13º Lua – O Inicio

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Por Lillithy Orleander

“Quando as doze badaladas então soarem
E no vento sua voz sussurrar
Cinzas teu corpo se tornará
E para a morada dos mortos irás voltar…”

1952…

Charlotte sentia o ar frio que acompanhava o fim da tarde envolta pelo xale lilás de lã. Sentia pela última vez a brisa que soprava leve, acariciando as pálpebras dos olhos, olhando com pesar a escuridão profana que se aproximava engolindo aos poucos o pôr do Sol.

Sentou – se na cadeira de balanço com ares de quem se despede, lembrou – se da filha e das coisas que tivera que fazer para que ela saísse daquela cidade maldita, mas não adiantou a maldição já tinha marcado – a, o laço estava selado e Madeline seria a próxima. Charlotte, chorou.

O coração iniciou sua parada lenta, gradativa, tornando – se oco e seco no peito enquanto o sangue começava a correr frio. A mente ainda pensava na maldita promessa que a ancestral maior fizera, ela queria ter o poder de desfazer, mas infelizmente a escolhida não era ela.

O laço negro tatuado no pulso esquerdo começava a esmaecer, perdendo a cor, conforme as horas rugiam, a linhagem continuaria.

Charlotte olhou o berloque por entre os dedos e tentou pela  ultima vez, ler o enigma que havia dentro, tinha sido de sua mãe, e da mãe de sua mãe, de geração á geração, como um presente misterioso passado junto ao segredo e a maldição para as primogênitas.

Usufruirá do poder, da beleza e das riquezas, mas o preço sempre era o amor que habitava o próprio coração.

A Lua subia aos céus majestosa e Charlotte sentiu o leve palpitar amoroso, a última lágrima escorreu.

A pele enrugou e escamou ganhando a tonalidade cinza e passando para o chumbo.

A cadeira de balanço rangia e sobre ela o xale lilás se quedava, Charlotte aos 65 anos e dona de um império se tornava cinzas, voando ao vento na silenciosa melodia do tempo.

Invocada para a terra de além mar, onde as ninfas não ousavam pisar e somente almas bondosas poderiam se encontrar.

Madeline ao longe sentiu o peito arder e os olhos de lágrimas se encher.

Era a décima terceira Lua daquele ano, era ela que chamava Charlotte a pedido do deus…

CONTINUA…

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