Dia 2… – Fantasmas

mari-watt1Por Lillithy Orleander

“Só o escutei dizer que sentia saudades uma única vez. E essa única vez me estilhaçou em zilhões de pedaços…”

Era a voz que eu mais amava, cheia de candura e um “Q” á mais de álcool, mas você já havia se tornado tão ausente que senti que não era pra mim que você dizia, que escutar isso era apenas mais um engano que você cometeu, aliás que você cometia muitos e acho que nem se deu conta. Eu havia me tornado descartável.

Minhas lágrimas queimaram meu rosto naquela noite, me enrolei da cabeça aos pés feito criança e enfiei a cabeça embaixo do travesseiro, gritei até que minha garganta doesse, e ainda sim me lembro que não foi o suficiente, meu coração parecia uma massa disforme, latejando de dor.

Eu vislumbrava o começo do fim que eu não queria aceitar. Mas o fim de que, se nunca pertencemos um ao outro?

Estou sentada na poltrona que tantas vezes vi sua silhueta silenciosa, no escuro, pensando sabe – se lá em que.

É você está em cada canto desse apartamento, em cada móvel e em cada parte do meu corpo, como uma droga de fantasma, enquanto tento te exorcizar da minha vida, enquanto tento te apagar da minha memória nessa porcaria de diário.

Sabe, falta pouco pro ano acabar e eu queria tanto ver a queima de fogos ao seu lado outra vez, como se fosse a primeira vez, lembra?

Você apertou minha mão tão forte, que naquele instante algo dentro de mim tinha tanta  certeza que era pra sempre.

Seus olhos brilhavam tanto ou mais que aquelas luzes, acho que era só o reflexo delas agora e que o para sempre era apenas coisa da minha cabeça.

É um tédio fazer isso e tem horas que odeio, pelo simples fato de saber que amo suas lembranças, mesmo algumas me causando um dano terrível e catastrófico que resulta na minha bebedeira absurda, com o intuito de me fazer dormir igual uma pedra.

Mas nesse minuto, nessas palavrinhas curtas e sem sentido algum, talvez, eu te tenha novamente e suas lembranças não morram. É, eu tenho tentado te matar desde…

Não gosto de lembrar disso, mesmo tendo passado já um mês, não consigo apenas contar, não dá, se antes eu não chorava ou lutava para não lembrar, nos últimos dias tem se tornado quase um hábito e tem ficado cada vez mais dolorido.

Queria que você estivesse aqui… Até aquele seu maldito “eu” que eu detestava, me faz falta.

Eu olho no celular e percebo que ele nunca mais vai tocar a sua música… A nossa música.

Lembro que te dei ela depois de uma discussão, você nunca agradeceu ou esboçou reação, mas lá no fundo, eu sabia, que ela faria você se lembrar de mim e talvez até tenha passado ela adiante e á outras, ela tenha lhe feito lembrar.

Eu era só mais uma página da sua vida jogada fora, engraçado que só agora analisando todos os ângulos, como eu notava a verdade.

O que você fez com o meu sorriso?

Ele não voltou mais, o vazio ainda está aqui e nada ajuda a preenchê – lo, eu espero que você esteja feliz com isso. Você acabou com o meu dia outra vez, pela terceira vez na mesma semana.

Como era do seu costumes nessas situações.

Eu te odeio…

22:37hs – Sábado – São Paulo – SP

Mari…

CONTINUA…

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