Tons de Vermelho-Pt.6 – Final

 

homem-e-mulher

Por Mille Meiffield

Hayden

Eu não aguentava mais a sala de espera. Não ter nenhuma notícia me deixava agoniado. Ela não podia me deixar. O que eu faria se a perdesse? Alex estava morto. Ela me perdoaria por eu tê-lo matado? Estremeci quando senti uma mão em meu ombro.

– Sargento. – era Miller, ela sempre interrompia minha falação interna perguntando se eu queria comer ou beber algo. Se ela viesse mais uma vez com essa palhaçada eu ia transferi-la para o outro lado do país.

– O que você quer agora Miller? – indaguei furioso.

– Acabei de falar com o Dr. Mansfield, ele disse que a Chloe acordou e está procurando por você.

           Não dei chance de Abbi dizer mais nada. Corri em direção a UTI e não a vi em sua cama. Mas que palhaçada  era aquela, onde Chloe estava?

– Sargento! – Abbi estava furiosa por ter que correr atrás de mim. – Chloe foi transferida para um quarto no quinto andar.

– E porque não disse logo? – ralhei.

– Será que foi por que você saiu correndo feito um louco?

Não a respondi, fui até o elevador e a impaciência me dominou por sua demora, então corri para as escadas e subi os degraus como se estivesse descendo uma ladeira. Somente quando subi o ultimo degrau que me dei conta que estava esbaforido e parei para tomar fôlego. Virei o corredor e encontrei o posto de enfermagem do quinto andar.

– Boa tarde enfermeira, uma de meus detetives foi trazida para cá. Poderia me informar o quarto por favor? – disse ansioso.

– Ela está no quarto quinhentos e vinte e sete, virando à direita naquele corredor. – Ela apontou um corredor ao norte e sem mais delongas e a passos rápidos me dirigi ao quarto.

Coloquei a mão na maçaneta e me demorei um minuto. Qual seria sua reação a tudo o que aconteceu? Ela era tão ferida, tão magoada com o passado que eu tinha certo receio de ela se fechar novamente.

Respirei fundo e bati à porta a abrindo em seguida.

Ela estava dormindo. Sua expressão era serena, tão tranquila que seu rosto rejuvenescera alguns anos. Deitada ali, imóvel e mesmo assim sem perder sua beleza. Eu precisava ver as covinhas de seu rosto quando seu largo sorriso iluminava meu mundo.

Sem perceber que minha mão já havia segurado as mãos dela, senti seus dedos apertando de leve os meus.

– Para de franzir essa testa, vai acabar ficando enrugado.

– Como pode fazer piada se acabou de levar um tiro? –  a repreendi.

– Tecnicamente não levei um tiro, a bala passou de raspão, foi só um arranhão.

– Se fosse só um arranhão você não teria vindo parar aqui e nem teria saído tanto sangue.

– A parte do sangue, o Dr. Mansfield disse que atingiu uma pequena veia, por isso tanto sangue e por isso precisei de transfusão. E sobre o desmaio, bom….

– Bom?

– Eu já desconfiava há algumas semanas, mas foi quando discutimos na delegacia, então eu não quis falar nada.

– Falar sobre o que? Chloe, você está me assustando.

– Estou grávida.

Pensei já ter visto todas as expressões de Hayden: Com raiva, irritado, apaixonado, carinhoso, feliz, com desejo. Mas essa expressão era nova, ele parecia apavorado. Ele segurou meu rosto nas mãos, com olhos marejados fitou os meus.

– Eu não faço ideia do que eu faria da minha vida se aquela bala tivesse tirado você de mim. – ele disse devagar, quase tornando as palavras palpáveis.

– Ei – eu disse beijando a ponta do seu nariz. – Eu estou aqui, nada aconteceu, eu estou bem.

Ele me abraçou e chorou aos soluços. Naquele momento eu percebi que realmente não era só sexo. Não era aquela coisa doentia que acontecia entre mim e Alex. Eu ainda estava ferida por dentro daquela época que agora parecia tão distante. Eu estava tendo uma nova chance de ser feliz e a agarrei com tudo o que pude. Hayden e eu agora poderíamos finalmente ser felizes.

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– Como está a mamãe mais linda do mundo. – Abbi Miller , minha melhor amiga veio correndo para pegar a pequena Lizzie do meu colo.

– Não tenho como te agradecer por se oferecido para passar uma noite com ela.

– Você e o sargento merecem um tempo à sós. – Abbi estava mais feliz agora que ela e Doughert assumiram o namoro para todos na delegacia.

– há qualquer momento ele chega para me buscar.

– Pensei que ele tivesse ficado lá embaixo te esperando.

– Ele disse que precisava resolver um probleminha antes de sairmos – eu disse.

– O sargento Wright sempre tem um probleminha para resolver. – nós duas rimos. Abbi tinha o dom de fazer piada em qualquer situação. – Você o ama?

– Amo. – disse sem nem pensar. – É, eu o amo. Ele foi a melhor coisa que me aconteceu Abbi.

– Fico muito feliz por vocês dois. – Ela havia colocado Lizzie no berço, ela dormia tranquila. – Wright deve ser o pai mais babão que eu conheço. – nós duas rimos. Era tão fácil rir agora que as vezes eu sentia medo dessas risadas acabarem.

– Ele é apaixonado pela Lizzie

Meu celular tocou e a foto de Hayden apareceu na tela.

– Já chegou? – indaguei sorrindo como uma boba para o telefone. – Tudo bem, já vou descer. – Qual seria a noite mágica que o meu sargento estava preparando para mim? – Abbi, se ela começar a chorar muito, me liga que eu venho na hora.

– Para de se preocupar. – Abbi me empurrou para fora de seu apartamento. – Vá viver sua vida feliz. É a sua vez de ser feliz Chloe.

 

Não esperei ela falar mais nada. Desci as escadas num átimo, ansiosa pela minha nova vida.

Hayden estava vestido com um terno preto impecável. Ele veio em minha direção com um buquê de tulipas. Seus olhos exibiam um brilho intenso, algo que eu vi em “Nick”, na noite em que nos conhecemos. Ele veio em minha direção e beijou minha testa, me segurou em seus braços por um longo momento.

– Chloe, você me deu um sentido para a vida, algo que eu não tinha há muito tempo.

– Hayden, eu…

– Você me deu a pequena Lizzie que é a coisinha mais fofa que eu conheço e amo. Eu amo você Chloe.

Ele me beijou fervorosamente, segurando meu rosto entre suas mãos. Seus braços me envolveram novamente. Eu sabia que aquele gesto não era de possessão. Depois de tudo o que passamos, Hayden tinha medo de perder a família que havia construído.

Ele tinha medo de me perder. Mal sabia que meu coração já pertencia a ele.

-Eu te amo Hayden, mais do que minha própria vida. – dei um breve beijo em seus lábios.

– Vamos, eu preparei uma surpresa para você.

 

Hayden e eu entramos no carro e ele foi dirigindo pelas ruas da cidade sem olhar para mim. Depois que viramos uma ultima esquina que eu fui perceber a onde ele estava me levando.

– The Lounge? – Indaguei confusa.

– The Lounge. – Hayden estava tão lindo e muito mais carinhoso do que de costume. Nunca fui de acreditar em contos de fadas, mas aquele era sem sombra de dúvidas meu príncipe encantado. – Pensei em dar continuidade à nossa história partindo do lugar onde nos conhecemos.

– Hayden…eu…

– Você não queria ser a garota bêbada aquela noite. Não queria ser a garota que qualquer cara levaria para a cama. – ele me deu um breve beijo. – E não foi Chloe. Eu te trouxe ao The Lounge para dizer que naquela noite, eu não vi em você uma garota que eu levaria para a cama numa noite qualquer. Eu vi em você a mulher ideal para mim. Vi em você a mulher que eu queria para ser a mãe dos meus filhos. Eu vi você “Alissa”.

– Eu também vi você “Nick”, na porta do meu apartamento. – recostei meu rosto em seu peito. Enquanto eu falava, ouvia o som tranquilizador das batidas do seu coração. – Estava tão assustada que não havia reparado direito, mas quando finalmente meu olhar encontrou o seu, senti que seria muito mais do que só uma noite. Senti a cama vazia no dia seguinte.

– Eu te amo Chloe. – ele disse acariciando meus cabelos. – Sei que é uma frase bastante clichê, mas, Deus…como eu te amo.

– Eu também te amo muito Sargento Hayden Wright.

– Trouxe você aqui para jantarmos aonde nos conhecemos, mas se não estiver com fome, pensei em passarmos a noite na mesma cama e no mesmo apartamento da nossa primeira vez.

– Não sei se você esqueceu Sargento, mas nós vendemos meu apartamento quando me mudei para sua casa.

– Eu comprei o seu apartamento. – ele sempre me surpreendia com essas notícias. Sempre soube que ele era louco, mas não imaginei o grau de loucura. Meu louco favorito. – Coloquei o apartamento no nome de Lizzie Adams Wright. Pretendo deixa-lo alugado até ela crescer e decidir o que fazer com ele.

– Você é louco Sargento Wright – eu o abracei com força. O calor do seu corpo era o que me dava a segurança de que eu finalmente havia encontrado meu lar.

– Se me chamar novamente de sargento, não sei se teremos tempo de chegar ao apartamento e vou ter que cancelar a noite romântica que planejei.

– Hayden Wright eu quero e mereço minha noite romântica.

– Isso me excita muito mais do que me chamar de sargento. – ele me beijou ardentemente e bati nele tentando me desvencilhar de seus braços.

– Eu disse que quero minha noite romântica, Hayden. – exigi o beliscando.

– Tudo bem. – ele disse rindo de mim. – Seu beliscão dói mais que seu soco. – ele riu de novo. – Você venceu. – ele beijou minha fronte.

– Então me leve para casa, sargento.

– Pensei que quisesse uma noite romântica – ele me olhou, curioso.

– Nada que algumas horas de preliminares não resolvam.

– Minha mulher é insaciável, gosto disso. – ele falou me puxando mais para si. – Esta será uma grande noite de prazer para nós dois senhora Chloe Addams Wright.

 

Alguns móveis permaneciam no apartamento. A cama onde passamos nossa primeira noite juntos ainda estava ali.

Dessa vez eu não deixaria que Hayden assumisse o controle. Era a minha vez. A minha vez de liderar o jogo. Ele me guiou até o quarto, mas antes que me guiasse em todo o jogo, eu mudei de posição. O segurei que pela camisa – que agora estava aberta até metade do peito – e o joguei na cama. Hayden me olhou surpreso, mas esse pequeno gesto pareceu excitá-lo ainda mais.

– Dessa vez sou eu quem dá as ordens. – avisei.

– Sou todo seu detetive Addams.

Como uma boa detetive eu andava sempre com minhas arma e algemas. Caminhei até o canto do quarto onde havia colocado minha bolsa e retirei as algemas. Rodei as argolas no dedo e vi num relance Hayden arregalar os olhos, são soube se de êxtase ou medo.

– O que pretende fazer com isso, amor? – ele estava tenso.

– Dar a você a melhor noite da sua vida.

Tirei sua camisa e a joguei no chão. Algemei sua mão direita, passe a corrente da algema pela haste e ferro da cama e em seguida algemei a mão esquerda;

Queria que nosso prazer nessa noite em especial fosse maior e mais intenso do que sempre fora.

Usando apenas minha respiração e leves e continuas sopradas de ar, percorri toda a parte superior de seu corpo. Senti sua ereção crescendo dentro da calça. Seus mamilos tesos mostravam o quanto ele estava adorando aquilo. Era uma lenta e deliciosa tortura e um intenso prazer quase doloroso. A respiração de Hayden estava ofegante. Instintivamente ele se contorcia para tentar se livrar das algemas e penetrar em mim, saciando assim sua agonia extasiante.

Ouvi Hayden implorando. Chamando meu nome. Suplicando para que eu o libertasse daquela agonia que pequenas lufadas de ar saídas de minha boca, provocavam em sua pele. Desci meu corpo sobre o colchão, abri o zíper de sua calça e libertei seu membro ereto. Ele estava tão excitado que seu pênis estava duro como pedra. Ele merecia muito mais prazer, então toquei delicadamente a parte rosada e macia de seu pau. Ele estremeceu ao meu toque. Umedeci os lábios e passei a língua em toda sua extensão. Subindo e descendo lentamente. Cobri seu membro com minha boca fazendo deslizar para dentro e  para fora, aumentando gradativamente a intensidade. Hayden se contorcia e gemia alto. Senti seu corpo estremecer e seu pênis pulsar  cada vez mais forte, até que ouvi meu marido gritar meu nome enquanto minha boca se enchia com seu prazer.

Fui até a pia do banheiro para cuspir o sêmen e lavar a boca. Peguei uma toalha e a umedeci. Voltei para o quarto e vi Hayden de olhos fechados. Relaxado. Ele abriu os olhos quando me ouviu de volta e me fitou com uma expressão faminta. Limpei seu pênis com a toalha úmida e já o senti crescendo de novo. Joguei a toalha de lado e abri as algemas, libertando seus pulsos, massageando e beijando o local onde as algemas deixaram marcas.

Hayden me puxou de modo que meu corpo ficasse sobre o dele e me beijou intensamente.

– Você é uma menina muito malvada.

– Eu não sou uma menina. – retorqui, beijando-o outra vez. – Sou uma mulher, a sua mulher.

– Sempre e para sempre Chloe.

 

Meu marido me virou e jogou seu corpo sobre o meu. Ele me ajudou a me desvencilhar do que ainda sobrara de roupa em meu corpo. Hayden me virou de bruços e começou a massagear minhas costas. Suas mãos, firmes e largas, que sempre me deram a sensação de segurança quando acariciavam minha pele, agora me extensiva com intensidade plena, atingindo instantaneamente meu clitóris já teso. Suas mãos desciam e subiam pelas minhas costas em movimentos suaves. A umidade no meio de minhas pernas, crescia a cada movimento de suas mãos.

– Hayden…Ah… Por favor…

– Você me torturou com requintes de crueldade, detetive Addams. Agora é a minha vez.

Suas mãos abandonaram meu corpo apenas tempo o suficiente para sua boca chegar até meu ombro. Sua língua passeou vagarosamente pelos meus ombros, subindo pelo meu pescoço, deixando uma leve mordida na base de minha nuca.

Hayden esticou seu corpo sobre o meu e senti sua ereção no meio de minhas nádegas. Ele sabia que essa era a minha posição preferida, a que eu mais sentia prazer. Ele se posicionou entre minhas pernas e me penetrou devagar. Enquanto eu o sentia deslizar para dentro de mim, uma onda de prazer pulsante tomou meu corpo. Eu queria mais, queria que ele me penetrasse com força. Com vontade. Meu marido me abraçou apertado com uma mão segurando meu seio, quanto sua outra mão segurava com firmeza meus cabelos. Hayden saiu de dentro de mim só para entrar de novo de uma só vez. Suas investidas dentro de mim me faziam tremer. Quanto mais forte e mais fundo, mais prazer eu sentia. Ele sabia disso. Meu marido mudou de posição, me segurou firme pelos quadris e o ergueu. Seu membro entrava e saía de meu corpo violentamente. Uma onda de êxtase se acumulava na base de minha barriga. Senti o pênis do meu marido pulsar dentro de mim, era seu corpo me avisando que ele estava perto de atingir ao clímax de nosso amor. Relaxei meu corpo o máximo que pude, me deixando explodir em prazer e paixão e sentindo meu amor, amigo, amante, gozar junto comigo.

Hayden me puxou para si, de modo que ficamos cara a cara. Ele acariciou minha têmpora e prendeu atrás de minha orelha, uma mecha de cabelo que teimava em cair no meu rosto.

-Você é a mulher mais linda do mundo Chloe.

– Te amo mais que minha própria vida.

E ficamos ali, abraçados, trocando juras de amor.

********

Alguns meses depois

 

– Doughert! Hill! – Hayden estava mais estressado que o normal – Quero vocês com Allen e Lewis na batida À casa dos traficantes que mataram as duas prostitutas semana passada.

– Addams! Miller! Quero as duas no interrogatório de Andy Beverly, ela sabe quem é o mandante por trás do assassinato das prostitutas. Tirem alguma coisa dela.

– Sargento, os relatórios dos patrulheiros que encontraram os corpos no beco da Oukland Park chegaram. – disse o subsargento Collin.

– Vou dar uma olhada. – Hayden respirou fundo e fez sinal para que eu o seguisse.

– Pois não sargento? – eu sempre usava o tom formal com ele quando estávamos no trabalho.

– Chloe, eu só precisava te beijar um pouco. – ele me pegou pela cintura, me tomou em seus braços e sorveu meus lábios com intensidade. – Eu precisava sentir o gosto da sua boca.

– O que está acontecendo, Hayden? – ele estava agindo muito estranho nos últimos dias. – Você não está com uma cara boa.

– Só estou um pouco cansado – ele respirou fundo novamente. – Eu te chamei aqui porque tenho um presente para você.

Ele levantou uma chave e me mostrou a foto de uma casa.

– O que isso significa? – era a casa que eu havia dito a ele que sonharia em criar nossos filhos.

– Bem, só morava um casal nessa casa enorme. – ele me beijou. – Eles perderam a filha quando era criança, eu conversei com eles, disse que você adorava aquela casa e que eu estava disposto a comprá-la. – ele abriu um largo sorriso. – Pois bem, agora ela é sua.

– O quê? – ele estava me dando a casa dos meus sonhos. – Jura?

– Juro! – ele segurou meus cabelos firmemente, puxando-os com força até inclinar com suavidade minha cabeça para me beijar com ardor.

 

Esse era o nosso amor. Nosso conto de fadas. Nossos tons de vermelho apaixonante.

 

FIM

 

 

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