Senses pt.4 [+18]

chuva 40

Por Mille Meiffield

 

A noite estava mais quente do que de costume. Não conseguia pregar os olhos então resolvi subir para o terraço e escrever um pouco. Subi as escadas devagar, ainda estava sonolenta. Quando cheguei ao ultimo degrau o avistei. Ele estava sem camisa. Vestia apenas uma calca preta larga e estava com seus fones de ouvido. Ele olhava fixamente para fora da janela, parecia perdido em seu próprio mundo. O aroma almiscarado de sua pele invadia todo o ambiente. Eu prometi a Hallie que me afastaria dele, mas necessitava daquela imagem para escrever algumas cenas do meu livro.

Andei nas pontas dos pés até a mesa do notebook e no máximo silencio possível comecei a escrever. Kirk e Belle, meus personagens começaram a se beijar….

                “-Belle, você é tão linda. – kirk estava ansioso por tocá-la. – Essa sua doce pele de alabastro me faz desejar ainda mais poder tocar cada centímetro do seu corpo.

                – Kirk, eu não posso. Quero muito que minha primeira vez seja com você, mas não hoje.”

 

                – Belle tem quantos anos? – A voz de Jake me fez pular da cadeira e antes que eu pudesse gritar de susto ele colou seus lábios nos meus.

Seu beijo era urgente e intenso. Suas mãos pareciam brasas acariciando minha pele. Seus dedos se entrelaçaram em meus cabelos e um arrepio prazeroso desceu pela minha coluna. Sua língua macia explorava minha boca centímetro por centímetro.

– Me ajuda a te soltar, Evie – sussurrou em meu ouvido. – Eu não consigo manter meus lábios longe dos seus, minhas mãos formigam para tocar sua pele.

– Jake, eu…

– Me diga para parar, Evie. – Jake praticamente implorou. Chamas pareciam crepitar em seus olhos. – Uma palavra sua e eu me afasto.

Nada saía de minha boca. Meu olhar mergulhado no dele. Um procurando uma resposta na alma do outro. Jake voltou a me beijar. A urgência de seu beijo me fez ter a sensação de estar mergulhando em lava líquida. Seus lábios deixaram os meus para percorrerem meu pescoço, explorando cada terminação nervosa, descendo até o ombro. Sua boca deixou um rastro de calor sensual por onde passou.

Suas mãos envolveram meus seios e arfei com a maravilhosa sensação. Seu toque era bruto e gentil ao mesmo tempo. Ele segurou a barra da minha blusa e a tirou com uma só puxada. Seus dedos roçaram meus mamilos pelo tecido do sutiã, seguiram por meu colo tocando pedacinho por pedacinho do meu corpo suavemente. Como se um toque um pouco mais intenso fosse me quebrar.

– O que vocês estão fazendo? – a cara de espanto de Hallie mostrava que ela não aprovava que houvesse algo entre Jake e eu.

– Hallie, eu posso explicar – Eu não queria que ela tivesse visto aquilo. Minha amiga havia me pedido para me afastar de Jake e ali estávamos nos dois. Quase sem roupa.

– Você está sem roupa aqui em cima com Jake, qual outra explicação poderia me dar Eveline?

– Chega Hallie! – Jake ralhou num tom áspero que me fez estremecer. – Nós não somos crianças.

– O que está acontecendo aqui? – Indagou Vincent – Que confusão é essa?

– Eu peguei Evie e Jake quase transando aqui em cima. – disse Hallie irritada.

– Qual o problema nisso, querida? – Vincent ria com a situação. Jake havia me colocado atrás dele para que Vincent não pudesse me ver só de sutiã. – Foi você mesma quem disse que eles se dariam bem. Sinceramente, eu não entendo.

– Evie não está pronta para se envolver com ninguém, Jake também não.  – Hallie estava irredutível. – Eles vão acabar se magoando.

– Hallie, eu estou bem, juro! – A preocupação em seus olhos era visível. – Não precisa se preocupar com tudo Hallie. Está na hora de tirar o peso do mundo dos seus ombros.

Ela se virou e desceu as escadas. Ela odiava ser contrariada, mas eu não podia deixar que ela controlasse minha vida. Eu amava Hallie, mas nada em minha vida era mais importante para mim do que minha liberdade.

– Eu vou falar com ela. – Vincent parecia estar se divertindo com a situação. – E podem continuar o que estavam fazendo.

Ele também foi embora, me deixando ali, seminua, com o corpo de Jake cobrindo o meu. Eu não conseguia me mexer. Nenhum som saiu da minha boca quando tentei articular algumas palavras. Estava tão absorta em meus pensamentos que só percebi que Jake falava comigo e beijava vários pontos do meu rosto depois de alguns minutos. Me afastei dele e fui para o sofá. Não conseguia mais encará-lo. O que ele tinha que eu não conseguia resistir? Não era sua beleza física que me atraía. Era alguma coisa no fundo de seus olhos.

– Evie, você sabe que a Hallie está exagerando, não é? – Ele estava tenso.

– É a casa dela Jake. – eu disse – Acho que está na hora de eu ir embora.

Um relâmpago cortou o céu, fazendo um barulho estrondoso. Uma tempestade se aproximava. Outro relâmpago clareou boa parte do terraço caindo estrondosamente em seguida.

– Hallie te ama Evie, ela só quer te proteger.

– Não sei como vou encará-la amanhã. – eu não queria minha amiga chateada comigo. – Amanhã cedo eu vou embora. Realmente não tinha planos de ficar muito tempo aqui.

– Vai me deixar? – os olhos de Jake demonstravam tristeza.

– O que eu tenho pra deixar? – a tensão sexual era quase papável entre nós dois. Não podia continuar no mesmo lugar que ele.

Sempre perdi tudo o que tive. Se for a hora de abandonar meus amigos e essa possível historia com Jake, eu ia encarar tudo de cabeça erguida.

– Você tem suas feridas para curar, eu tenho as minhas, é melhor mesmo pararmos por aqui. – concluí.

Levantei do sofá e desci para o apartamento. Entrei em meu quarto trancando a porta em seguida e me joguei na cama desatando a chorar.

Quando os soluços foram diminuindo, sequei meus olhos com as mãos. Só aí percebi que ainda estava apenas de sutiã. Fui até a cômoda, peguei um suéter e vesti.

A chuva caía torrencialmente.

Me senti sufocada em meu quarto, então resolvi dar uma caminhada na chuva mesmo. Peguei minha carteira e saí de fininho do apartamento. O elevador veio rápido e estava vazio. Já passava das dez da noite. Antes de sair do prédio, vesti minha capa de chuva e sai em direção ao Black Coffee. Pedi uma xícara de café extragrande e um waffle.  Não queria comer nada, mas se eu bebesse aquela enorme quantidade de café sem nada no estômago, certamente passaria mal depois.

Meu celular tocava insistentemente, era Jake. Eu não queria falar com ninguém no momento. O café havia acabado e o waffle estava praticamente intacto. A chuva havia afinado. O vento da noite estava frio e cortante. Caminhei até o parque que ficava perto da lanchonete e sentei em um banco que ficava embaixo de uma enorme árvore. Estava úmido, mas os galhos grossos da arvore quase não deixaram a agua da chuva passar. O frio havia aumentado e muito. Tentei levantar e voltar para casa, mas meu corpo não obedecia. Meus movimentos não passavam de tentativas frustradas. Um profundo sono tomou conta de mim. Senti meu corpo ceder antes de minha visão escurecer e o mundo sumir.

JAKE

– Vince! – Vincent e Hallie já estavam dormindo. Já passava das três da madrugada e Evie ainda não havia voltado. Alguma coisa estava errada. – Vince, acorda! – gritei mais uma vez.

– O que foi Jake? – Vincent ainda estava com os olhos fechados de sono. Ele conferiu o celular para ver que horas eram. – São três e  meia da manhã Jake , é melhor ter um bom motivo para me tirar da cama aos gritos à essa hora.

– Evie saiu ontem depois do episódio com a Hallie e não voltou até agora. Ela não atende o celular.

– Vou acordar a Hallie. – disse Vincent já totalmente desperto. – Me encontra na porta da frente em dez minutos.

Vincent fechou a porta do quarto e eu fui para o meu pegar um casaco e algumas lanternas. O frio tinha ficado mais intenso e o chão já devia estar com alguns cristais de gelo. A temperatura baixou mais de dez graus em duas horas. Evie poderia estar em qualquer lugar.

Hallie e Vincent não demoraram muito. Descemos, falamos com o porteiro e pela direção que ele nos guiou, ela só poderia estar na Quinn’s Library ou no Black Coffee, se ela não estiver em nenhum desses lugares, eu não saberia mais onde procurar.

– Como foi que a Evie sumiu, Jake? – Hallie estava com medo por Evie. Eu a assustei quando disse que a culpa tinha sido dela. Não deveria ter feito isso. Foi ela quem sempre aguentou minhas crises de choro depois que eu perdi minha família.

– Jake, nós queremos encontrar a Evie tanto quanto você. – Vincent sabia que o terror em meus olhos era o medo de passar por aquilo de novo – Evie sabe se virar. Ela vai ficar bem.

– Vocês deveriam ir à Quinn’s Library, eu vou ao Black coffee, ela só ia a esses dois lugares com frequência por aqui. – ela poderia estar machucada. Isso me deixaria péssimo. – Alguém deve ter visto para onde ela foi.

– Jake, procure a Linney no Black Coffee, Evie costumava conversar com ela às vezes. – Vincent sabia que eu estava preocupado. – Hallie, acho melhor você deixar Jake e eu cuidarmos disso.

– Evie é minha melhor amiga Vince, eu vou com vocês.

– Está muito frio. – Vincent estava preocupado com a esposa, do mesmo jeito que eu me preocupava com Lizzie antes do acidente. – Hallie, por favor, eu prometo que levo Evie em segurança para casa, você sabe que ela é como uma irmã pra mim.

– Vince está certo Hallie, me perdoa pelo que falei. Eu não sei o que deu em mim. – Dei um beijo na testa dela. Eu sabia como Vincent se sentia em relação à Evie ser como uma irmã para ele, pois eu me sentia assim em relação à Hallie.

Ela passou os braços ao redor da minha cintura e por um momento encostou o rosto em meu peito. Respirou fundo e então olhou bem dentro dos meus olhos.

– Eu que tenho que me desculpar com vocês. – seus olhos estavam tristes demais e isso me entristecia. – Só não queria que o que acontecesse entre vocês fosse coisa de uma noite apenas. Vocês são a nossa família.

– Hallie, está tudo bem. – acariciei seus cabelos. – Vince e eu vamos encontrá-la.

Vincent beijou Hallie e ela foi embora. Ele apertou forte minha mão e seguiu em direção à Quinn’s Library.

Entrei no Black Coffee e encontrei a Linney, não foi difícil saber quem ela era. Só havia duas garçonetes no turno da noite, ela era a que menos se encaixava no lugar. Era delicada demais para aquele local.

– Anh…com licença…você é a Linney?

– Quem quer saber? – ela foi meio grosseira, mas deixei passar. Minha preocupação ali era com Evie.

– Meu nome é Jake Stall, estou procurando essa garota da foto, ela vem sempre aqui e desapareceu.

– É a Evie, o que houve com ela?

– Eu só preciso encontrá-la, você a viu hoje?

– Ela saiu daqui por volta da meia noite. – disse Linney. – Me deu um sorriso triste e foi em direção ao parque.

– Tem certeza?

– Tenho sim, ela estava muito estranha, parecia chateada demais, magoada eu diria.

– Obrigado Linney, vou atrás dela.

O parque estava escuro e deserto. Encontrei Vincent na entrada e ligamos a lanterna antes de entrar no local. Ela poderia ter se sentido mal, então Vincent e eu fomos em direções opostas até os bancos do parque.

Alguma coisa me chamou a atenção atrás de um arbusto. Me aproximei e percebi que era apenas um rato. Ouvi o grito de Vincent vindo de uma outra parte do parque e corri até lá. Ele estava ajoelhado, puxando algo para seu colo. Era Evie. Ela estava caída atrás de um banco. Sua pele pálida, círculos arroxeados em volta dos olhos , seus lábios antes de um tom de rosa intenso, agora tinham um tom fúnebre de azul opaco.

– Ela… – Vincent sabia o que eu queria perguntar.

– Não, ela está viva. – respirei fundo, aliviado. – Jake, temos que levá-la para o hospital. Ela está ardendo em febre.

– Ela vai pra casa, Vince.

– Jake, ela precisa…

– Evie vai ficar no quarto dela e eu vou cuidar para que até amanhã à noite ela esteja completamente recuperada.

Vincent levantou com Evie semiconsciente em seus braços. Ele a passou para mim e a peguei em meu colo. Seu corpo era um misto de pontos gélidos e ferventes. A aninhei o melhor que pude em meus braços. Pedi que Vincent ligasse para Hallie para que ela enchesse a banheira com água gelada para baixar a febre de Evie.

– Jake.. – a voz de Evie estava fraca demais. – Jake…Hallie.

– Estou levando você para casa Bela Dama. – ela perdeu a consciência novamente. A segurei mais firme. – Você vai ficar bem Evie. – prometi.

EVIE

O frio fazia arder cada terminação nervosa do meu corpo. Eu ouvia as vozes dos meus amigos ao longe, mas não conseguia me mexer. Meu corpo estava pesado demais. Abri um pouco os olhos com muito esforço e vi meu corpo imerso em uma banheira com agua fria e pedras de gelo. Forcei meu corpo a se mexer tentando levantar, mas braços fortes me prenderam ali. Tentei com afinco me soltar, porém o máximo que consegui foi respirar um pouco mais fundo.

– Você precisa ficar só mais um pouquinho na água fria Evie. – a minha atenção a  essas palavras foi imediata. Era a voz de Jake. – Só mais alguns minutos.

Tentei ficar parada enquanto todo o meu corpo tremia com o frio intenso.

Parecia ter passado uma eternidade quando mãos fortes e firmes me ergueram da banheira. Um toalha foi enrolada em meu corpo e outra em meus cabelos.  Novamente estava sendo carregada. Deveria ser Jake quem me levava em seus braços. O cheiro almiscarado de sua pele era inconfundível.

Ele me colocou em uma cama macia e em seguida me cobriu com cobertores quentes e tão grossos que mais pareciam um colchão. Senti um cheiro forte de algo temperado, algo como a canja de galinha que eu fazia quando Hallie e Vincent ficavam doentes.

– Evie, você precisa comer. – era a voz de Hallie. – Se esforça para comer um pouquinho.

– Hallie, me deixa dormir, por favor. – eu estava muito cansada. – Eu não estou com fome.

– Se esforça um pouquinho Evie.

– Tudo bem.

Me forcei a comer um pouco e em seguida praticamente desmaiei. Meu corpo estava dolorido por causa do frio. O que eu mais queria era dormir por um ano.

Eu estava mais fraca do que havia percebido. Os dias foram passando lentos e tediosos. Minhas forças voltavam vagarosamente. A visita de Jake a meu quarto era constante, algumas vezes fingi estar dormindo porque queria que ele ficasse um pouco mais. Ele era lindo.

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