A Corte [Parte 19] – Conexão

Escrito por: A.J. Perez

 

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“A Corte: Capítulo 19 – Conexão”

 

— Foi uma manhã bem longa. Se não se importarem, eu gostaria de poder assimilar tudo isso.

— Claro Marcus. — Iniciou Eleonor— Você está lidando incrivelmente bem com isso até o momento, tem uma mente forte, mas obvio que precisa assimilar tudo que esta acontecendo. Tome o tempo que precisar, quando precisar, estaremos aqui.

— Vai passar pelo parque? — disse Sophie entrando na conversa.

— Sim, eu vou. — ele claramente entendeu o que ela pretendia.

— Se importa em me dar uma carona?

— Não, tudo bem, fica no caminho.

— Talvez não seja uma boa ideia. — Disse Eleonor.

— Está tudo bem! — Mark foi enfático — Fica no caminho mesmo.

— Então vamos pro parque? — era Nitty se aproximando.

— Agradeço sua preocupação Nitty, e a sua também Seth, — ela olhou para o Nephilim — mas prefiro me alimentar sozinha. Garanto que estou de volta em algumas horas.

— Se alimente direito, você está muito fraca. — ralhou Seth.

— Pode deixar.

— Bem, nos vemos… — disse Marcus de modo geral antes de se virar para Nath — Obrigado por tudo.

— Sempre que precisar. — respondeu ela de modo gentil.

Mark e Sophie saíram calados e assim permaneceram mesmo depois de entrarem no carro e seguirem pela estrada.

Ele observou Sophie durante a viagem, a garota olhava pela janela de um modo apático. Estava pálida, muito além do normal, até seus lábios estavam sem cor. abaixo de seus olhos, olheiras muito escuras marcavam seu rosto delicado lhe dando uma aparência de muito cansaço.

— Então… Imortal?

— Sim…

— Deve ser bom, nunca morrer.

— No inicio sim, depois de alguns séculos a ideia de morrer começa a ficar atrativa.

— Séculos? Você parece pouco mais velha que minha irmã.

— Quantos anos ela tem?

— Dezesseis.

— Já vivi umas 25 vezes o tempo de vida dela.

Mark apenas anuiu com a cabeça tentando assimilar aquilo. Algum tempo depois estacionou ao lado do parque da cidade. Uma grande area verde, com espaços para piqueniques, caminhadas e vários tipo de atividades ao ar livre.

— Essas visões, — iniciou ele finalmente — como podem ser o futuro?

— Elas mostram o que vai acontecer. Não em detalhes, apenas mostram o resultado. No caso estamos falando de centenas, talvez milhares de mortes.

— E como eles vão morrer?

— Não temos como saber, mas visões do futuro são respostas cósmicas ao que se aproxima.

— O que traduzindo para nossa língua significa?

— Se sabemos, podemos evitar.

— E como podemos ver isso, juntos?

— Estamos conectados de alguma forma aos eventos que vão desencadear isso. É como um aviso do universo, pra tomarmos cuidado. Estamos relacionados a algo que vai causar grande destruição, mas podemos impedir isso.

— Não sei o que pode causar milhares de mortes, mas não vou deixar isso acontecer. Seja o que for vou enfrentar.

— Não sou heroína, nunca fui, mas seja o que for que esteja a caminho pode contar comigo pra impedir. Afinal também estou ligada a isso.

— Temos de pensar em que pode desencadear isso.

— Já estive pensando em quanto vinhamos pra cá.

— E chegou a alguma conclusão.

— Tenho uma, e você não vai gostar.

— Diga? — Mark estava inquieto.

— O primeiro corpo na visão, de quem era?

— Foi o da garota Unseelie.

— Ela é a chave. — Afirmou Soph com convicção — A primeira morte de muitas.

— O sangue que verte dela se espalha — disse Mark relembrando a visão — criando um mar de sangue.

— E morte… talvez o assassinato dela desencadeie uma guerra entre as cortes.

— Eu vi varias pessoas que conhecia lá, entre os mortos. — ele fez uma pausa — por que humanos morreriam em uma guerra entre vocês?

— Guerras podem sair do controle, dano colateral acontece em todas as guerras, sejam elas travadas entre humanos, sobrenaturais ou ambos. Temos de descobrir que matou a garota.

— Talvez, não podemos ser precipitados. — Mark estava pensativo.

— Como assim?

— Quando eu estava na corte unseelie, ouvi Guillehal falar para Eleonor que se quem matou a garota no beco for Seelie, haverá guerra.

— Pelas profundezas do tártaro. — Sophie socou o painel do carro sentindo-se sem saber em como proceder — se for um unsselie impedimos a guerra…

— Se for um Seelie — disse mark — nós vamos ser a causa do inicio da guerra.

— Não fale com ninguém sobre isso, não ainda.

— Certo.

— Temos de agir de modo racional aqui… — ela fechou os olhos e ficou estática como em uma meditação profunda, até soltar o ar com força. transparecendo frustração — Inferno, não consigo me concentrar.

— Algum outro problema?

— Nada é só uma coisa que tenho de fazer, mas não quero.

— Se alimentar?

— É…

Ela observava as pessoas andando no parque.

— O que você, come? — Mark tentou parecer informal, tranquilo, mas o modo como ela olhava as pessoas andando o preocupou.

— Eu devoro pensamentos. — disse ela depois de alguns instantes.

— Tipo uma telepata?

— Não. Telepatas leem as mentes, eu não sei o que as pessoas pensam, eu só devoro sua criatividade. A mente humana nunca para, posso devorar todo tipo de pensamentos, quanto mais coisas uma pessoa tiver em sua mente melhor, mas tenho de ser cuidadosa, se eu drenar de mais, a pessoa pode “secar”. — Ela fez uma pausa parecendo lembrar de algo — a mente dela morre, se torna uma casca vazia sem interação com o mundo externo.

— Você não gosta disso não é?

— Não, não gosto e não quero… mas eu já gostei. — Ela se virou para olhar Mark, os olhos dela pareciam marejados — Eu era Unseelie. Fui criada com todos ao redor me dizendo que humanos eram inferiores, alimento, diversão. Isso não isenta minha culpa das coisas que fiz, mas se tivesse nascido Seelie, teria sido diferente.

— A família molda o nosso caráter, seja o que acha que for sua culpa, não é.

Ela o olhou mais uma vez, parecia surpresa em alguém dizer aquilo.

— Se você fosse má, não lutaria contra isso. Devia ter orgulho de si mesmo. Poucos tem a coragem de ir contra ensinamentos errados de sua infância e menos ainda a força de vontade para tentar mudar.

— Obrigada.

— Você pode… se alimentar de sobrenaturais?

— Posso… por que?

— Eu descobri que não sou humano, que existe todo tipo de seres fantásticos ao nosso redor, vi magos do tempo, poderes incríveis sendo usados. Vi uma garota ser assassinada, fiquei coberto de sangue e depois disso tudo terei de chegar em casa e seguir como se a vida estivesse normal. Como se as pessoas que eu amo não estivessem em perigo com uma guerra ou sei lá o que a caminho. Eu estou com muita coisa na cabeça.

— Você tem certeza disso?

— Tenho, você me ajuda e eu ajudo você. Uma troca justa.

— Certo…

Ela de aproximou do bando dele e colocou as mãos ao redor de seu rosto e aproximou seu rosto do dele. Mark percebeu que ela estava tremula de fraqueza. Parecia a ponto de desmaiar, então tocou sua testa na dele, e Marcus sentiu a energia fluir como uma cascata.

Sophie afastou o rosto do dele ela parecia assustada..

— O que foi? — indagou ele confuso. Então percebeu que as olheiras dela haviam sumido e o rosto estava levemente mais corado.

— A sua energia simplesmente fluiu… Foi muita energia de uma vez só. Nunca vi nada assim, você está bem?

— Estou… você vai continuar?

— Continuar? — ela parecia chocada ao observar ela — Marcus, leva minutos para drenar qualquer pessoa, eu drenei energia equivalente a duas pessoas de você no minimo, em menos de dois segundos.

— Eu estou normal… não tem nada de diferente.

Ela se aproximou para observar ele melhor.

— E como se você tivesse a energia vital de centenas de pessoas, como isso é possível? O que você é?

— Espero descobrir… — ele pegou o rosto dela e aproximou do dele, quando suas frontes se tocaram ela olhou dentro dos olhos dele como que buscando permissão e a encontrou.

Quando ela fechou os olhos a energia fluiu como uma represa se rompendo.

A força e velocidade que a energia fluía dele era algo além de qualquer coisa que ela já havia visto. Depois de mais alguns segundos ela parou de drena-lo. Mas deixou seu rosto recostado no dele.

O topo do nariz de ambos se roçavam em uma dança gentil e suave, ela segurava o rosto dele com uma das mãos enquanto a outra apoiava a nuca conforme os deles finos e delicados sumiam em meio aos cabelos negros de Mark, conforme ela os acariciava instintivamente. Assim como ele deslizava a ponta dos dedos ao lado do rosto dela, enquanto a outra mão repousava  em sua cintura.

Ambos abriram os olhos.

A aparência dele resplandecia saúde, e ele se sentia bem mais calmo.

Mas uma batida na janela do carro os separou.

Ambos olharam se desvencilhando um do outro, para ficarem incomodados em seguida.

Do lado de fora do carro, Guillehal acenava com um sorriso no rosto.

 


 

Continua…

 

 

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