Doce Pecado

dc1

Por Lillithy Orleander

Se eu não te conhecesse bem diria que você está dando em cima de mim…”

A frase piscava ali na tela do computador, sozinha.

Por alguns intantes achei que não haveria resposta, até que os três pontinhos de alguém digitando, apareceram.

Não posso?” – surgiu a pergunta em resposta. Pensei nos empecilhos e nos riscos que aquilo acarretaria a longo prazo, ele sempre fora o comediante e dessa vez não seria diferente.

Você e suas brincadeiras…” – dessa vez eu não iria cair em mais essa.

Rsrs… Mas e se?” 

A pergunta pairou em minha mente e só então eu notei, assumindo para mim mesma, que ele estava diferente, não era mais o garoto de alguns anos, era um homem.

Um homem interessante, bem humorado, inteligente e decidido, aquilo me amedontrou de imediato.

Pelo o que pareceu um instante eu desejei os lábios e o calor do abraço que se prolongava cada vez mais, escondendo uma vontade implícita.

Melhor apagar essa conversa…” – Sim, eu tinha medo e era uma covarde, impedindo meu corpo e minha mente de ter a felicidade, mesmo que por um momento.

Conversas assim tornaram – se um misto de segredo e necessidade pra mim.

Eu rodava o maldito anel no dedo anelar sem se quer prestar atenção á música e sem querer entender a razão da letra, estava tudo errado.

Eu estava uma bagunça emocional e nada e nem ninguém parecia preencher ou ser capaz arrumar.

Eu exagerava no som alto, piorando minhas dores de cabeça, na tentativa louca de afugenta – lo de meus pensamentos. Mas eu o via sorrir e sentia o calor de seu abraço.

Eu não podia… Eu não deveria… Mas eu desejava.

Desejava como o ar que respirava e não me importava mais com o que aconteceria.

Era só um beijo“… Eu me convencia

Se acontecer…”  Aconteceu, eu mentia pra mim mesma.

Maldito sabor!

A adrenalina, o gosto do pecado, a ilusão de conseguir o que queria pela primeira vez, seria meu “segredinho imundo”.

O alcool fazia efeito nas minhas veias e minha mente parecia divagar em algum oceano sem vento, pois registrava tudo lentamente.

A brincadeira… Ah! A brincadeira…

As mãos seguraram meus pulsos e o olhar cruzado me sorria ofegante.

A aproximação do corpo fazia meu coração palpitar alto, o arrepio quente me subiu pela nuca, enquanto os lábios quentes me beijavam a clavícula.

O que você está fazendo?” – perguntei de olhos fechados, me deixando levar, no que me pareceu um sussurro  de minha própria voz.

“Nada.” 

O nada, me causava arrepios delirantes, as mãos soltavam – me os pulsos e dedilhavam minha cintura como um piano, para próximo do calor humano e do desejo.

É um erro!” – gritou minha consciência, fazendo – me abrir os olhos e me desvencilhar.

Que droga, garoto.” 

Era tarde de mais pra voltar. Eu queria mais e meu lado racional baixava a guarda para tal.

Queria os extremos, até onde seria levada, mas havia o impulso, fraco, de me afastar e fazer a coisa certa.

Lembro – me de  insights… De ser puxada pelo braço, de ser beijada e tocar os próprios lábios com espanto.

Estava feito, não havia mais o que parar ou evitar.

Era um beijo urgente e ainda sim descomplicado, como se já houvesse acontecido, e com a sutileza de uma verdadeira rotina. Era reencontrar algo que eu sempre buscará, familiar.

Conhecia meus trejeitos e sabia como manipular cada face que aquele momento nos proporcionava.

Quente, voraz e gentil.

Eu estava fora de mim, louca. Portas e janelas abertas, pessoas passando, um beco escuro e as gotas de água fria caindo sobre nós.

Havia a candura das mãos calorosas em meu rosto, delicadas e sinceras, buscando conhecer cada parte que ali habitava.

Subimos as escadas colados um ao outro, olhares em brasa, ardendo de desejo, não me importava os olhares mal humorados e menos ainda os comentários mal criados, eu se quer me lembrava quando e o quanto desejei exatamente aquilo.

A porta do apartamento fechada com os pés, fazendo um barulho incômodo.

As roupas molhadas espalhadas pelo chão, luzes apagadas, beijos, toques e carícias.

Minha sanidade gritava NÃO ao que estava por vir e meus lábios tentaram repetir, mas em vão, meu corpo vencia a batalha em silêncio, traindo – me, entregando – se.

Pedia entre arrepios e gemidos o que a boca dele implorava.

Eu preciso… Por favor, só um pouco…” – calando – me com um beijo.

Meu corpo se retesou e o gemido aumentou de intensidade e de posse, ele me dominará.

Os beijos desciam de meu pescoço ao seio, dando leves mordidas em meu mamilo.

Em sentia o vigor de seu membro, me preenchendo, me possuindo…

Eu o puxava em direção a mim como se minha vida dependesse daquele momento.

E dependia.

Dependia de cada caricia, de cada mordida, de cada arfar, de cada movimento, me mostrava como meu corpo era sensível e casava com o dele, dançando meticulosamente seus movimentos, era mágico. Perfeito.

O misto de prazer, unido ao desejo de não mais deixa – lo sair dali, minha mente dava sinais de minha loucura.

Loucura essa que eu cometia me convencendo de sua mera casualidade.

Apenas a tola e sofisticada curiosidade dos dias atuais, de algo que muito se queria e havia conseguido.

O dia amanheceu nublado, o silêncio fazendo morada em meus lençóis, frios e amarrotados.

As cortinas abertas me forçavam a voltar para a realidade, a cama vazia, o gosto amargo na boca, a dor de cabeça latente e uma mensagem no fim da tarde para dizer obrigado.

As pessoas me olhavam como se soubessem de algo que se quer sabia, o frio subia – me pela coluna, me causando medo.

“Eu sei que você também quer…” 

A voz dele ainda sussurrava ao meu ouvido, enquanto beijava minha nuca e levantava o saiote de meu vestido, aproximando seu corpo do meu, abrindo o zíper e acariciando minhas costas.

Aquilo não vai mais acontecer…” – eu prometia a mim mesma.

Mas será que não mesmo?

FIM…

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