Dia 4… Constatações

mari32pp

Por Lillithy Orleander

Não dormi…

Isso não tem dado certo, está ficando cada vez pior e as olheiras tem aumentado gradativamente ao ponto de não ter mais corretivo que as esconda.

Acordei atrasada, ironia, este era um costume seu. Mesmo quando eu saia e te deixava acordado, você sempre acabava pegando no sono novamente.

Sua mãe me ligou hoje pela manhã, cheia de “dedos”, aliás que acho que ela  nunca gostou muito de mim e acho que agora gosta um pouco menos.

Ela quer que eu vá buscar o restante das minhas coisas, me esqueci que ainda havia tantas  coisas na sua casa e se quer me lembrava que ela tinha nossa chave.

“Nossa”…

Quantas vezes você me disse essa palavra, nunca foi oficial, mas minha xícara era nossa. Seu carro, era nosso. Nossas casas, nossas.

Ainda era estranho e tudo culminava para eu não me adaptar a sua ausência.

Saí pro trabalho, a finalidade do dia era entregar aquele layout, daquela conta que eu tanto queria e você sempre me dizia pra ter fé, que mais cedo ou mais tarde ela seria minha e que eu faria um ótimo trabalho.

Fizemos planos, e prometemos que comemoraríamos juntos, sentados a beira mar, na praia de Maresias, bebendo vinho Rosé e assistindo a Lua. Faltou você pra cumprir a promessa.

Peguei meu café e o seu na cafeteria, como era nosso costume. Sempre jogo o seu fora depois que saio de lá, nunca consegui entender como você gostava de café sem açúcar ao invés de cappuccino.

Esses dias notei que a moça que nos atendia, me olhou com tristeza, acho que ela tem pena de mim e geralmente quando a vejo me lançar aquele olhar, jogo a gorjeta no pote saio rápido de lá.

Na primeira vez que fiz, nem percebi, foi no automático sabe. Só notei quando sai da cafeteria e vi seu nome no copo de papel, as lágrimas inundaram meu rosto, onde eu estava com a cabeça pra fazer uma coisa dessas? Eu deveria ter parado ali, mas nos dias que se seguiram eu me acostumei…

Na realidade, acho que algo em mim ficou esperando você voltar e tomar seu café religiosamente as 7:37 hs, em silêncio, como algum tipo de ritual pessoal.

São 9 hs da manhã, decidi escrever mais cedo hoje, as memórias tem aparecido feito um rio bravo, seguindo seu curso e destruindo pedras no caminho.

Temos novos vizinhos, uma menininha e os pais eu acho, mudaram – se pro apartamento do lado, o porteiro me disse.

A noite é uma completa sinfonia, descobri que eles tem um gato.

Outra noite tomei um susto, ele estava sentado na sua poltrona, me olhando com aqueles olhos amarelos, brilhando no escuro, de madrugada.

Não estou conseguindo escrever todos os dias, notei que estou me estendendo nesse diário, o terapeuta diz que é bom e me faz amenizar o que tenho sentido.

Quase mandei, ele rasgar o diploma.

Estou me lembrando cada vez mais, e com isso aumentam – se detalhes que eu se quer tinha notado que sabia.

Acho que estou me apaixonando por você outra vez…

09:30 hs – Segunda Feira – São Paulo – SP

Mari…

CONTINUA…

 

 

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