Reunião – Mythos (+18)

Um Conto de Horror Cósmico, por A.J. Perez

Antonio-Jose-Manzanedo-digital-art-8.jpg

*ATENÇÃO: esse conto contem trechos de VIOLÊNCIA EXTREMA, se você for uma pessoa sensível ou facilmente impressionável não recomendamos que leia o texto a seguir. Lembramos que o Blog assim como o autor desse texto não compactuam com qualquer tipo de violência ou abuso. Essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com situações reais ou pessoas vivas ou mortas é uma infortuna coincidência.

O som de agonia reverberava pelas paredes rochosas lavadas de sangue e recobertas de corpos costurados uns nos outros em decomposição que por uma energia macabra ainda agonizavam quando já não mais poderia haver vida.  Uma decoração macabra que se estendia muito além de onde qualquer um poderia ver. Os murmúrios de maldições antigas e pedidos por misericórdia ecoavam baixo por entre as estruturas decrepitas que pareciam ter sido erguidas há milênios.

O ar era toxico e rarefeito, inala-lo seria como aspirar fogo ou algo caustico e terrivelmente corrosivo além da temperatura incrivelmente alta capaz de cozinhar a carne em instantes. O céu era negro, de uma escuridão tão profunda quanto um abismo infernal. A pouca luz que iluminava aquela terra maldita era de uma pequena esfera vermelha como sangue queimando em agonia no céu. De todas as partes daquele ambiente hostil saiam tentáculos titânicos indo até a pequena e moribunda estrela. Eles vinham de todos os locais das trevas acima e de das entranhas da terra, gigantescos e de aparência horrenda e pulsante, liberando eventualmente gorgorejos em uma linguá incompreensível.

Um ser hediondo, tão diferente de qualquer coisa conhecida e tão perturbador que sua visão seria capaz de arrancar a sanidade de uma pessoa apenas ao mero olhar, caminhava solitário nesse cenário inóspito e alienígena. Acima dele montanhas e construções flutuavam sem rumo. Seres humanoides rastejavam em agonia em meio a lama, sangue e excrementos, estendendo os braços raquíticos na direção da monstruosidade que os ignorava.

Um dos seres que não possuía pernas pois haviam sido arrancadas, foi puxado para as sombras onde outro ser idêntico a ele lhe abria as entranhas com as mãos e começou a devorar suas vísceras e suas fezes como um banquete, enquanto o outro ser apenas guinchou em desespero e dor em um tom quase inaudível.

O ser seguiu seu caminho chegando a beira de um grande oceano negro feito de uma especie liquido viscoso onde outras 11 criaturas disformes e insanas o aguardavam cada uma posicionada sobre um pilar a dezenas de metros acima do nível do mar.

— Está atrasado Hastur. — disse um dos seres entre meio a gorgorejos e sons cavernosos.

— Sim, Bolgorund. Eu andava pelos vales da agonia admirando o nosso trabalho, esqueci-me da reunião por alguns séculos… me recordei ao ver a estrela moribunda nos céus. Está na hora, correto?

— Sim, — resfolegou outro ser com uma voz feminina perturbadora — O Porta-voz o aguardava. Estava ficando inquieto depois de seu atraso, foram quase 300 ciclos.

— Lithurielle, não envelheceu nenhum milênio desde de que a vi da ultima vez… 

Ela gargalhou de maneira diabolicamente perturbadora emitindo sons indescritíveis.

— Bondade a sua Hastur, sempre foi gentil.

— O porta-voz se aproxima… silêncio!

De dentro do oceano um grande ser se ergueu, com centenas de metros de altura. Um colosso de inanidade e horror.

— Eu, Golgodutharitt, — iniciou a monstruosidade — porta-voz do eterno rei, venho até a presença dos vassalos de nosso senhor iniciar a reunião de nosso sono cíclico.

A terra estremeceu e os pilares onde cada um dos seres se assentavam começou a se mover na afastando-se da costa seguindo na direção do porta-voz.

— Que os mestres servos do grande mestre digam seus nome! — rugiu ameaçadoramente Golgodutharitt.

— Hastur!

— Axurk!

— Uz!

— Tacur!

— Zathur!

— Lithurielle!

— Mhallekith!

— Izuur!

— Bellur!

— Gah!

— Mokur!

— Dinakss!

O som se ergueu do abismo oceânico abaixo deles, um urro gutural e inarticulado.

— O Grande os aprova, o Rei Eterno do vazio vos honra com suas palavras!  — rugia o porta-voz se estremecendo em êxtase — Quão glorioso é o horror de sua presença atroz.

Todos emitiram sons de desespero e dor, o porta-voz pareceu aprovar.

— Esse mundo e toda a existência dessa criação chega ao fim, agora é hora de focarmos no por vir. Aquilo que o grande olho nos revela!

Diante deles um outro ser surgiu das águas ele liberou luz e energia e diante de todos uma esfera azul se formou. Um novo mundo, uma nova existência os aguardava.

— Eis nosso novo objetivo. Eis um novo mundo de entrada que será o primeiro de uma nova miríade do eterno banquete que se segue através das eras infindáveis.

A criatura abaixo se abriu revelando uma bocarra titânica enquanto urrava.

— Quem será o eleito? Que dentro os mestres abrira o nosso caminho?

O mundo tremeu e com ele toda a existência no universo que agonizava, perpetuando um som distorcido nas profundezas da alma, a voz carregada de insanidade chama seu campeão para abrir o portal dos mundos.

— Izuur! — rugiu o porta-voz em desespero entre meio a um chorro igualmente diabólico conforme pus, sangue e excrementos rompiam por debaixo de sua pele jorrando de seu corpanzil disforme como cascatas, diante de som da voz de seu mestre supremo.

— Honrado me sinto de ser o primeiro, não o desapontarei meu senhor…

E dizendo isso ele se lançou na boca profana abaixo sendo despedaçado em agonia e horror.

— Izuur abriu o caminho — iniciou Golgodutharitt conforme o Grande Olho mergulhava de volta no oceano negro voltando a dormir junto de seu mestre — agora nosso sono se inicia…

Os pilares estremeceram e começaram a descer lentamente rumo ao oceano, da base deles a carne dos mestres que servem ao mestre se tornava em pedra eles aceitavam o destino doloroso sem questionamentos.

— Quando despertarem, estarão em um novo mundo, um mundo jovem em um universo jovem, prontos para serem servidos a nós, para serem servidos ao Grande Rei.

O porta voz se tornou uma imensa estatua e mergulhou no mar.

os mestres dormiram mais uma vez aguardando o chamado de seu mestre, pelo novo caminho que desenhava diante deles, até um novo mundo azul que não tinha ideia do que estava a caminho.

 1333104595573400.jpg