Os Humánimol (Pt. 1) – Feitiço Quebrado

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Capitulo 1 – Feitiço Quebrado

Por: Alfredo Dobia

              — Escute aqui meu jovem… — O rei dos Humánimol começou a falar tons de encorajamento. Sua fisionomia ilustrava traços de um homem extenuado. — Durante muitos anos eu vi você se tornando um verdadeiro homem. Você aprendeu a viver com os humanos comuns e a manter nosso segredo de forças inimigas como se isso fosse o seu único propósito de vida. Mas eles… Eles estão de volta e virão atrás de nós.

            — Eles quem? Do que o Sr. está falando?

— Dos homens do círculo. Eles estão voltando.

As manchas de dúvidas fundiram sua mente, isso não podia estar acontecendo. A ressurreição do círculo significava o começo de uma guerra pela sobrevivência, guerra essa, que há muito ele desejava que já mais viesse acontecer.

— Não pode ser! Como isso é possível?

— Eu recebi uma mensagem do conselho dos Bruxos Modernos, mas eles não deram muitos detalhes. A mensagem dizia apenas que o feitiço foi quebrado a três meses atrás e que a gente deve ficar preparado e alerta a todo tipo de ameaça.

— Mas como… como isso aconteceu?

— Como eu já disse, eles não deram muitos detalhes. Por isso eu chamei você até aqui pois você é o único que pode proteger a nossa espécie.

— O quê? — Philipe franziu a testa, atónito com as palavras do Grande Marcos e seu par de olhos cinzas fitaram o homem de estrutura figadal de modo estupeficante.

— É isso mesmo que você ouviu, eu já estou com os dias contados. Já dei tudo que tinha que dar para o crescimento e protecção dos Humanimol. Eles agora precisam de você mesmo não sabendo ainda.

                — Como eu poderei fazer isso meu rei? Eu não reúno os requisitos necessários para liderar uma espécie tao grande e poderosa como a nossa e isso viola uma das nossas leis mais importante.

Marcos repousou seus braços cansado nos ombros do Philipe antes de responder. Apesar da decadência que seu corpo apresentava, seus olhos ainda carregavam o poderio indubitável de um rei autêntico.

— Você saberá meu jovem, você saberá.

Ele terminou suas palavras caminhando de seguida a sua poltrona e um leve suspiro surgiu dos seus pulmões logo depois de se sentar.

Philip sabia o que lhe esperava e todos os seus sentidos o diziam que não eram coisas agradáveis. O fardo da responsabilidade ao saber que terá de lhe dar com seus irmãos de forma mais austera era algo que o deixava assustado. Lhe dar com os Humánimol não era algo simples de se fazer, ainda mais quando a maioria o quisesse morto. Uma enormidade de interrogações encheu sua mente de duvidas quanto as suas capacidade. Afinal de contas ele era só um jovem de vinte e três anos de idade, que lutava para trazer de volta a humanidade dos seus irmãos. Ter de lidera-los para uma batalha que provavelmente causaria milhares de corpos chacinados, era um pensamento que nunca esteve presente em sua mente moralista.

                  — Então é isso — disse o professor de história — vocês devem se unir em grupos de três e entregarem este trabalho ainda esta semana. Estamos entendidos?

— Estou sim professor.

Surgiu uma voz feminina poderosamente luxuriosa no meio da sala. O professor olhou pra ela e logo depois a turma toda o acompanhou. A voz que ouviram era de uma jovem insuportavelmente linda e atraente que vestia uma tarja preta que dava um ar de luxúria nítido aos olhos de qualquer homem. Seus lábios escarlates eram ardentemente encantadores. Mas o que ela tinha de sexy no corpo, tinha de maldade no coração. Ela era uma víbora em todos os sentidos da palavra, seus olhos transbordavam malícia de mais auto escalão. Aquilo acontecia sempre que ela abria a boca para falar, não importava do que se tratava… As pessoas ao seu redor simplesmente a olhavam cegamente mobilizados, como se entrassem em transe no meio de um ritual de bruxaria.

O ambiente frenético de sala foi substituído por um silêncio assustador até o som do sino tocar como sinal de fim da aula e cortar o clima medonho que se instalava naquele lugar.

— Mais que merda Eva. Tens mesmo de fazer essa droga o tempo todo? — murmurou um jovem de cabelos curtos e um corpo nitidamente fora de forma.

— Eu simplesmente não consigo evitar. É mais forte do que eu.

— Não precisas dar explicações nenhuma a esse idiota — disse Baltazar. A outra personificação do mal. Assim como Eva, Baltazar tinha um coração escuro e frio. Ele não dava a mínima pelos outros a única coisa que lhe importava era fazer o mal a todos humanos comuns, embora algumas vezes já tentara matar Philip com suas próprias mãos, ele era um dos Humánimol que o queria morto.

— Dizes isso porque essa porra não afecta você.

Baltazar não respondeu a pergunta do Dilan.

— Dessa vez foi de mais Eva. Vocês viram a cara do professor? Ele parecia um adolescente babaca olhando pro seu corpo invejável.

Eva abriu a boca em um leve sorriso maléfico. Seus dentes brancos mudaram de forma, de brancos e grossos para dentes anormalmente finos, quase como agulha. Era de arrepiar.

Dilan abanou a cabeça em reprovação ao comportamento dos seus irmãos. Ele sempre detestou sua espécie. Sempre achou que os Humánimol eram a personificação de escória. Ao contrário da Eva, Baltazar e outros de sua classe que achavam-se superiores aos humanos comuns, ele não via um futura de passividade entre humanos normais e pessoas como ele. Ele via sua espécie como uma epidemia que deveria ser erradicada no seu primeiro aparecimento na terra. As únicas pessoas que o inspiravam sentimento de humanidade na sua espécie eram seu rei e Philip, pois fora o grande Marcos, Philip era o único Humánimol que se importava com a vida humana… Que via um lado bom em tudo e em todos, até mesmo em aqueles que tentavam mata-los.

                Alguns segundos depois dois rapazes se aproximaram em direcção a Eva com os corações esperançosos, pedindo-a para fazer parte dos seus grupos. Por outro lado surgia uma fila de homens e mulheres com o mesmo objectivo dos dois primeiros.

— Porque a gente fica desse jeito quando ela abre a boca? — Indagou uma jovem a outra colega.

Ela encarava Eva tentando adivinha-la o pensamento. Seus olhos luziam em tons de mistério, poucas pessoas a conheciam. Ela havia sido transferida em apenas uma semana e vem observando Eva e seus amigos como se conhecesse seus segredos.

— Qual é Megan! Sério que está perguntando isso? Ela é a Eva Colin… A mulher mais linda, gostosa e poderosa desta universidade. As pessoas a adoram, os rapazes dariam tudo pra namora-la. Até eu Daria pra ela. Ela é do tipo de mulher que contem a serenidade do olhar de quem me come a hora que quiser.

Megan bufou.

— Você é louca! — terminou retirando seus materiais didácticos da carteira.

Começou a deambular lançando olhares pra trás, como se estivesse se certificando de que ninguém a estivesse seguindo. Dirigiu-se até um corredor não muito movimentado e sacou seu telefone do bolso. Após digitar alguns números apertou a tecla chamar.

— Aló! Acho que estamos muito próximo. Se tudo correr como planejado seremos os primeiros a encontra-los nesta cidade. Vou continuar a vigia-los por enquanto. Mas agora tenho de ir. Eu amo você. Tchau.

Megan desligou a chamada e ao voltar a colocar o telefone no bolso esbarrou-se com Philip, acabando por deixa-lo cair junto com seus cadernos. A mente de Philip encheu-se de lembranças aterradoras, lembranças essas, que a doze anos ele vem lutando para afoga-las ao esquecimento. Os traços da Megan pareciam-lhe familiar.

— Desculpa, mas eu te conheço.

Ambos baixaram-se para apanhar o telefone mas Megan foi mais rápida. Encarou-o cautelosamente como se estivesse tentando adivinhar os pensamentos da mente vidrada do Philip. Uma onda electrizante percorreu seu corpo e logo depois ela saiu correndo a toda velocidade sem nem ao menos dar alguma explicação. Sua corrida repentina quase a fez esbarrar-se no Baltazar que saia com Eva e Silan da sala de aula.

— Uou! O que deu nessa doida pra sair correndo desse geito? — Baltazar quis saber, mas segundos depois viu Philip encarando Megan enquanto corria e não perdeu essa pra fazer um comentário idiota como sempre. — Não!!! Não me diga que finalmente você decidiu largar essa sua capa estúpida de jovem protector e queridinho do rei para se juntar aos predadores.

— Vai a merda Baltazar! Eu estou aqui em nome do Grande Marcos.

— O que aconteceu? Ele teve mais algum desses…

— Não, não, nada disso — interrompeu Philip antes mesmo de o Silan terminar sua pergunta. — Vocês precisam voltar pra casa urgente. Problemas maiores se aproximam.

CONTINUA…

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