ele fez um esforço e levantou-se do chão, ainda queixoso.

— Daniel Parker — disse Valter. — Como não pensei antes que era você?

O homem tocou no escudo pronunciando algumas palavras — e logo de seguida o escudo transformou-se numa redoma de gelo negro, tornando-se visível, por apenas doze segundos. Logo a seguir, explodiu, espalhando pedaços de pedras gelo no chão.

— Olha que engraçado — ele disse —, eu também estava me perguntando como você havia se esquecido tão rápido da minha voz. A última vez que nos vimos, eu disse que acabaria contigo e faria você pagar pela morte dela.

— É sério isso? — murmurou Valter. — Todo esse jogo não passa de vingança? Olha cara…— ele deu um passo em frente, com as mãos na barriga ainda dorida. — Você tem que seguir em frente, a Ana…

— Não se atreva a articular o nome dela — Daniel gritou, e com um movimento das mãos, uma outra botija flutuou em velocidade épica e acertou o estômago do Valter novamente. — Por sua culpa ela está morta. Você poderia ter salvado ela, mas preferiste o teu irmão. Agora vais pagar cada litro de lágrima que me fizeste derramar.

Ele se aproximou do Valter. Seus olhos castanhos mudavam de tom, tornavam-se escuros, estavam cheios de revolta, mágoas e cicatrizes. Cedente por vingança e com os punhos serrados, esmurrava o rosto do Valter na tentativa de calar o pranto da dor que sentira.

Lúcia tentou se aproximar, mas Valter assentiu com as mãos, para ela não se mover. Gritava, pedindo pro Daniel parar mas suas súplicas eram ignoradas. Perder a mulher nas garras de um Crady foi a pior coisa que aconteceu na vida do Daniel e ele sempre culpou Valter pela morte dela.

A dois anos atrás, os Cradys atacaram uma aldeia de Índios, e os bruxos modernos haviam sido ordenados de os proteger. Na equipe, estava Valters, Cris, Daniel e sua noiva Anabeth. A missão teve complicações. Anabeth e Cris ficaram presos, com um tronco de árvore nas costas, e por motivos desconhecidos, não conseguia usar magia para se soltar, quando um Crady lançava espinhos de sua calda na direcção do Cris, o que fez com que Valter, rapidamente respondesse ao ataque, lançando uma onda de energia em direcção aos espinhos. Aquela onda, desviou os espinhos na direcção da Anabeth.

Os espinhos eram demasiados, e a falta de magia fez com que seu veneno se espalhasse em seu corpo freneticamente, o que a conduziu a morte.

— Olha Daniel, aquilo foi um acidente — disse Valter ofegante. — Eu tentei salvar os dois. Estávamos em uma batalha e você sabe que acidentes em batalhas costumam acontecer o tempo todo.

— Sim eu sei — Daniel respondeu. — Isso também é uma batalha e você saberá o verdadeiro conceito de acidente quando eu acabar com seu irmão bem na sua frente — Daniel olhou para o lugar onde havia amarrado Cris, mas ele já não estava lá.

Enquanto ele transmitia sua irá insana no Valter, Lúcia desamarrava-o.

— Onde ele está? — seus olhos avistaram Cris por alguns segundos, depois voltaram pro Valter. — O que você fez? — gritou, esmurrando-o fortemente.

Distraído no Valter novamente, ele sentiu uma mão tocando seu ombro. Tentou se defender, mas Cris já havia lançado um feitiço pra ele. Deny não conseguiu abrir a boca, sentia tudo girando a sua volta, esmaecendo, até que por fim caiu, estendido no chão.

— Não podias ter feito isso mais depressa? — Valter disse, limpando o sangue que esparrinhava pelo nariz.

— Você matou ele? — indagou Lúcia, preocupadamente.

— Não! — Cris respondeu. — Ele só está inconsciente. Vai levantar dentro de algumas horas, mas não aqui.

— Como assim não aqui?

— O conselho mandará uma equipa para vir buscar ele.

Valter levantou já com o sangue estancado, e Cris se Virou para ele.

— Que ideia estúpida foi essa de trazer ela com você? — perguntou, bravamente. — Ela poderia se machucar, ou pior ainda, morrer.

— Nao seja tão dramático Cris! Vocês passam a maior parte do tempo juntos, deverias saber o quanto ela é teimosa.

Lúcia franziu a testa

— Hey, hey, moços — ela disse, com os braços levantados. — É de mim que vocês estão falando, e eu estou bem aqui. Olha, eu entendo que vocês estão aqui para me proteger, mas têm de parar de me tratar como uma menina de seis anos, tá.

— Desculpa Lúcia — disse Cris —  mas é que…

— Mais nada! — ela interrompeu. — Agora vamos pra casa, que eu já estou farta disso.

Os Anderson se viraram pra ela, no seu pódio autoritário, e começaram a caminhar em passos curtos. Mas ainda havia algo que Valter não conseguia tirar da cabeça. Ele se perguntava como Daniel havia conseguido atacar Cris, sabendo que seu irmão sempre foi muito mais rápido, habilidoso e experiente que o Dani.

Ele se virou e indagou o irmão.

— Aí Cris, como foi que Daniel conseguiu atacar e amarrar você?

— Foi algo muito estranho — Cris respondeu — Eu estava acabando de fechar o bar, quando de repente ouvi burburinhos ecoando em todos os cantos do bar.

— Burburinhos? — Valter repetiu, indignado.

— Exactamente! — Não parecia apenas uma pessoa falando, pareciam várias, fumaças negras flutuavam pelos ares, não conseguia ver nada. E o mais sinistro não foi isso, mas sim, eu não conseguir usar magia como na missão com os Cradys, lá na aldeia dos Índios.

— Que estranho. Como o Daniel se tornou tão forte? O que ele andou lendo nos últimos tempo? Mas antes de investigarmos isso, primeiro temos de saber o que se passa contigo para estares perdendo a magia, nos momentos mais oportunos.

CONTINUA…

(Pt. Português De Portugal)

 

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