Senses – Pt.6 (+18)

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Por Mille Meiffield

O gosto dos lábios de Jake nos meus era doce e intenso. Suas mãos ásperas e largas passando por todo o meu corpo e dominando meus sentidos. Quando ele se afastava para olhar em meus olhos, eu poderia jurar que uma corrente elétrica percorria meu corpo. Enquanto segurava minha cintura, Jake foi massageando minha nuca suavemente, até seus dedos penetrarem meus cabelos. Após a suavidade de seu toque, um forte e rude puxão de cabelo me despertou e atingiu diretamente o ponto intumescido no meio da fenda úmida entre minhas pernas.

Ele me pegou no colo e me levou escada abaixo em direção ao seu quarto. Estava muito escuro, então não consegui decifrar muita coisa do ambiente. Antes que eu pudesse pensar em alguma coisa, fui jogada na cama e tive as roupas arrancadas. Não era o que eu esperava da minha primeira noite com Jake. Ele parecia tão romântico, tão cuidadoso. Esse homem que estava ali comigo era bruto, grosseiro. Ele não estava me machucando, mas estava me assustando. Senti sua ereção crescendo e me dei conta de que ele já estava nu. Sua boca sorvia meus seios ferozmente. Ele mordeu meu mamilo um pouco forte demais e eu gritei. Ele não parou. Não era o homem que eu havia conhecido, o homem que cuidou de mim quando fiquei doente. Seus dedos tocaram a abertura no meio de minhas pernas e ele me penetrou de uma só vez.  Arfei e estremeci com a dor e – estranhamente – o prazer que me invadiram ao mesmo tempo. Jake parecia um louco. Pedi que ele parasse só que  ele não me ouviu. Continuou me penetrando com força até gozar dentro de mim. Ele não parava de me beijar e tudo o que eu queria era sair dali. Ele saiu de dentro de mim e tentou me tocar. Eu recuei. Não conseguia encará-lo. Meu corpo estava dolorido. Não podia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Ele havia me estuprado. Eu disse que não e ele não parou.

– Evie, está tudo bem? – seu tom de voz era carinhoso, a expressão faminta em seus olhos havia desaparecido.

– Bem? – indaguei indignada. – Jake, eu pedi várias vezes para você parar. Você me machucou lá embaixo.

– Como assim? Você não me pediu para parar. – ele me encarou como se eu fosse louca. – Eu jamais a machucaria, Evie.

– Então eu acho bom você fazer um exame de audição, não deve estar ouvindo direito. – lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto e ele beijou o caminho que elas fizeram.

– Evie, por favor, eu jamais faria nada que você não quisesse. Fui o mais delicado e carinhoso possível.

– Delicado e carinhoso? – mostrei a ele uma das mordidas em meu seio. Uma mancha arroxeada tomava o lugar do relevo que seus dentes deixaram em minha pele.

– Eu não me lembro de ter feito isso. – ele se mostrou surpreso.

– Jake, você conseguiu o que queria, agora me deixa voltar para o meu quarto.

– Não, não vou deixar que saia daqui assim.

– Me solta, Jake! – ele me segurou e eu tentei de tudo para me soltar.

– Não! – ele gritou. – Não. – disse novamente, em um tom mais suave. – Evie, eu não me lembro de ter machucado você, não me lembro de ouvir você me pedindo para parar. Que droga! Eu tenho T.E.P.T.

– O quê?

– Eu tenho T.E.P.T., é um transtor…

– Eu sei o que é T.E.P.T.

– Hallie já deve ter te contado sobre minha família. – eu assenti. – Depois que os perdi, fui como voluntário para a guerra. Fiquei seis meses e fui dispensado depois que o comboio em que eu estava foi atingido por uma bomba. Não voltei o mesmo de lá.

– E o que isso tem a ver com o que aconteceu aqui?

– Não sei, a terapeuta deve saber, mas não eu. Depois que voltei nada me fazia dormir, então comecei a sair com várias garotas de programa e nunca aconteceu nada assim. Não imaginei que aconteceria algo com você, não com você.

– Não entendo o que quer dizer.

– Eu te amo, Evie, não me diga que é impossível, por Deus como eu te amo. – Jake segurou minhas mãos e as beijou fervorosamente. – eu a amo desde que a vi pela primeira vez, me apaixonei por você no momento em que nossos olhares se cruzaram.

-Jake, eu quero ir para o meu quarto, estou dolorida e magoada com você.

Ele me abraçou e começou a chorar como uma criança. O que eu deveria fazer? Como lidar com essa situação? Duas coisas não posso negar: a primeira era que Jake realmente havia me machucado, a segunda é que senti sinceridade em suas palavras quando ele disse que não se lembrava. Seus braços foram afrouxando ao meu redor. Ele havia enterrado o rosto em meu peito e embora seus braços já me prendessem mais, ele não se moveu. Senti sua mão apalpando o colchão, a procura da minha. Ele entrelaçou nossos dedos e só então ergueu o rosto.  Os olhos inchados e úmidos mostravam a verdade sobre o que tinha acontecido.

– Me perdoa, Evie. Por favor. – sua voz rouca e embargada.

– Jake, sinceramente, eu não sei o que dizer.

– Está doendo muito?

– Um pouco. – soltei o ar que prendia no peito. – Não sei se estou mais machucada por fora ou por dentro. – a dor nos olhos dele doeu em mim também.

– Posso te pedir um favor? – uma ultima lágrima caiu de seus olhos.

– Estou ouvindo.

– Quero muito que você acredite que não estou mentindo. – Jake fitou meus olhos. – Amanhã tenho uma hora marcada com a terapeuta. Preciso muito que vá comigo. Quero falar com ela sobre o que aconteceu hoje, mas você lembra e eu não.

– Jake, não acho uma boa ideia.

– Por favor, Evie.  – ele segurou firme minha mão, não para machucar, dessa vez me senti segura de novo com ele. – Por favor, eu quero você comigo sempre, mas não quero machuca-la nunca mais.

– Eu vou, mas com duas condições.

– Faço qualquer coisa.

– A primeira é contar para Hallie e Vincent. – ele arregalou os olhos, espantado, mas concordou. – a segunda é você não tocar mais em mim até eu me sentir confortável com isso de novo.

– Prometo. – ele disse olhando em meus olhos. – Não quero apenas sexo com você, Evie. Eu quero você.

– Jake, vamos passo a passo. – me levantei e vesti minha camisola que estava jogada no chão. – Só estou te dando essa oportunidade porque ainda estou confusa sobre o que sinto por você.

-Prometo que não será em vão. Serei o melhor namorado que você já teve.

– Namorado? – indaguei novamente surpresa.

– Eu disse que o que quero com você não se baseia apenas em sexo.

– Acho melhor conversarmos amanhã, está tarde, estou com a cabeça quente e preciso de um tempo para pensar em muitas coisas.

– Promete ir à consulta amanhã comigo? – perguntou novamente.

– Prometo.

 

Saí do quarto de Jake, caminhei até o meu, entrei, fechei a porta e chorei.

 

O dia seguinte chegou rápido. Esperei dar o horário de Hallie e Vincent saírem para trabalhar e saí do quarto para poder ir à cozinha pegar algo para comer. Fui correndo ao terraço pegar meu notebook e corri de volta para o quarto. Queria evitar Jake ao máximo.

 

Batidas na porta me despertaram da concentração no livro que estava escrevendo. Era Jake. Deveria estar na hora da tal consulta. Fui abrir a porta e me assustei com o que eu vi. Ele estava com a barba por fazer, os olhos inchados, olheiras profundas. Como se não tivesse dormido a noite inteira.

– Tenho que estar no consultório em meia hora.

– Vou me arrumar. Te encontro no carro em cinco minutos.

– Qual foi o tamanho do estrago de ontem?

– Não foi tão ruim, estou bem. – afaguei sua mão. – Já desço.

Ele foi embora. Eu teria que encarar mais essa barra em minha vida. Essa maldita terapia. O que eu sentia por ele valia à pena? Se fosse recíproco valia sim.

A história com Jake era complicada. Parecia que nos conhecíamos há anos. Corri pra trocar de roupas e pegar um casaco. Entrei no elevador, desci alguns andares e uma sensação fria de medo, ia se formando na base de minha barriga.

O percurso até o consultório era curto. Nós trocamos poucas palavras durante o caminho. Ele estava tenso.

Chegamos ao consultório e logo fomos atendidos. Para minha surpresa, o terapeuta era na verdade a terapeuta. Doutora Raina Dumpty.

Raina era uma mulher de meia idade, na casa dos cinquenta eu diria. Seus cabelos loiros estavam presos num coque alto. Seus óculos de armação fina, prateada, aperfeiçoavam seus grandes olhos castanhos. Ela pareceu surpresa com a minha presença, mas não disse nada. Jake nos apresentou e explicou o motivo de eu estar ali.

– É complicado. – disse ele. – Como eu pude machucar uma pessoa que eu amo, Raina?

– Isso só conclui algo que eu já vinha suspeitando.  Creio eu que o que acontece com você não é T.E.P.T. Tem meses que falamos sobre isso, sobre a diferença entre o que você relatava e os sintomas de pessoas com T.E.P.T. O que você tem é extrema ansiedade.

– Não entendo. – seu olhar perdido me preocupou. Segurei suas mãos entre as minhas.

– O que você tem é um pouco mais brando, porém não menos sério. Pessoas que sofrem de Extrema Ansiedade, tem exatamente os sintomas que você descreveu, sendo que cada pessoa desenvolve de um jeito diferente.

– Pode ser um pouco mais detalhista, por favor, doutora Dumpty? – pedi.

– O mais claro que posso explicar é que Jake realmente não a ouviu pedindo para parar e não percebeu que a estava machucando. – ela usou um tom hostil, mas Jake não percebeu.

– Raina, eu entendo essa parte, o que eu quero saber é como mudar isso. Eu não quero machucar Evie.

– Vamos dar um jeito nisso Jake. – eu disse confortando-o.

– Claro que vão. – disse a doutora Dumpty de um jeito nada profissional. – A única coisa que você tem que fazer Jake, é manter o foco. Sempre. A partir de agora, estou cortando todos os seus medicamentos.

– Se eu não tomar os calmantes, como vou conseguir dormir? – ele parecia mais um menininho indefeso do que o homem valente que eu conheci.

– Seu calmante está ao seu lado, Jake. Essa bela moça que você trouxe aqui tem poder o suficiente para te ajudar.

– Eu? – dessa vez fui eu quem ficou surpresa.

– Eveline, não…

– Evie, por favor.

– Evie, eu conheço Jake há alguns anos. Ele só aceitou fazer terapia porque Vincent praticamente o obrigou. Ele e Hallie me convidaram para vários jantares, até convencermos esse cabeça dura a conversar um pouco. Depois que Lizzie e as crianças se foram, ele se fechou em um mundo próprio. Até para a guerra esse maluco foi.

– Raina?

– Minha conversa agora é com Evie, espere a sua vez.

 

Raina Dumpty fazia Jake parecer um garotinho assustado. Meu sexto sentido dizia que ela era a maior parte dos problemas de Jake. Embora parecesse que ela estava feliz pelo paciente ter encontrado alguém que gostasse dele, no fundo eu sentia uma certa hostilidade da parte dela. A mente de Jake estava confusa no momento e eu sentia que ela queria confundi-lo ainda mais.

– Enfim Evie tenha paciência e creio que em pouco tempo nosso querido Jake estará novinho em folha.

– Serei paciente.

 

Saímos do consultório cerca de cinquenta minutos depois de chegarmos. No caminho de volta pra casa, ele me pediu para almoçar com ele. Eu não estava com fome, mas precisávamos conversar.

Ele me levou em um restaurante fora da cidade. O lugar era luxuoso e aconchegante. O Maître prontamente nos guiou até nossa mesa.

Quando abri o cardápio quase enfartei. Os preços eram absurdos. O valor do prato mais barato dali, era metade de toda a minha economia. Jake percebeu que eu estava incomodada.

– Pode pedir o que quiser , Evie.

– Poderíamos ter isso a um lugar mais convencional. Isso aqui é um absurdo.

– Não para mim. – ele estava tão relaxado como no dia em que chegou à casa da Hallie. – Sou dono de setenta por cento das ações daqui.

– Também não precisava se exibir.

– Exibir? – ele me olhou com desaprovação. – Realmente acha que quero me exibir?

– Não sei o que achar, o que pensar, ou o que você quer. – eu precisava por aquilo pra fora. – Eu estou com medo de você, mas o que eu mais quero é ir pra cama com você. O que eu faço?

– Não precisa que ninguém lhe diga o que fazer. Nunca conheci uma mulher tão forte e tão centrada como você. Eu amava Lizzie com todo o meu coração, mas nem nela, eu via o que vejo em seus olhos.

– Jake, se importa de não comermos nada e voltarmos para casa? Por favor.

– Claro que não.  – ele se levantou e segurou em minha mão. – como um perfeito cavalheiro. – Vamos, depois de tudo isso, entendo que precise descansar.

 

Voltamos para casa. Nossos amigos ainda não haviam voltado do trabalho. Jake me acompanhou até a porta do meu quarto, mas eu não queria entrar lá sozinha. Queria senti-lo dentro de mim, mas queria isso da forma como deveria ser, não como aconteceu noite passada.

– Mandei uma mensagem para o Vincent. Disse que nós dois queríamos conversar com ele e Hallie.

– Jake, quero que fique aqui comigo.

– Eu estou com você. Se precisar de qualquer coisa basta me chamar.

– Quero que você entre no meu quarto comigo.

– Tem certeza disso? – perguntou. O olhar assustado.

– Não. – disse sincera. – Mas só teremos certeza se tentarmos.

– Promete que vai fazer o que for necessário para não me deixar te machucar?

– Você não vai mais me machucar Jake.

– Como pode ter tanta certeza?

– Não sei se é amor, mas sinto algo muito forte por você. E confio na força desse sentimento.

Seus olhos fitavam profundamente os meus.

Entramos em meu quarto e pedi que ele se deitasse comigo. Meu medo de seu lado agressivo era quase palpável, mas não se tornaram reais. Não transamos apenas nos beijamos e conversamos.

– Ainda está dolorida pelo que aconteceu ontem?

– Não muito. É serio. – eu o beijei. – Queria aquele Jake sedutor de volta. – Estamos aqui desde que chegamos. Já cochilamos, acordamos e eu quero saber como é sentir o Jake. Não aquele Jake de ontem, quero saber como é transar com o Jake de agora.

Ele me beijou com uma intensidade prazerosa. A forte pressão de seus lábios. O carinho de suas mãos percorrendo meu corpo. Aquele era o Jake que eu queria. Aquele era o Jake que eu conheci.

– Está mesmo certa de que é isso que você quer?

– Nada me faria mudar de idéia.

Levantei e tirei meu vestido. Abri o fecho do sutiã e retirei a calcinha. Nunca fui exibicionista, mas uma vontade mais forte do que eu me fazia ser tudo o que o lado oculto de uma mulher é.

Voltei pra cama e me deitei sobre ele. Jake ainda estava vestido, mas o que importava ali para mim era deixa-lo excitado. Cavalguei sobre ele enquanto suas mãos pressionavam meus seios. Vi seu semblante mudar levemente.

– Jake, sou eu, Evie, estou aqui porque te amo.

Ele não mudou. Parecia que o sexo ligava algum mecanismo ruim dentro da sua mente. Saí de cima dele e cobri meu corpo com o vestido. Seu olhar voltou ao normal e vi o terror em seus olhos. Ele logo se levantou e veio em minha direção.

– Eu te machuquei de novo?

– Não. – eu disse com a voz embargada.

– Então porque está chorando?

– Não estou…. – eu estava chorando e não havia percebido. – Eu vi seus olhos mudarem, Jake. Era como se outra pessoa estivesse dentro de você.

– Droga! Sabia que ia te machucar de novo.

-Não machucou. Quando eu percebi, me afastei de você e me cobri com o vestido. Sou eu que causo isso em você.

– Não, não é.

– Jake…

Ele me abraçou e me levou para a cama e deitou abraçado comigo. Me acarinhou até que eu relaxasse e me deixasse ser vencida pelo sono.

                      continua***

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