SENSES Pt.5 +18

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Por Mille Meiffield

 

Eu me sentia bem melhor. Ideias para escrever meu livro pipocavam em minha mente. Jake salvara minha vida e durante toda essa semana de febre intermitente, ficou ao meu lado.

Hallie e ele revezavam para não me deixar sozinha. Parecia que ela e Jake disputavam para ver quem cuidava melhor de mim. Vincent ficava à parte. Sempre que se aproximava de mim, o fazia com a maior cautela possível. Ele sempre foi cuidadoso comigo e Hallie e também deveria estar com medo de me machucar de alguma forma. Esse era meu melhor amigo.

Levantei e fui em direção ao banheiro. Precisava de um banho. Meu corpo estava coberto de suor. O quarto estava quente demais, o aquecedor deveria estar no máximo.

A água caiu fresca e relaxante. Não queria ficar na banheira, queria a sensação da agua fresca escorrendo pelo meu corpo. Por um bom tempo fiquei nesse torpor relaxante provocado pela carícia da água em minha pele. Desliguei o chuveiro, peguei a toalha e me sequei, deixando o tecido macio passar suavemente pelo meu corpo. Me enrolei nela e enrolei meus cabelos em uma outra toalha. Voltei para o quarto e vi Jake sentado na minha cama. Os olhos com um brilho intenso.

– Oi. – eu disse envergonhada. Jake havia trocado minha roupa e roupa de cama no dia em que me encontrou no parque. Ele havia me dado banho naquela banheira que estava ali a alguns metros de nós. Ele havia me visto nua.

– Oi. – ele disse.

Estava constrangida demais para olhar em seus olhos. Fui até o closet, peguei um vestido de malha e meia manga na cor vinho (tinha sido presente de Hallie) e um conjunto de lingerie. Voltei para o banheiro para poder me vestir, o que fiz com certa rapidez. Retornei para o quarto e vi que Jake permanecia no mesmo lugar.

– Está se sentindo melhor? – perguntou.

– Bem melhor, obrigada – Hallie havia me contado que fora Jake quem sentira minha falta. Ela se desculpou pela cena que fez quando me pegou com ele no terraço.

– Hallie e Vincent saíram para trabalhar. – Jake estava com o semblante triste.

– Eu me lembro vagamente de ter ouvido uma discussão entre eles. – minhas lembranças estavam confusas.

– Eles estão bem – Jake ainda parecia triste – à noite vamos pedir comida italiana. Espero que esteja bem o suficiente para nos acompanhar.

– Estou sim. Bem mais disposta do que ontem.

– Sua melhora foi bem lenta, isso me deixou muito preocupado. – Jake se levantou. – Fico feliz que esteja melhor.

– Jake, o que está rolando? – alguma coisa havia acontecido nesses dias em que fiquei doente.

– Está tudo bem mesmo, Evie. Descansa um pouco para estar melhor ainda hoje à noite. – ele foi embora, me deixando ali sozinha e preocupada.

 

Não queria passar o dia inteiro dentro do quarto, então resolvi ir para o terraço escrever um pouco. Peguei meu notebook e corri para a escada. Meu corpo ainda estava dolorido devido à tremedeira por causa da febre, mas não foi difícil subir os degraus. Ainda me sentia um pouco debilitada, no entanto não queria ficar mais tempo na cama.

Abri a pasta com o arquivo do livro e deixei meus dedos dedilharem o teclado com o farfalhar de ideias que pipocavam em minha mente. A história de Kirk e Belle havia ganhado vida própria; romance, drama, erotismo. Tudo o que levava um livro a se tornar um best-seller. Caprichei na descrição da primeira noite de amor deles.

 

“Kirk

                A pele pálida de Belle, em contraste com minha pele cor de mogno, me excitava em demasia. Retirei seu vestido em apenas um movimento e a fitei por alguns instantes antes de toma-la em meus braços…”

 

Esse pedacinho, de todo o grande texto que havia escrito, era o mais real de todo o livro. Era a parte em que escrevi o que desejava que Jake fizesse comigo. Queria sentir novamente suas mãos em meu corpo, seus lábios nos meus. Kirk e Belle não existiriam se Jake não tivesse aparecido em minha vida. Ouvi passos vindo da escada e me virei. Era Vincent.

– Oi Evie, como está? – ele e deu um beijo na testa.

– Bem melhor, nem ouvi vocês chegarem. – comentei.

– Tem mais de duas horas que chegamos, Hallie não queria que ninguém te incomodasse, mas você não descia e a comida já chegou.

-O jantar? – indaguei espantada, não fazia ideia de que horas eram. – Já?

– Já passa das sete, Evie. – Vincent me olhou preocupado. – Você está bem mesmo?

– Estou sim, é que fiquei tão presa na história do livro que me esqueci completamente da hora, acho que dessa vez a história vai fluir.

– Eu não esperaria menos de você Eveline Brend.

Vincent me abraçou, entrelaçou o braço ao meu e descemos as escadas para jantar.

Jake estava todo vestido de preto, seu cabelo amarrado em um rabo de cavalo frouxo. Nossos olhares se cruzaram e senti uma fina camada de tensão no ar. Hallie estava terminando de por a mesa e nos sentamos em seguida. Eu havia preparado uma sobremesa especial para hoje e ela combinava especialmente com o jantar: Spaguetti.

O jantar correu agradável e harmonioso, mas senti que minha amiga estava incomodada.

– Hallie, enquanto os rapazes lavam a louça, podemos conversar no meu quarto por um instante?

– Meninas querendo um tempo à sós? – Vincent implicava sempre que queríamos conversar em particular. – Vamos Jake, vamos trabalhar porque a noite vai ser longa.

– Prometo não demorar a devolver sua esposa Vince.

– Da ultima vez que você disse isso Hallie me deixou sozinho no dia do nosso aniversário de namoro.

– Da ultima vez que eu disse isso quase fui ataca pelo seu amiguinho bêbado do time de futebol do colégio.

– Não está mais aqui quem falou. – Vincent e Jake foram para a cozinha e eu fui com Hallie até meu quarto.

– O que foi Evie? – a ansiedade de Hallie era quase palpável.

– Senta aqui. – apontei para a cama. – Hallie, estou preocupada com o que aconteceu comigo na noite em que vocês foram atrás de mim.

– Jake disse que foi só um resfriado forte. – a preocupação de Hallie se aguçou ainda mais. – O que esta sentindo?

– Não, não é isso. – eu a acalmei. – Eu juro que estou bem. Quis dizer que eu não entendo porque desmaiei.

– Eu me sneti tão mal quando te vi inconsciente nos braços de Jake. – ela respirou fundo.

– Não foi culpa sua Hallie. Algo aconteceu comigo no Black Coffe e eu não faço a menor ideia do que.

– Porque diz isso?

– Eu estava bem quando saí de lá, mas logo comecei a me sentir zonza e como o parque estava perto, resolvi que seria o melhor lugar para ir.

– Evie, lá é perigoso à noite, e…

– O que aconteceu comigo não começou no parque, Hallie. – eu levantei e comecei a andar de um lado para o outro. – Acho que colocaram alguma coisa no meu café, porque eu fiquei sentada um bom tempo no parque e quando tentei me levantar me senti pior. É a ultima coisa que me lembro.

– Jake disse que foi uma gripe forte, quase uma pneumonia, por isso sua recuperação foi lenta.

– Eu estou bem agora, estou mesmo. – a acalmei. Eu devia estar pensando demais. Uma pneumonia poderia ter eito com que eu desmaiasse também, se meu organismo estivesse fraco.

– Evie, você sabe que eu não sou de rodeios, então vou perguntar de uma vez. Oque você sente pelo Jake?

– Sinceramente? – a esperei assentir e respirei fundo. – Não sei explicar. E do jeito que as coisas acontecem entre nós dois, parece que nem ele sabe.

– Eu só não quero que ambos se magoem. – minha amiga era a sinceridade em pessoa. Ela nunca omitia ou reprimia o que pensava ou sentia. É um dos motivos pelos quais a amo. – Os sentimentos dos dois estão feridos demais.

– Jake está em cada pensamento meu. Você sabe que não sou de me apaixonar fácil ou por qualquer…

– Ah meu Deus! Evie, você está apaixonada pelo Jake?

– Eu não sei! – gritei. Não com ela, mas comigo mesma.

Uma batida na porta e Jake colocou a cabeça para dentro do quarto.

– Está tudo bem aí, meninas?

– Já estamos indo. – respondeu Hallie, ríspida.

– Vincent ficou com medo de vir, então eu vim avisar que a sobremesa já está servida.

– Vamos em cinco minutos. – avisei.

Jake foi embora. Só de trocar algumas poucas palavras com ele, meu coração disparava.

– Desculpa Hallie, eu gritei mais comigo mesma. Não faço ideia do que sinto pelo Jake. Ele me deixa confusa, sem saber explicar isso nem pra mim mesma.

Ela concordou e se levantou para voltarmos à cozinha.

 

Jake e Vincent já haviam comido metade do bolo de travessa que eu havia feito. Hallie se sentou ao lado do marido e eu ao lado de Jake. Ele bebericava uma taça de vinho.

– Vocês demoraram muito. – reclamou Vincent.

– Precisávamos conversar Vince. – o sorriso havia voltado ao rosto de minha amiga.

– É, precisávamos. – afirmei. – As garotas as vezes precisam de um papo de garotas.

– Falando em papo de garotas, Hallie, Cassie Labell ligou e pediu que você enviasse as fotos arquivadas ainda hoje.

– Como assim ainda hoje? São quase dez horas e ela sabe que meus arquivos ficam no computador do escritório.

– Eu vou com você. – Vincent se ofereceu. – Não vou deixar você ir ao Centro sozinha à noite em pleno feriado.

– Mais que droga! – exclamou. – Esses clientes acham que podem fazer o que quiserem.

– Calma Hallie, ela é uma cliente importante?

– Importante? – minha amiga estava enfurecida. – Esse apartamento inteiro junto com o terraço que você tanto ama são praticamente o quartinho de empregada dela. Evie, meu escritório gira praticamente em torno da empresa dela. Só por isso que eu aturo essa cretina.

– Ei, relaxa! – Vincent massageou os ombros da esposa. – Vá se trocar, eu vou com você, aí aproveitamos e passamos em algum lugar para beber alguma coisa.

– Hallie, Vince tem razão. – eu queria que ela se acalmasse, ela sempre carregou o peso do mundo nos ombros com esse escritório. – Saiam depois, bebam alguma coisa. Você precisa relaxar.

– Tem razão. Vou me arrumar.

 

Hallie e Vincent foram embora. Jake continuou no mesmo lugar. Quieto. Pensativo. Eu estava cansada, ainda não havia me recuperado totalmente do forte resfriado, deixei Jake na sala e fui para meu quarto. A noite estava fria. O outono se apresentava intenso. Deitei e me cobri com o grosso cobertor. Estava muito confortável e deixei me levar pelo sono.

Acordei e fui conferir as horas. Já passava da meia noite. Me virei de um lado para o outro na cama, mas não consegui dormir novamente. Resolvi escrever um pouco.  Esse era o horário que minha mente melhor funcionava.

Coloquei meu sobretudo por cima da camisola e fui para o terraço. Vincent e Hallie não haviam voltado ainda e Jake devia estar em seu quarto. Tudo estava bem silencioso.

O terraço estava escuro e quieto, do jeitinho que eu precisava para ter boas ideias. Liguei o abajur próximo à mesa em que eu trabalhava, abri meu notebook e voltei a trabalhar na história de Kirk e Belle, no amor jovem e intenso de dois universitários bem diferentes. O que mais me fascinava em escrever essa história, era ver como o que eu sentia por JAke facilitava a fluidez de toda a história. Kirk amava Belle, mas eu não conseguia rotular o que eu sentia por Jake. Era intenso demais, sem explicação. Homens morenos e de cabelos compridos, não faziam meu tipo. Mas o que eu via não era sua aparência ou seu corpo. Era a sua alma. Aqueles olhos indefinidos, que de tão vazios, pareciam dois buracos negros. Seu sorriso inexpressivo. Sua voz grave e suave, suas mãos massageando meus ombros. Como? Suas mãos nos meus ombros? Jake estava realmente massageando meus ombros.

– O que está fazendo? – levantei e me virei em sua direção. Ele não disse nada. Como de costume, apenas me beijou. Jake sorveu meus lábios com voracidade. Mordiscou  meu lábio inferior, passou sua língua por cada cantinho de minha boca e tentei retribuir o melhor que pude.

– Me diz que você não quer isso Evie, me mande parar, por favor. – Ele implorou. – Não consigo sozinho. O gosto so seu beijo é viciante demais.

– Não posso dizer que não quero,  Jake. – disse olhando em seus olhos. – O que está acontecendo entre a gente?

– Queria que você me dissesse isso. O que você sente por mim, Evie? – a pergunta me pegou de surpresa, foi a mesma pergunta que Hallie havia me feito hoje mais cedo.

– Eu não sei. – ele me segurou pela cintura. – Acho que nossa pergunta só terá uma resposta se concluirmos o que começamos aqui.

Ele não disse mais nada. Entendeu exatamente o que minhas palavras queriam dizer. Eu o queria na mesma intensidade que ele me desejava.

continua***

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