A Corte [Parte 17] – Morr

Escrito por: A.J. Perez

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“A Corte: Capítulo 17 – Morr”

— De onde você é Morr? — indagou Elena enquanto tomava café junto aos demais na mesa.

— Todo lugar, e nenhum lugar. Não gosto de me prender a locais, sou uma cidadã do mundo.

— Invejinha.

— Não sinta! — Morr riu — As vezes, só as vezes. — ela ponderou — eu queria ter um local pra poder voltar e me sentir amada. Mas respondendo de verdade sua pergunta de forma séria. Eu nasci aqui em Santa Anna.

— Nesse pequeno buraquinho que Deus esqueceu? Nossa agora eu tenho pena de você.

— Santa Anna vai bem, já estive em local esquecido por Deus, — Lucian deu mais um de seus sorrisos de tirar o folego para Elena — você não iria gostar.

— Se você diz… — Elena tomou mais um gole do seu café e se dirigiu a Morr mais uma vez — Então você também estuda essas doideiras de coisas sobrenaturais?

— Sim, eu estudo essas doideiras.

— Legal… Tem um pouco disso no livro que estou lendo.

— Ah! — Disse Laura como se lembrasse de algo. — Aquele livro que você não larga? Foi um dos que Lucian me mandou.

— Qual livro é? — Questionou ele.

— A Maldição do Carvalho, quer dizer, eu acho que esse é o nome não tem nada na capa, mas tem isso escrito dentro.

O semblante de Morr mudou no mesmo instante.

— Ele tem uma capa de couro? — resfolegou Morr.

— Sim!

— Ora vejam só, e você me disse que não tinha visto o meu Diário por ai! — ralhou Morr fuzilando Lucian com o olhar.

— Posso ter posto na caixa errado sem ver! Não seria a primeira vez…

— Não, não seria. — o semblante de Morr transparecia fúria.

— Ele é seu? Nossa é muito bom, mas não se preocupe eu te devolvo.

— Hey, não esquenta pode pegar de volta! Veja pelo lado bom conseguiu reaver ele. — Elena sorriu pra ela tentando apaziguar as coisas.

— Tem razão Elena, obrigada. Você pode me mostrar ele?

— Claro! está ali no meu quarto eu vou pegar.

— Eu vou com você.

Ambas deixaram a mesa e foram para o quarto de Elena.

Lucian esperou elas entrarem para falar com Laura.

— O que Mark fez ontem foi bem irresponsável.

— Ele sempre foi assim, via alguém com problemas e ia ajudar. É um bom rapaz, mas tem um coração muito grande pra esse mundo. Felizmente ele está bem!

— E a policia, não tem medo de que eles?

— Não. A cidade é pequena, e Jorge praticamente comanda tudo na delegacia. Ele era o melhor amigo do pai de Mark, e sabe que o garoto não fez nada, espero que peguem quem fez isso o mais rápido possível.

— Entendo. É a primeira vez que isso acontece?

— A primeira em muito tempo. Houveram assassinatos nos anos 60, coisas estranhas, mas a policia nunca descobriu quem foi.

— Vamos torcer pra isso não se repetir.

— Sim… Vamos.

— Vejam só, bom gosto musical e apreço pela leitura. Bela combinação! — Constatou Morr entrando no quarto.

— Obrigada. Seu diário esta aqui… — ela pegou e entregou a Morr.

— Não é “meu diário”, é de uma ancestral.

— Eu imaginei pela data. A menos que você tenha o segredo da imortalidade. — Ambas riram.

— Talvez eu tenha… — disse Morr deixando no ar.

— Você pode me explicar mais sobre esse diário?

— Claro, — Morr se sentou na cama de Elena, que se aproximou em seguida — o que quer saber?

— Ela era um bruxa? Sua ancestral?

— Sim, ela era.

— Ela foi queimada?

— Ela era mais esperta que eles pra isso.

Elena sorriu.

— Pensei que bruxas de verdade eram um tipo de curandeiras, benzedeiras e lidavam com ervas. Mas ela literalmente rogou uma praga no ex dela.

— Sim, ela amaldiçoou ele, e toda a descendência dele.

— Então ela realmente acreditava que tinha esses poderes sobrenaturais? Nossa que bizarro.

— Não acredita que existam coisas desconhecidas no mundo?

— Estamos no século XXI, todo mundo tem câmeras, se existisse qualquer coisa estranha por ai já teríamos visto. E o governo teria descoberto.

— Talvez o governo saiba. — respondeu Morr sorrindo — Talvez eles tenham criado uma divisão secreta, como uma policia especial, infiltrada dentro de todas as esferas de investigação. Quando algo ligado ao mundo sobrenatural acontece só tem de enviar eles. E se os agentes tiverem alguma conexão com esse mundo invisível, isso ajudaria.

— Agentes secretos com poderes sobrenaturais, sendo uma policia governamental pra controlar e manter o mundo sobrenatural oculto de nós e nos proteger deles?

— Sim.

— Garota, eu não sei o que você fumou mas eu quero, muito.

Morr gargalhou.

— Você é engraçada Elena.

— Espera, você acredita mesmo nisso?

— Por que não?

— Isso é muito teoria da conspiração, é muito surreal!

— Você acredita em Deus?

— Hã… sim. Quer dizer, eu…

— Então você acredita que um ser invisível e magico, completamente inalcançável criou tudo o que existe, mas não pode existir nada magico além dele?

— É que é meio forçado essa história de policia ai que você falou né amiga.

— Eu estava cogitando, não afirmando que existe, eu tenho imaginação fértil.

— Eu notei!

— Mas então, sim minha… ancestral acreditava que tinha esses poderes. E depois de amaldiçoar o ex ela descobriu que estava gravida, ou seja…

— Ela amaldiçoou o próprio filho, por que era descendente do cara que ela rogou a praga.

— Sim é isso, bem isso mudou ela.

— O que aconteceu com a criança?

— Ela o deixou com uma família, ela não suportava olhar pra ela. Ver algo que ela amava fadado a sofrer por uma maldição que ela própria criou.

— Nossa, isso é triste.

— É a vida. Bem acho que estão nos esperando na cozinha. — disse Morr se levantando — Vamos?

— Claro!

Ambas saíram do quarto quanto uma serie de bips rápidos surgiu no bolso de Morr e logo em seguida parou.

— Ligação? — Questionou Lucian ao olhar pra ela.

— Lembrete pra fazer uma. Hã, — ela olhou pra Laura com olhar levemente perdido — não querendo ser indelicada, mas é algo bem pessoal, onde eu poderia…

— Ah querida não se preocupe com isso, todos temos nossas privacidades. A porta dos fundos está aberta pode ligar ali do jardim.

— Obrigada!

— Então ela ficou feliz ao pegar o diário?

— Sim Lucian, olhe as caixas melhor na próxima. Imagine se fossem fotos suas nu, vindo pra mim.

— Elena! — ralhou Laura.

— Eu disso isso em voz alta?

Lucian riu.

Morr foi até o jardim atrás da casa. Ela se escorou em uma das colunas de madeira que sustentavam o teto e levou o telefone até o rosto.

Depois de algumas chamadas a ligação se completou.

— Oi, Lu. Adivinha onde eu estou?

—————————————————————————————————————————————

Continua…

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