O Mistério de Marta

saul

Por Saul Guterres

A manhã estava fria e anunciava a entrada do outono. Marta olhava pela janela do ônibus e lembranças vinham em sua mente, como a daquele dia em que fora mandada embora de casa pelos seus pais.

Ao se aproximar da parada mais próxima de sua rua, ela desceu e caminhou em direção a praça. Fazia dez anos que ela não via seus pais. Um sentimento de insegurança veio em seu peito, mas ela respirou fundo e seguiu em frente. Logo mais quando chegou próximo da esquina, as recordações tristes apareceram como um filme em sua mente.

Ela tinha quinze anos e estava voltando da escola e viu o senhor Marcos sentado no banco da praça aos prantos. Ela sabia que ele era amigo do seu pai e que seus filhos eram colegas de seu irmão mais velho.

Sentiu um frio ao se aproximar dele e com um gesto carinhoso, colocou a mão sobre o ombro dele e disse:

– O senhor está bem? – ele olhou assustado pra ela e respondeu:

– Você ainda está aqui Marta, precisa me ajudar, por favor! Meus filhos estão em perigo agora, Isabela é muito apegada a mim e está doente, eu temo que ela piore, e Daniel… ah o Daniel se eu tivesse escutado ele antes… Marta estava sem entender, mas prometeu ao senhor Marcos que iria chamar sua esposa, mas seu Marcos contestou:

-Não, Rose não, ela não vai querer falar comigo, mas eu vou te dar um recado para que você entregue a meus filhos, por favor!

A casa deles era ao lado da sua e ela foi correndo até lá. Sua mãe, Tereza, que estava na janela da sua casa, viu quando ela se aproximou da porta do vizinho e intrigada foi indo até lá. Marta tocou a campainha várias vezes até que a senhora Rose abriu a porta com cara de choro e muita dor. Marta sentiu que algo estava errado, mas foi logo dizendo apressada.

– Dona Rose, desculpe incomodá-la, mas o seu marido está lá na praça e me pediu para ajudar seus filhos, eu tenho um recado para eles. É urgente.

Nesse momento a mãe de Marta se aproximou e escutou a conversa e com tom de espanto disse:

– Mas o que é isso Marta, onde se viu brincar com as pessoas assim? Vá já pra casa agora. Marta olhou sem entender para sua mãe e notou que ela estava muito brava e envergonhada. Mas afinal que mal tinha em dar um recado do seu Marcos aos filhos? Ela olhou para a senhora Rose que a recriminou dizendo:

– Você não é uma garota boa Marta, onde se já se viu mexer com nossos sentimentos assim?

Ela então bateu a porta na cara das duas e mais confusa ainda Marta disse:

– Mãe por que ela falou assim comigo? Eu só vim dar o recado do senhor Marcos! – a mãe dela furiosa pegou-a pelo braço e disse:

-Não seja estúpida Marta, todos sabem que ele estava doente e que iria acabar assim. Seu pai vai ficar uma fera com essa sua loucura.

– Espera mãe, assim como?

Tereza olhou para filha com fúria e apenas arrastou ela pela sala chamando pelo seu marido. Tomaz que estava sentado em sua poltrona levou um susto ao ver as duas entrando daquele jeito em casa e logo perguntou:

-Mas o que está acontecendo aqui? – Marta iria falar, mas sua mãe falou primeiro.

– O nosso pesadelo… Aquilo que temíamos aconteceu, Marta está com a doença de sua vó, disse ela aos gritos.

Marta olhava para os dois sem entender nada e gritou:

– Eu não estou doente, eu apenas queria dar o recado do senhor Marcos para os filhos dele e dona Rose e mamãe começaram a me xingar.

Tomaz olhou para filha assustado, por que isso tinha que acontecer com sua família, já não bastava à vergonha de ter a mãe e a irmã internada, agora sua filha?

Não ele iria dar um jeito dessa vez. Acordado pelos gritos Romeu, irmão de Marta se aproximou. Marta sabia que agora tudo iria piorar, pois seu irmão era visto como o bom e ela a má. Ele era um rapaz bonito e elegante, mas seu caráter era terrível.

– O que a esquisita fez dessa vez pai? – perguntou ele já olhando para ela com ar de deboche.

– Eu não fiz nada já disse! – gritou ela. – Eu estava apenas vindo da escola e vi o senhor Marcos sentado chorando e fui ver o que ele tinha, e ele me pediu para falar com seus filhos e quando cheguei lá a dona Rose e mamãe surtaram.

Romeu deu uma risada debochada e disse:

– Acontece sua louca, que o velho bateu as botas hoje de manhã e todos sabem disso, então como ele estava falando com você? Sua estranha.

Marta olhou para todos surpresa, não podia ser verdade, ela viu ele, tocou nele, conversou com ele. Seu irmão estava apenas implicando com ela. Então ela olhou para sua mãe e disse:

– Mãe é verdade, ele estava lá comigo e… plaft!

O tapa  não doeu tanto na face quanto no coração. Ela caiu e com a mão no rosto, começou a chorar….Sua mãe a olhou com raiva e disse:

– Você quer ser louca? Então vá morar longe daqui com sua tia Ester, pois vocês se merecem, e nossa família não será tida como vergonha por causa de suas besteiras. Amanhã mesmo você irá embora daqui. Diremos a todos que você está em viajem a estudos, mas só voltará quando parar com essa sua demência, você entendeu?

Marta secou suas lágrimas e subiu para seu quarto, ainda pode ouvir seu irmão rindo e dizendo para sua mãe que ela tinha razão, pois as ações da empresa estavam subindo e um escândalo como esse iria por a fama deles a duvidar.

Quando ela retornou de suas lembranças, uma moça jovem estava sendo carregada em uma maca daquela casa que ela conhecia muito bem. Ela olhou novamente e disse:

– Não pode ser, é Tália, a filha do Seu Marcos…

CONTINUA.

 

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