A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 7)

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Por: Alfredo Dobia

Capítulo 7 – Livro De Gerações 

 

Enquanto Lúcia Wayler terminava de detergir os copos do bar, preparando as coisas para mais um dia de trabalho, Chris Anderson sentava do outro lado do balcão, tentando adquirir conhecimentos, debruçando um livro de capa escura, resistente, e com uma espessura velha.

Ele estava quase desligado de tudo. Folheava o livro com tanta delicadeza e serenidade, como se sua vida dependesse do que estava escrito a cada página virada. Com a sensação de que estava sendo observado, ele levantou a cabeça e apanhou Lúcia em sua tentativa absurda de desviar o olhar para outra direcção, como se não o estivesse olhando.

Ele riu.

Chris sabia que Lúcia ainda estava aprendendo a lidar com sua nova vida, e que as dúvidas ainda sondavam sua mente. Dessa forma, ele a chamou pra tentar saber o que se passava naquela cabeça enquanto o encarava.

— Anda Lúcia — ele disse. — Você não precisa se esforçar tanto para saber mais sobre mim e o Valter. Eu e o meu irmão prometemos que te contaríamos tudo que tu quiseres saber, basta perguntar.

Lúcia pousou o copo na prateleira, aproveitando a deixa para matar algumas curiosidades. Ela deu a volta do balcão e caminhou em direcção dele. Puxou uma das cadeiras para se sentar e a primeira pergunta que lhe veio a mente foi sobre o livro que ele literalmente devorava.

— Então, que livro é este que te deixa tão distraído?

— Este! — Chris levantou o livro. — Este é um livro de magia deixado pelo meu pai, que lhe foi deixado pelo pai dele, e pelo pai do pai dele. Ele é deixado de geração em geração para passar a experiência vivida como bruxo aos seus sucessores.

Lúcia puxou o livro para melhor observação. A capa era muito esquisita e chamativa ao mesmo tempo. Ela nunca vira nada igual em sua experiência como leitora compulsiva.

Ela foi influenciada no mundo dos leitores pelo Deny. Seu amigo sempre foi amante de livros, mas nunca teve ninguém para conversar sobre eles, até que se cansou e começou a comprar vários livros pra Lúcia e a Sasha, quase obrigando-as a ler, foi uma missão complicadamente sinistra pra ele. Mas hoje elas o agradecem por isso. Ela abriu o livro. Folhava páginas e páginas, mas não via letra nenhuma entre as folhas.

— O que você está lendo aqui, se não tem nada que tem a ver com o alfabeto? —

Chris sorriu, e uma covinha se formou em seu rosto.

— Desculpa — ele disse. — Este livro só pode ser lido por pessoas como eu e Valter, pessoas que possuem poderes sobrenatural.

— Bruxos, nesse caso.

— Exactamente — confirmou. — Todos os livros de gerações são enfeitiçados. Este feitiço impede os seres não sobrenatural de o lerem. Isso foi feito para evitar que seres como você descubram os nossos segredos, pois em cada livro existente no mundo, possuem instruções de magias muito poderosa e perigosa, que se fossem conhecidas por vocês, poderiam causar uma catástrofe avassaladora.

— E como nós poderíamos fazer isso sem ter a magia correndo nas veias?

— O ser humano é esperto e manipulador — sempre arranja um jeito de saber o que está além de suas capacidades.

Ela estava fascinada com o que ouvia, sua curiosidade aumentava. Quis saber mais, e dessa vez não era sobre o livro, mas sim sobre o homem que a persegue.

— E esse tal de Cyrius — ela disse. — Ele é mesmo tão poderoso assim?

Chris puxou o Livro das mãos da Lúcia e colocou-o em sua pasta. Respirou fundo, preparando-se para responder a pergunta dela.

— Como eu e o meu irmão já dissemos em sua casa. Cyrius é sim muito poderoso. Só que a árvore que ele foi aprisionado, deixou-o fraco, e seus poderes não funcionam correctamente. Depois do seu pacto para tornar-se o bruxo mais forte de toda irmandade, ele ficou anos sem cumprir o trato, que era se alimentar das almas dos humanos comuns para se manter vivo, e isso foi bloqueando sua magia. Mas há um feitiço que ele sempre foi bom em fazer e nunca perdeu o jeito. O chamado feitiço de controlo mental, que só funciona em mentes atormentadas e enfurecidas. Essa magia fez com que ele controlasse todas as criaturas que quisesse, como é o caso dos Cradys.

Lúcia arqueou a testa sinuosamente ao ouvir o nome da criatura, mas sua mente nublada rapidamente ganhou nitidez, lembrando sobre a fera. Ela ouvira aquele nome na voz penetrante do Valter.

— Ahm, aquela coisa horrorosa que nos atacou na outra noite?

— Essa mesmo — confirmou. — E essa é apenas uma das mais perigosas que estão sobre seu controlo. Quando Cyrius descobriu sobre você, ele pôs suas criaturas atrás de ti. Ele fará de tudo para possuir sua alma. Mais você não precisa se preocupar, pois eu e o meu irmão já mais deixaremos isso acontecer. Nós faremos de tudo para impedir que isso aconteça — ele tocou suavemente nas mãos da Lúcia, fitando-a. — Você entendeu?

Suas palavras a trouxeram conforto e segurança, e seu toque com mestria, fez seu sangue ferver e seu coração pulsar como se uma onda de choque percorresse seu corpo.

Lúcia fez que sim com a cabeça, contemplando o belo par de olhos verdes do Chris. De seguida, entrou o primeiro cliente do dia, e os dois se despertaram do estranho encanto que rolava no ar. Ela se levantou, puxou seu braço e dirigiu-se em direcção ao cliente para o atender.

CONTINUA…

OBS: Pt. Português De Portugal.

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