Torre de Pedra – Mikaela

eva2

Por L. Orleander

– Você foi designado para ensinar a princesa. Tomar conta dela e vigiar seus passos. Qual parte você não entendeu? Ela é apenas uma garota de 17 anos e você não consegue se quer ficar de olho nela? Que porcaria de espadachim é você? Meu Deus, existe alguém que essa praga dessa menina não consiga enganar?

Lucius ouvia o general do regimento Norte esbravejar a plenos pulmões, o quanto estava insatisfeito com a segurança de sua pupila.

O rei pediria a cabeça dele e dos outros três generais de sua guarda, caso Lady Mikaela não aparecesse até o pôr – do – Sol.

Honestamente, não era a primeira vez que ela aprontava isso, se houvesse no reino vinte bons soldados que ela já não havia enganado, seria um milagre.

Para todos os efeitos Lord Falcon devia se orgulhar de sua herdeira, tínhamos que admitir ela tinha fibra, coragem e determinação, características raras nos monarcas atuais.

Mikaela convencia qualquer um com suas palavras e o modo como falava soava quase hipnótico aos ouvidos e eu sabia disso melhor do que ninguém.

– Você está dispensado, suma da minha frente e ache aquele demônio de saias. Já estou farto dessa garota mimada. Mas não há nada que um bom casamento não resolva, aí sim eu quero ver como ela vai se comportar.

Eurador, amava a princesa, mas a idade se aproximava e ele não tinha mais forças pra suportar sua peripécias, assim como os demais que a viram crescer nas paredes daquele castelo.

Mikaela era a única herdeira do trono e Falcon , o rei, não deixava de fazer se quer um gosto seu.

Aos 14 anos decidiu que aprenderia a lidar com bestas, arcos, lanças e espadas, o que ele fez? Mandou buscar seus quatro generais e além – mar, os melhores mestres.

Ela cortou próprio cabelo no dia em que ouviu Eurador, na sala do trono dizer ao rei que ele estava louco. Se ele podia dizer aquilo? Não, mas as batalhas nas quais os dois estiveram lhes deu um laço mais forte que o do sangue que os banhará, lhes transformou em amigos…

– Meu senhor me perdoe pelo disparate, mas sua filha é uma donzela, foi criada para bordar, manusear agulhas e arranjo de flores. Uma mulher tem gestos floreados de delicadeza, tem curvas desenhadas pelos deuses para encantar, e aquele cabelo? Mikaela teria que corta – lo para não atrapalha – lá durante os treinos. Pense, meu rei.

No dia seguinte, quase assistimos a Falcon derrubar a coroa e Eurador engasgar como um porco. Ela parecia um soldado, o cabelo extremamente curto, para desprazer da ama, as curvas ocultas por bandagens, o olhar duro varreu a sala e o queixo erguido em sinal de orgulho, apenas mostrava a determinância da princesa. Ela estava pronta, e nada nem ninguém a faria mudar de ideia.

No fim do mesmo dia, ouvia – se os lamentos da ama junto a tina de água quente e o soluçar leve de quem chorava, Mikaela tinha o corpo sujo de sangue e hematomas. Isadrea, a ama chorava, Mikaela não.

Lembro – me de vê – lá chorar apenas uma vez, na mão de um mestre lanceiro que lhe feriu a face e a derrubará no chão.

A única lágrima a escorrer era fria e foi seca com as costas da mão ao ouvir sonoramente: “Fraca!” da boca de seu mestre e os risos de escárnio dos outros soldados.

Ela era forte e ninguém daquele dia em diante ousava dizer o contrário.

Um ano se passou, as 15 primaveras chegaram e acredite – me, quem a via, dizia mesmo que era membro da guarda real e não a filha do rei, mas sente – se, pegue uma cerveja, nossa história está apenas a começar, e daqui pra frente você vai nos conhecer…

CONTINUA…

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