Princesa Infernal [Parte 3] – Sozinha

Escrito por: A.J. Perez

The Danakil Desert is a beautiful place and very exotic located in Ethiopia, it has active volcanoes, poisonous gases, lakes full of sulfur and very high temperatures.

Princesa Infernal – Capítulo 3: Sozinha

— Temos de fazer algo, não podemos deixar isso acontecer!

— Por favor, Mirah — ralhou seu pai — não diga o obvio. Yekun, tem alguma ideia do que pode estar acontecendo?

— Eu apostaria que alguém descobriu como roubar as almas dos mortais, talvez um desvio com magia enoquiana.

— Isso teria de ser feito na terra. — disse Tempo pensativa.

— Não necessariamente, pode ser feito a distancia. E eu tenho quase certeza de que isso poderia ser feito daqui do inferno.

— Acho isso muito improvável, — questionou Tempo — o véu que divide o mundo mortal do nosso é muito espeço, nós mesmos só conseguimos atravessa-lo sacrificando parte de nosso poder por um tempo determinado.

— Tempo tem razão, a origem deve estar na terra.

Yekun bufou e se afastou esfregando as mãos na cabeça, ele ralhou em um tom baixo, e se virou pondo as mãos na cintura.

— Então podem ir, os três. — disse esse incisivo aos visitantes.

— O que houve tio? — questinou Samirah.

— Tempo, sabia que tinha algo errado, e veio me procurar, só com um estudo e uma serie de magias que eu fiz ela descobriu sobre as almas sumidas. Por que você Tempo, sabe que em toda a criação ninguém tem tanto conhecimento a disposição quanto eu. Então ela pediu para eu chamar nosso rei, — ele fuzilou Lúcifer com o olhar cuspindo a palavra “rei” com desprezo — Pois ele — disse apontando — é alguém sábio, que em milênios sempre soube o que fazer nos momentos de crise. Então você irmão, me pergunta se eu tenho alguma ideia sobre o que esta acontecendo. E quando eu falo os dois simplesmente refutam, assim. — ele estalou os dedos, e em seguida baixou a cabeça — Após todos esses milhares de anos, que eu dividi meus conhecimentos e ajudei a ti meu irmão, e você e suas irmãs Tempo. E todas as outras milhares de criaturas que me procuraram, após tudo isso, vocês ainda duvidam da minha capacidade? Se é isso, então podem sair de minha casa, — ele olhou para Lúcifer — com todo o respeito, sua majestade.

— Desculpe Yekun. — disse-lhe Tempo constrangida — Você tem razão, sem você não saberíamos do que está acontecendo.

Samirah apertou o braço do pai e balançou a cabeça na direção do tio. O rei dos anjos caídos  fechou a cara para ela, mas acabou por revirar os olhos, e se dirigiu ao irmão.

— Onde?

— O que? — indagou Yekun.

— Onde você acha que o ladrão de almas pode estar?

— Sigam-me… — ele se virou e começou a andar por entre as infindáveis estantes.

Depois algumas horas eles finalmente chegaram um enorme mapa que o anjo começou a mover usando runas celestes como um holograma.

— Nunca vi isso aqui antes. — Samirah observava de perto maravilhada — quanto do inferno você mapeou?

— Todo ele. — Sorriu Yekun.

— Mas o inferno é infinito. — ela estava confusa.

— Você tem muito que aprender ainda, minha querida. — tempo falou de modo gentil pondo a mão sobre o ombro dela.

— Aqui, — o anjo apontou para três regiões do tridimensional com marcadores piscando — com os cálculos que fiz, apenas nessas regiões seria possível empregar a energia de uma magia enoquiana para poder aprisionar almas.

— Então tudo que temos de fazer é ir lá e parar quem está fazendo isso?

— Basicamente, sim… Agora que podemos nos dividir em 3 cada um pega um ponto e vai. Acabamos com isso hoje, agora. — Yekun parecia decido.

— Seria prudente chamarmos a guarda infernal não? — questionou Tempo.

— O rei do inferno pode cuidar disso, não pode? Estamos falando de Lúcifer, e você Tempo, vocês são seres poderosos acha que alguém os desafiaria? É mais fácil eu morrer, mas estou disposto a ir até lá. Tempo pode ir para o ponto ao norte, Lúcifer ao ponto a sudeste e Samirah e eu pegamos o leste.

— Samirah fica aqui. — ralhou Lúcifer.

— Eu posso ajudar! Eu quero ajudar!

— Não.

— Mas pai…

— Sem mais, Mirah! Você fica.

— Você não tem o direito de…

— Eu sou seu pai! Sou o rei! Eu tenho o direito de tudo no inferno isso incluí o que você pode ou não fazer.

Os olhos dela se encheram de lagrimas, não de tristeza, mas de fúria.

Tempo observou os olhos da garota relampejando vermelhos, as lagrimas queimando dentro deles e se tornando fumaça antes de escorrerem pela pele. O próprio ar ao redor da garota tremia, como se estivesse a ponto de entrar em combustão.

Ela fechou os olhos e respirou fundo, como sempre fazia então apenas disse:

— Vou aguardar-los na saída. — e se afastou.

— Você realmente é bom com as palavras. — Tempo parecia incomodada com o modo como ele tratava a garota.

— É para o bem dela.

— Um pouco de amor cai bem as vezes…

— Amor? — Lúcifer riu — Aqui é o inferno Tempo, não temos “tempo”— ele a olhou dos pés a cabeça — para o amor aqui, temos de governar com punhos de ferro os demônios e diabos, punir os maus, e ainda tenho de controlar os meus irmãos para não se matarem. Mirah tem de aprender a ser forte, ser firme, não pode simplesmente sair por ai achando que as pessoas estão do lado dela, que as pessoas vão tratar bem ela. Pelo abismo, ela é a herdeira do inferno, se algo acontecer comigo será Mirah que terá de tomar conta desse lugar. Acha que se governa o inferno com amor, com amizade ou temperança? Ela é muito ingenua ainda, quando era menor fez amizade com um diabo, acredita nisso?

— Me lembro quando ela trouxe aquela coisa vermelhinha pro palácio. — disse Yekun rindo.

— O que você fez? — indagou Tempo.

— Eu peguei o diabinho e fiz o que devia ser feito, o joguei da torre na frente dela. Diabos e demônios não são nossos amigos. Eles são aproveitadores falsos. Chafurdando na lama da sociedade, devorando pecados. Quando ela viu ele despencando, ela chorou. Eu não podia acreditar naquilo, ela estava chorando por um filhote de diabo. Aquele dia eu ensinei a ela a lição mais importante que a princesa infernal deve saber e levar pra sua vida. No inferno, não existem finais felizes. No inferno não existe amizade. Apenas lealdade e obediência por medo. Nenhum outro filhote quis brincar com ela depois daquilo. então ela achou sua companhia com esse traste do meu irmão, pelo menos ela pode ler bastante nesses séculos todos. Espero que tenha aprendido algo com esses seus livros empoeirados — sentenciou Lúcifer olhando as estantes ao redor.

— Fico me perguntando, o que a mãe dela viu em você.

— Acredite, — Lúcifer sorriu — você não vai querer saber.

— Estamos perdendo, tempo… Aqui. — ela se virou e começou a voltar a entrada da biblioteca.

— Algo que eu disse? — Falou o rei de modo jocoso, rindo.

— Você é um charme irmão, — disse Yekun trazendo três mapas portáteis e lhe alcançando um — esse é o seu. Melhor alcançarmos as garotas.

***

Samirah estava sentada ao lado da porta quando os três se aproximaram dela, eles traziam mapas tridimensionais portáteis nas mãos.

— Bem já sabem como usar, hora das despedidas, cuide dos meus livros certo? — Disse Yekun piscando para Samirah que lhe deu um abraço.

— Espero que possamos nos ver novamente Samirah, foi um prazer conhecer você. — Tempo lhe beijou na face e se afastou para a porta que o  anjo já abria deixando o vento tempestuoso entrar no hall.

Lúcifer parou na frente da filha.

— Tudo que eu faço é pro seu bem, espero que um dia entenda isso. — ele apenas apertou o braço dela como um sinal de afeto e se afastou com os demais — Voltamos assim que isso acabar.

E finalmente a porta se fechou.

Samirah se sentou e começou a ler uma grande enciclopédia, mas algum tempo depois o vento forte do inferno remexeu as paginas quando adentrou pela porta semi aberta.

Yekun estava parado observando ela com um sorriso no rosto.

— Vai ficar sentada ou vir comigo?

— Você não esta falando sério! — a garota se pôs em pé em um pulo.

— Ah querida, pode ter certeza que estou.

— Meu pai iria te prender no abismo!

— O lugar pra onde seu pai foi é o triplo da distancia que vamos percorrer, se formos agora, chegamos lá vemos o local e voltamos antes dele ter chegado no destino dele.

— Tem certeza?

— Samirah — Ele pegou nos braços dela — confie em mim.

— Certo!

Ambos riram e saíram para o lado esterno da fortaleza. As grandes asas amarelas do anjo se abriram em suas costas.

Samirah fechou os olhos e desviando a energia de sua alma imortal para trás de si, abriu suas asas. Elas eram imensas quase como as de Lúficer, porém diferente das do pai, as dela eram vermelhas em um tom quase cintilante. Ela sorriu para Yekun e ambos decolaram em alta velocidade.

Por horas eles desviaram de montanhas cruzaram cavernas, manobrando nas correntes de ar, deram voos rasantes sobre imensos lagos de acido sulfúrico e enxofre, cruzaram rios de magma e florestas petrificadas com cinzas. Até finalmente Yekun lhe dirigir a palavra.

— Chegamos, é aqui! — ele apontou para um grande abismo que lembrava uma cratera de onde uma unica rocha se elevava em seu centro como uma torre solitária. E foi ali que eles pousaram.

Samirah olhou ao redor, procurando o sinal de alguém.

— Não tem ninguém aqui… Podem estar fazendo isso lá do fundo? — ela olhou para o abismo.

— Não, não podem.

— Então é melhor voltarmos, não é? Antes que meu pai volte.

Yekun começou a rir.

— Tio?

— Desculpe, é que… Eu espero isso a tanto tempo. Tanto tempo! Todas essas eras, e finalmente está acontecendo.

— Do que você está falando, tio?

— Seu pai, ele é muito cruel com você Mirah. Ele é rude, é bruto.

Ele se aproximou dela e acariciou o rosto dela.

— Você merecia mais que isso. Eu queria que houvesse outra maneira, Mirah. Eu realmente queria.

— Tio? O que você está querendo dizer?

Yekun levantou o rosto, lagrimas escorriam pela face dele.

— Tio! O que está havendo?

— Você merecia mais que isso, eu te amei como uma filha, e acredite… — ele fez uma pausa com um semblante de dor, enquanto segurou gentilmente o rosto dela — fazer isso vai despedaçar meu coração.

Ela viu um clarão. Um feixe intenso de luz no mesmo instante que sentiu o impacto como o de um soco potente entre os seios, a pressão aumentando assim como uma corrente de energia que se estendeu pelo corpo. Ela baixou o rosto com dificuldade a tempo de ver a espada de Yekun enterrada até o guarda mão em seu peito, atravessando seu corpo e coração.

— Seu pai estava certo, você é boa de mais. Boa demais pra esse lugar. Mas eu serei um rei melhor que ele… Por você, agora que seu pai se foi, o inferno terá um rei digno!

Os olhos de Samirah se arregalaram enquanto as lagrimas escorriam. A tristeza a encheu quando percebeu em meio ao choque que foi tudo em embuste, uma armadilha para seu pai e ela, Yekun estava tomando o trono para si. Tempo sabia? Tempo estava envolvida com ele?

— Adeus, pequena… — disse Yekun impulsionando a energia divina nele com toda a força e poder que ele continha diretamente contra a alma de Samirah.

O impacto gerou o estrondo como de um trovão. Ele sentiu quando a alma dela se despedaçou e abandonou a existência, o corpo da garota esmoreceu e seus olhos se tornaram vazios e opacos enquanto ela expirava uma ultima vez.

— Sinto muito, queria que houvesse outra maneira. — ele pressionou a testa contra a dela, como se estivesse se despedindo se desculpando e lhe deu um beijo na face. Então retirou a lâmina de seu peito e lançou o corpo sem vida dela no abismo.

Ela caiu como uma anjo deve cair. Serena com as asas estendidas em direção ao firmamento, mergulhando para o desconhecido abaixo de si.


 

Continua…

 

 

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