Donna – O Começo (Pt. 1)

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18 ANOS

Donna

Capítulo 1 – O Começo

Escrito por: Lua Morgana

*

Estava um dia muito quente na fazenda, aquele final de semana havia sido marcado por monotonia… Eu gostava do verde da fazenda, dos animais, da rotina. Porém, aos poucos, o encanto foi se esvaindo e eu precisava de algo além disso para me distrair. Tinha acabado de completar 15 anos, no segundo ano do colégio, e nada mudava. Todo dia era a mesma coisa. Quando eu era criança, não reclamava, até adorava minha vida. Agora tudo parecia pouco para mim, eu queria algo que minha cidade pequena não poderia proporcionar. Tudo o que eu assistia na TV, não era nem de longe algo que tinha na minha cidade… às 20hrs da noite, já não tinha viva alma na rua, era totalmente deserto. Era um saco total. Aquilo não era pra mim, nunca seria.

No domingo haveria uma festa para irmos… Era aniversário de 15 anos de uma amiga minha, a Jenny. Natasha e eu iriamos juntas, ela era minha melhor amiga, éramos inseparáveis. Porém ela gostava daquela vida pacata que nossa cidade proporcionava, já eu não… era somente isso que nos diferenciava.

A festa foi maravilhosa, regada a bebida e danças. Os pais de Jenny eram bem liberais para cidade pequena… bebi um pouco além do que deveria, Natasha queria ir embora para casa, mas eu não. Era raro ter festas com bebidas liberadas naquela cidade e Nat achava que eu iria embora mesmo? Nunca. Ficaria até o final. Disse a ela que poderia voltar para casa com o seu irmão, Scot, que eu voltaria depois de carona com alguém. Ela consentiu, mesmo preocupada com meu estado alterado de consciência.

Dancei e bebi muito aquela noite, deixei que saíssem todos os meus demônios inquietos… Sabe-se lá quando teria outra festa de novo. Ao final da festa, peguei carona com um cara que conheci na festa, ele disse que passaria em frente a fazenda dos meus pais e achei superbacana a atitude dele. Entrei na caminhonete dele e fomos rumo a minha casa… a estrada estava escura, já se passavam das 22hr e o caminho era bem deserto. Me bateu um arrepio depois que recobrei um pouco da consciência, estava sozinha em uma caminhonete com um homem desconhecido, em uma estrada deserta. Era um prato cheio para um assassinato. Tentei não demonstrar medo, até que o carro parou bruscamente em um ponto da estrada de terra. O homem se aproximou de mim e tentou me beijar, disse que eu também estava afim, mas eu não estava, só queria ir para casa.

Ele me puxou a força para encontro dele, encostou aqueles lábios grossos e ressecados nos meus e lambeu minha boca. Senti nojo e repulsa, quase vomitei. Eu não queria nada com ele, jamais, além de tudo eu ainda era virgem, não queria perder a virgindade dessa forma… Até que ele puxou meu braço e encostou minha mão no pênis dele, ereto.

—Você gosta, né, safada? – Ele me perguntou, me encarando, enquanto abria o zíper.

—Não, só quero ir para casa, não quero nada com você… – Eu estava quase chorando, tamanho medo.

—Ah não! Então por que ficou se insinuando pra mim, dançando daquela maneira na festa? – Ele falava enquanto buscava o pênis nas calças e o tirava para fora.

—Pelo amor de deus! Guarda essa coisa… eu não quero transar com você. – Gritei.

—Vamos ver se não quer! – Ele pulou em cima de mim.

Aquele homem, que não era velho e nem novo, deveria ter uns 25 anos, pulou em cima de mim, arrancou minha blusa e começou a morder meus peitos. Doeu demais, comecei a chorar, enquanto tentava empurrá-lo, mas ele não parava. Começou a arrancar minha calcinha, eu estava de saia, e inseriu o membro dele dentro de mim, de uma só vez. Dei um grito enorme, doeu muito, senti como se algo me rasgasse por dentro. Ele começou a empurrar e empurrar, cada vez mais forte e, a cada empurro, doia muito. Eu comecei a rezar baixinho para que tudo acabasse logo… Depois de uns minutos ele puxou o membro para fora e jorrou na minha barriga.

—Não vou te engravidar, fica tranquila… – Disse enquanto arrumava as calças. E eu fiquei parada ali, sem saber o que fazer, apenas chorando baixo. – Vou te levar para casa, a gente já brincou demais por hoje… Se ajeita ai, boneca.

Aquelas palavras pareciam ser vindas de um pesadelo… eu acabava de ser estuprada e o cara agia como se fosse uma transa casual.

Depois de tudo, ele me deu um pedaço de pano pra limpar as sujeiras vindas dele e falou pra eu me arrumar, que ele me deixaria na porta da fazenda. Fiz tudo o que ele disse com medo de represálias.

—Não conte isso pra ninguém, ouviu? Se não vou dizer que você que me chamou pra fazer sexo e foi uma puta safada na hora… Vai ficar mal falada! Se não contar nada, eu também não conto. – Ele me deu um tapinha nas costas e me falou pra sair do carro.

Fiquei parada na frente da fazenda, estática, sem saber o que pensar… Eu não queria encontrar meus pais daquela maneira, eu não era mais moça, fui estuprada e não era mais virgem. Eu era uma qualquer agora. Meus pais teriam raiva de mim e me poriam para fora de casa, achando que não presto por chegar aquela hora e ter transado com um cara qualquer.

Sentei no chão de terra e comecei a chorar. Chorei tudo que eu tinha pra chorar… me lamentei por tudo e até me culpei. Levantei e comecei a andar, até chegar a uma parada de ônibus que iria para a outra cidade e fui.

Passei a noite inteira dentro do ônibus viajando para a cidade vizinha, não queria encontrar meus pais daquela forma, eu estava horrível. Cheguei na cidade por volta das 6 da manhã e comprei um lanche, as pessoas me olhavam como se eu fosse um ET, só porque era nova e estava sozinha aquela hora na rua, com uma cara de alguém que havia passado a madrugada inteira fora. Peguei meu lanche, comi numa das mesas mais afastadas de todos os trabalhadores que estavam ali e fui embora depois. Fiquei sentada em uma praça dali quase o dia inteiro, observando todos as pessoas passarem…

Até que ouvi uma voz familiar me gritando… Era minha mãe! Como ela sabia que eu estava ali? Já era quase 18hrs da noite e o dia parecia que estava passando em câmera lenta e minha mãe veio ao meu encontro desesperada, com lágrimas nos olhos.

—Donna! Como você veio parar aqui? Você está horrivel! Que dor, Donna. Pensei que havia te perdido… O que houve com você? – Ela disparava um monte de pergunta, com lágrimas nos olhos e meu pai vinha ao nosso encontro com cara de bravo.

– Donna, o que você pensa que está fazendo? Quer nos matar de preocupação? – Disse meu pai, bravo, porém, preocupado.

– Desculpa… eu não sei o que houve comigo. Bebi algo forte na festa e acordei aqui nessa cidade. – Nunca que eu iria dizer o que havia acontecido realmente.

– Já disse que você não pode beber, Donna! É apenas uma garota! – Disse meu pai. – Vamos para casa, lá a gente conversa.

—Mas como vocês me encontraram? – Perguntei curiosa.

—Jeff, nosso amigo caminhoneiro nos ligou as pressas de manhã e disse que você estava na lanchonete com uma cara horrível, viemos o mais rápido que pudemos, pois estávamos preocupados com você que não havia aparecido em casa… Agora deixa isso para lá, vamos para casa! Você precisa de um banho!

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Ao chegar em casa, minha mãe toda amorosa, preparou um banho quente na banheira para mim. Deite-me naquelas águas e deixei que lavassem toda a dor e repulsa. Deixei a roupa suja no chão embolada, assim que minha mãe as pegou, notou que havia sangue na minha calcinha. Muito sangue.

—Donna, você pode me contar a verdade, eu sou sua mãe. O que houve de verdade?

Ela sentou ao meu lado, em um banquinho, eu demorei a falar, mas não poderia esconder aquilo da minha própria mãe. Disse o que havia acontecido, só não disse quem havia feito.

Minha mãe chorou, chorou muito, como se alguém tivesse morrido, e me abraçou forte.

—Minha filha! Sabia que havia acontecido algo com você… você não é de fugir de casa… Como você pensou que a gente ficaria contra você? O errado é o homem que te molestou. Ah, se seu pai souber, irá matá-lo.

Logo me apressei em dizer que não era para contar nada a ninguém, não queria que houvesse uma tragédia… eu não queria ser culpada de uma morte ou algo do tipo, ninguém acreditaria em mim mesmo.

Minha mãe chorou, mas logo se apressou e jogou as roupas fora, para que ninguém percebesse nada de errado. Ela além de mãe, era amiga.

Terminei meu banho e tentei voltar a rotina de uma menina normal, porém, aquele homem havia tirado minha inocência e, além de tudo, minha vontade de continuar aquela vida normal de sempre.

Aquilo foi o marco entre minha adolescência e minha vida adulta “louca”.

CONTINUA

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