A Corte [Parte 18] – Um Futuro Sombrio

Escrito por: A.J. Perez

 

“A Corte: Capítulo 18 – Um Futuro Sombrio”

 

A Porta para o Salão se abriu e Mark e Nath retornaram ao hall de entrada que obviamente já não estava vazio.

— Ora, vejam só — ela olhou todos os sobrenaturais curiosos ao redor da escada dupla no hall — Vai ter uma festa hoje ou algo assim?

— Não é hora para brincadeiras Natalia. — resmungou Jared ao lado de Eleanor.

Marcus olhou para todos ali presentes, observando enquanto eles tentavam ler sua aura para então fazerem cara de espanto e cochicharem entre si.

Natalia olhou para ele e de volta pra Jared e Eleanor.

— Atenção todos! — Iniciou a mulher para espanto de Jared — Natalia trouxe um novo membro para nossa casa, ele não foi criado em uma corte, e até hoje não sabia sobre a existência de nenhum ser sobrenatural, então peguem leve.

— Pegar leve com um possível assassino? — a voz cheia de sarcasmo de uma garota loira chegou até eles, quando ela se posicionou ao lado de Jared.

Mark deu um passo atrás se mostrando levemente assustado.

— Allyn… — ralhou Natalia — Ele não é assassino.

— Quem me garante? Ninguém pode confirmar isso, você não sabe se não foi ele que cortou a garganta daquela menina e além do mais ele não tem aura, é uma aberração!

— Escuta aqui… — A gótica foi interrompida por Mark que novamente se moveu a frente.

— A unica aberração aqui é você, que chega assim acusando alguém que nem conhece de algo que não sabe, coberta de… o que diabos é isso em você sangue?

Todos olharam pra Allyn, com seu vestido verde impecável e longos cabelos loiros quase resplandecentes caindo em cachos até o meio das costas.

— O que? — Disse a loira sem entender.

— Sua aura! — gritou Nath — Ele esta vendo sua aura! — Ela se virou para Marcus — Como é a minha?

— Hã… você está normal. Nada de sangue.

— Não, não. Vampiros tem auras sangrentas, cada tipo de sobrenatural tem uma energia diferente, mas se você esta vendo a dela devia ver a de todos nós.

— Não tem nada de errado com a aparência de ninguém. Só ela que continua com esse sangue fluorecente.

— Ainda? — Questionou Jared.

— Sim, por que?

— A leitura funciona por alguns segundos, e então some. Ela não permanece assim. Seus olhos se quer mudaram. Eles continuam normais desde que chegou. Não faz sentido você conseguir ver uma unica aura, nem vê-la por tanto.

— Você é um mistério e tanto, hein? — resfolegou Nath olhando dentro dos olhos dele procurando alguma mudança na dilatação das pupilas — Já viu algo assim antes? Algo em alguma pessoa, que era anormal?

— Hei! — Resmungou Allyn — Não sou anormal!

— Não enche Allyn!

— Escuta aqui sua…

— Chega Allyn! — Era Jared.

— Mas pai ela… — a garota parecia desapontada.

— Eu disse chega, Allyn.

A garota apenas baixou a cabeça.

— Mark, — reiniciou Natalia — você já viu algo assim?

Ele ponderou por algum tempo, todos no salão o observavam.

— Já. Aconteceu algumas vezes depois do acidente. Eu vi uma garota translucida no metro…

— Uma fantasma em forma etérea.

— E teve um homem ele parecia estar em chamas, brilhando como o sol. Falaram que era o stress pós traumático, que minha mente estava com problemas. Me deram alguns remédios pra ajudar.

— Humanos não podem te ajudar — disse uma voz potente vindo da parte superior das escadas, um homem não muito mais velho que Mark descia e vinha de encontro a ele — O homem em chamas que você viu era um Nephilim, assim como eu. Me chamo Seth, você deve ser o famoso Marcus. — O homem lhe estendeu a mão.

Mark deu um aperto de mão firme em resposta.

— Tecnicamente já te conheci na ponte noite passada com Guillehal depois no beco.

— Sim, ele usou a magia do tempo. Seja bem vindo a nossa corte Marcus, posso te fazer algumas perguntas?

— Claro.

— Você sabe o que você é?

Marcus olhou pra Natalia sem entender.

— Responda, vai por mim. — disse a garota sorrindo.

— Não, eu não sei o que eu sou nem que tipo de coisas eu posso fazer.

— Antes de nos conhecer teve contato com algum sobrenatural, que você saiba?

— Não…

— Você matou aquela garota, ou sabe quem esta envolvido na morte dela?

— Não eu não sei!

Seth ponderou e finalmente acenou com a cabeça para Mark e se dirigiu a Eleanor e Jared.

— Ele diz a verdade, sobre tudo. — ele se virou mais uma vez para Mark — Se descobrir qualquer coisa venha até nós, tanto sobre o homicídio quanto sobre você mesmo. Estamos aqui pra lhe ajudar.

Marcus acenou com a cabeça.

— O que ta acontecendo? — a voz doce de Nitty chegou aos ouvidos dele, ela surgiu de um dos corredores superiores e logo em seguida veio Soph colocando um casaco leve de tricô.

Soph olhou diretamente pra Mark que também a viu. E a escuridão os engoliu…

 

Mark olhou ao redor, havia apenas as sombras.

— O que é isso? — gritou ele buscando algo na sua visão ao redor.

— Fique calmo… — disse a voz feminina familiar.

— Quem é?

—Sophie… Estamos tendo um tipo de visão.

— Todos?

A imagem surgiu repentinamente, como a luz de uma sala escura fosse ligada.

— Não, só nós… — Soph estava a alguns passos dele. Olhando ao redor.

O vento soprava em um campo vasto entre as colinas. Ele estava sozinho com Soph ali, e não havia sinal de mais ninguém em quilômetros.

— Isso é diferente da outra vez… — Disse ela andando em direção a uma grande árvore.

— Isso sempre acontece com você? Por que estou aqui?

— Por algum motivo estamos conectados, essas visões são algo relacionado a nós dois.

— Está sendo um dia muito longo… Com muita coisa pra processar.

— Descobriu sobre nós então, — ela o olhou por sobre o ombro — pelo menos está com os Seelie.

— Não ficaria do lado de Guillehal nem que ele me pagasse.

— Ah, já conheceu o chefão Unseelie então.

— Tive o prazer… — Mark percebeu que ela se distanciava dele andando mais rápido — Hey! Por que toda essa pressa pra chegar naquela árvore? É nossa saída?

— É um carvalho ancião, tem algo lá. Temos de ir… — ela subitamente parou.

— Okay, mas então por que você parou… — a fala de Marcus foi sumindo quando ele percebeu o que estava a frente deles.

Amelya estava morta em uma clareira na grama. A garganta cortada de um lado a outro vertia sangue.

“Corra!” – sussurrou uma voz feminina.

— O que? — indagou Mark para Soph.

— Eu disse nada. — ela parecia confusa.

“Corra!’

— Não está ouvindo essa voz? — ele deu alguns passos de costas indo em direção ao carvalho.

— Não estou ouvindo nada…

— Está dizendo pra corrermos.

— Correr…

O som de algo liquido os chamou a atenção.

O solo estava encharcado de sangue, e ele estava subindo, subindo rápido de mais.

— Então vamos obedecer, disse Soph iniciando uma corrida na direção do carvalho sendo seguida por ele.

O sangue inundava tudo, subindo cada vez mais rápido, chegando até abaixo dos joelhos de Soph. Mark alcançou a sua mão pra ela.

— Vamos! — eles começaram a se esforçar cada vez mais, conforme cadáveres surgiam boiando no sangue que seguia subindo. Um nuvem infernal de moscas cobriu o ar, se banqueteando nos cadáveres.

Conforme corriam de mãos dadas se aproximando do carvalho Mark começou a reconhecer os rostos dos mortos, eram inicialmente os Unseelie e então ele viu os Seelie, viu Natalia morta boiando junto com Jared e Eleonor, viu a irritante Allyn feita em pedaços, as garotas do bar na outra noite parcialmente devoradas e em decomposição assim como Guillehal e os que o acompanharam na ponte na noite anterior. E então viu Elena e sua avó boiando sem vida. Viu seus amigos de infância, seus antigos professores, antigas namoradas, todos os que conhecia eles estavam mortos, todos eles..

— O que é isso? O que está havendo?

O sangue estava na cintura dele, quando chegaram ao carvalho.

— Sophie, o que é isso? — ele a segurou pelos braços com força, e viu que os olhos dela estavam cheios de lagrimas que se derramavam pela face respingada de sangue, e tomada pelo horror.

— É o futuro…

Um raio verde atingiu o carvalho que se abriu lançando energia ao firmamento que se rompeu para um abismo infindo de onde um rugido diabolicamente aterrador veio.

Então a escuridão os engoliu mais uma vez…

“Ele está vindo…

Não temos tempo…

Quebre a maldição…

Molde o destino.”

Mark estava olhando pra Soph, e ela pra ele. O olhar dos dois era puro terror.

— Marcus, ta tudo bem? — perguntou Natalia — Você ficou branco do nada.

— Eu estou bem… — ele olhou pra Sophie que descia as escadas com um semblante aflito vindo na direção dele — Eu vou ficar bem…

————————————————————————–

Continua…

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