Dia 1… – Primeiros Lampejos

 

maridia16

Por Lillithy Orleander 

Até a droga da taça de vinho agora me era motivo pra lembrar dele… Ou escutar a voz dele dizer: ” Sempre tomo aquele vinho que você tanto gosta…”

Maldito, até nisso ele iria me assombrar daqui pra frente, não bastava a droga do aleatório que eu não conseguia apagar, não era problema no pen drive, nem no cartão SD, não.

O problema era eu…

Eram as músicas dele e eu precisava de cada uma delas entrelaçada na minha vida, como o ar que eu respirava depois que…

Acho que ainda não estou pronta pra falar disso. Ainda não é o momento.

Eu ficava olhando pela janela, todas aquelas luzes e o burburinho da rua com a taça nas mãos e cada gota de vinho que escorria garganta adentro, me recordava aquela mesma conversa.

Do elogio ás pernas, de minha resposta irônica e fria ao tirar dos óculos.

Ele não gostava de vinho. Não sei se dizia pra me agradar, pra me prender á ele por mais um tempo ou se acabará desenvolvendo o hábito durante a estadia em minha vida.

Vida…

Ela era mesmo irônica, não? Hoje faz um mês e ainda me recordo com nitidez cada mania dele e até mesmo o jeito de falar.

Eu sempre soube que ali haviam duas pessoas e eu as conhecia por seu tom de voz, pelo modo como balançava o cabelo ou pela mania maldita de se afastar, não era fácil lidar com isso.

Deus como era horrível…

Tinha aquele que eu tinha certeza que amava. Carinhoso, atencioso, de voz infantil, um grave melódico, cheio de tatos e caricias. Noites em branco, amarrotando meus lençóis com sua ternura… As manhãs de Domingo pareciam infinitas, do café na cama a tarde preguiçosa vendo filmes.

Mas tinha aquele outro, a “sombra” eu dizia. Me pergunto quantas vezes tive vontade de corta – lo em pedacinhos e joga – lo num tanque de ácido sulfúrico, só para vê – lo derreter e sumir de nossas vidas, ele era o gêmeo do mal, no mesmo corpo.

Era frio, impessoal, rude e lacônico,os olhos não expressavam se quer um sentimento, nada!

Ainda me pergunto quantas vezes e quantos dias me mantive longe, sem nem tocar no celular para ligar pra ele, eu tinha medo de encontrar esse aí no caminho.

Eu sofria, sentia falta, mas parecia o inferno em terra, eu optava por não ser rechaçada ou colocada de lado, ele me tratava como um número.

Era inútil, as vezes que esse vinha pra cá eu chorava baixinho enrolada na coberta, ele não me tocava, pouco falava, eu se quer o abraçava e ele terminava por dormir na sala, no fundo acho que ele sabia que ficava diferente, acho eu tive certeza quando…

Cansei de pedir aos céus que o levassem pra longe, até que um dia minhas preces foram atendidas, o único problema é que com ele foi – se embora aquele que eu tanto amava.

Eu não me sentia culpada, mas honestamente, a ausência era e ainda é insuportável.

Passou – se um mês, as memórias ainda estão frescas como se tivessem acontecido ontem e ainda sim eu me pergunto, quando foi que começamos a ruir?

19:45 hs – Quarta – Feira – São Paulo – SP…

Mari.

CONTINUA…

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s