Fogo, Sal & Enxofre– Mythos (+18)

Um Conto Cósmico, por A.J. Perez

Impossível não ficar impressionado com os gifs de George Redhawk, que é um artista cego (pasme)! Ele acabou se tornando um viral quando o assunto é GIF e a história por trás disso é realmente tocan…

*ATENÇÃO: esse conto contem trechos de VIOLÊNCIA EXTREMA, se você for uma pessoa sensível ou facilmente impressionável não recomendamos que leia o texto a seguir. Lembramos que o Blog assim como o autor desse texto não compactuam com qualquer tipo de violência ou abuso. Essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com situações reais ou pessoas vivas ou mortas é uma infortuna coincidência.

O ar se enchia do odor pungente de enxofre conforme a força do vento aumentava assim como a escuridão tempestuosa que se formava sob o firmamento. Relâmpagos rubros iluminavam espaçadamente a existência quando raios cor de sangue cruzavam o céu. Os moradores da cidade corriam horrorizados para suas casas diante do estranho fenômeno, que ocorria. Os soldados nas muralhas corriam com espadas de bronze em punhos para acender as tochas e se abrigar nas torres de vigília ao longo da muralha. Os cavalos se debatiam freneticamente nos estábulos tentando se libertar das amarras, enquanto os camelôs próximos disparavam pelas coxilhas próximas a grande metrópole. Revoadas de pássaros cruzavam o céu se afastando rapidamente da cidade. No mercado ao ar livre, na grande avenida da cidade, animais em gaiolas e jaulas gritavam e se debatiam desesperadamente.

Dois guerreiros grandes, mais altos que qualquer pessoa próxima, disparavam entre as pessoas derrubando-as como se não fossem nada, abrindo caminho pela rua principal em meio a tendas destruídas e especiarias pisoteadas.

— Ele nos descobriu! — gritou o homem de longa barba negra em vestes orientais carregando uma cimitarra de bronze nas mãos.

— Se for mesmo isso não temos muito tempo Axurk, os tomos, onde os escondeu?

— Sob o piso, abaixo do púlpito.

Eles seguiram correndo o mais rápido que conseguiam até finalmente chegarem ao final da rua que desembocava de frente a um templo de arquitetura diferente de qualquer outro edifício da cidade.

— Rápido Axurk, pegue – os, eu fico vigiando.

O homem de longa barba negra correu subindo a escadaria ingrime do templo até chegar a grande porta dupla de metal trabalhado, mas quando congelou o metal as portas ainda se encontrava iridescente onde havia sido derretido a algum tempo atrás, soldando-as em uma unica estrutura.

— Hastur! A porta foi selada!

— O que? — o outro homem correu até ele e observou as portas unidas, mas não era só isso. Elas estavam recobertas de runas fumegantes, não podiam usar suas formas mortais e nem suas formas naturais para adentrar o templo.

— Eles já estão aqui… — ralhou Hastur — Precisamos entrar Axurk!

— Não temos tempo! Precisamos sair da cidade, podemos recriar os tomos nos próximos seculos, não podemos arriscar de morrer por eles ou tudo estaria perdido de vez. Só somos nós dois Hastur, precisamos trazer os outros.

— Se Uz e Tacur estivessem aqui! Eles teriam um plano…

— A morte deles não foi sua culpa, mas não temos tempo pra isso. Temos de fugir!

Um explosão luminosa como o próprio sol encheu a rua logo abaixo na escadaria, mas não ouve som. Ambos olharam a tempo de ver um homem surgir dentre a luz vindo na direção.

— Vá… — disse Axurk — Eu cuido dele.

— Não vou te abandonar irmão. — Ralhou Hastur dando um passo na direção do homem.

Axurk agarrou o irmão pela roupa.

— Você possui da ciência dos tomos, é o mestre das cerimonias, você tem de escapar tudo depende de você, nos encontramos fora da cidade. Agora vá!

Hastur se afastou até finalmente disparar em fuga dando a volta no templo. Axurk começou a descer as escalas de forma calma. O céu acima dele rugia em fúria rubra.

— Depois de matar você, besta — iniciou o guerreiro que havia surgido na explosão de luz — vou caçar seu irmão impuro e faze-lo em pedaços, assim como farei contigo.

— Bem… — disse calmamente o guerreiro de barba negra — então vamos começar.

A roupa dele se desfez e a carne se abriu. Sangue negro como piche escorria conforme a forma mortal de distorcia revelando um pesadelo materializado em ossos, garras, tentáculos e inúmeras bocarras.

— Qual o seu nome homenzinho alado? — indagou a voz gutural da besta.

— O nome daquele que ira te matar é Agla. — o homem respondeu com desprezo diante da criatura quando sacou sua espada.

Um som de trovão reverberou na cidade quando a lâmina da espada de Agla se em envolveu em chamas douradas. sua sombra dobrou de tamanho conforme enormes asas prateadas surgiam de suas costas e os olhos queimavam fumegantes como se estivessem em brasas.

A besta avançou sobre o celeste com fúria, ele girou o corpo de forma graciosa lhe desferindo uma corte fustigante nas cotas, antes de tentáculos lhe agarrarem as pernas o derrubando. As grandes asas bateram o impedindo de tocar o solo para logo em seguida Axurk desferir uma série de golpes com seus tentáculos, os usando como inúmeras lâminas perfurando o corpo do celeste, repetidas vezes.

Agla girou a espada divina cortando os apêndices que o perfuravam bem como os que o haviam se enrolado em suas pernas. E com um bater de asas se pôs em pé atacando múltiplas vezes a criatura deixando rasgos cintilantes em sua carne.

Acima da cidade o céu se abriu cuspindo fogo, enxofre e sal sobre a metrópole. Descendo como uma chuva apocalíptica sobre eles.

Agla ignorou seus ferimentos de onde jorrava sangue prateado luminoso, e agarrou dois tentáculos  da besta e então levantou voo, rápido como uma flecha.

Conforme subia o celeste manobrava no ar com suas enormes asas, desviando da chuva de fogo que caia, aproveitando cada manobra para balançar o ser maligno contra as chamas da punição divina que caiam.

Enfurecido Axurk tentava lançar outros apêndices contra o celestial que o carregando pelos tentáculos o lançava de um lado para o outro enquanto ele queimava vivo ao ser atingido pelo fogo sagrado. Durante mais uma das manobras do anjo ele finalmente o alcançou o abraçando de forma que uma de suas asas ficaram inutilizadas. As infindas bocarras, se enterraram na carne do guerreiro divino, arrancando pedaços e  moendo sua carne conforme o sangue luminoso espargia pelo ar enquanto giravam no ar, com Agla batendo uma de suas asas de forma desesperada tentando adquirir controle.

A cidade abaixo gritava em horror e desespero, milhares eram queimados vivos pela fúria divina. A cidade ardia em chamas sagradas, que ao longe lembrariam uma massiva chuva de meteoros sobre um único ponto da terra.

Axurk girou o corpo de Agla no momento exato que outra onda de fogo divino era despejada usando o corpo do celeste como escudo. A unica asa livre do anjo foi completamente incinerada e eles despencaram do céu. O celeste estocava a besta com sua espada flamejante quanto ela lhe castigava mordendo-o repetidamente conforme o sangue prateado ia se tornando lentamente vermelho e a luz que emanava dos ferimentos diminua.

Abraçados em uma luta aérea e mortal eles atingiram o teto de pedra do templo que desabou com o impacto.

A besta olhou ao redor desnorteada e viu ao fundo do templo um vulto revirar escombros.

— Não! — berrou ela ao ver um homem pegando os tomos em meio aos escombros do púlpito para sem seguida sair correndo.

A espada celeste atravessou o peito da besta enquanto Agla esbravejava algo em uma língua que o ser não entedia.

A fera enrolou seus tentáculos restantes na outra asa e usando toda sua força ouviu quando ela quebrou, tornando o sangue prateado ainda mais vermelho.

Em desespero o anjo temeu o pior. O ser não podia escapar, ele estendeu a mão livre ao céu repleto da fúria divina e gritou o mais alto que conseguiu.

— KYRIE!

A resposta veio quase de que imediato, um raio cintilante como o sol atingiu o celeste que o enterrou no peito no inimigo.

Axurk gritou em desespero enquanto o veio de energia que vinha continuamente do céu e passava pelo anjo o destruía. Das bocarras labaredas de fogo eram expelidas enquanto toda a carcaça monstruosa era incinerada de dentro pra fora. A fera em um ultimo momento de fúria usou toda a sua força restante e arrancou a outra asa do celestial.

o sangue dele se tornou um vermelho vivo. O raio que vinha do céu de forma continua o atingiu como se fosse parti-lo em milhões de pedaços, os ossos dele se estilhaçaram dentro da carne, os músculos e nervos se romperam e enquanto ele gritava os pulmões explodiram dentro do peito.

Um clarão tomou o templo e então houve o silêncio.

Agla abriu os olhos, não conseguia se mover, não conseguia respirar, o sangue vertia em cascatas rubras de suas narinas e boca. Queimaduras horrendas lhe cobriam o corpo bem como múltiplas perfurações e mordidas. Ao seu lado ele viu as cinzas ainda quentes de Axurk se espalhando. E então ele se lembrou do outro ser, o que havia fugido antes da batalha, a tristeza o consumiu, ele falhou.

Uma lagrima solitária escorreu pelo seu rosto conforme ele sufocava se afogando no próprio sangue. Seus olhos encontraram os céus acima da cidade, ele não ouvia mais nada, mas sabia que o firmamento rugia e milhares de humanos gritavam enquanto morriam.

Ele observou ao longe uma enorme bola de fogo descendo dos céus se aproximando na direção do templo.

Pesarosamente ele falou sem emitir nenhum som, além do de sua alma.

— Kyrie, Pai…

A grande esfera explodiu destruindo o templo criando uma enorme explosão que engoliu a cidade a reduzindo a um enorme cogumelo de fogo e enxofre no horizonte, varrendo tudo em seu caminho.

Hastur ao longe estava de joelhos observando o fim de seu irmão. O fim de séculos de planejamento. Nada havia restado além fogo, sal e enxofre.