A irmandade dos bruxos modernos 

Por Alfredo Dobia

Valter estava parado ao lado da janela, observando o

crepúsculo do sol, enquanto Chris observava o gosto musical de Lúcia

reparando os Cds amontoadas na prateleira… Taylor Swift, One

Diretion e Alicia Keys, eram os mais visíveis. Lúcia tinha

discografias de todos eles, seu gosto musical resumia-se em sua

maioria ao Pop, mas as sessões de observação dos Cds acabaram,

quando a porta do quarto da Lúcia se abriu e eles viraram seus olhos

em torno dela. 

— Quem são vocês e o que estão fazendo em minha casa? —

questionou ela, perplexa .

O medo se espalhava em seu corpo. Seu coração palpitava

descontroladamente. Não era comum acordar logo de manhã e ver

dois homens estranhos no meio da sua sala, olhando pra ela como se a

conhecessem á anos.

— Lúcia Wayler, você tem que se acalmar — disse Chris, se

aproximando dela.

— Como vocês sabem meu nome?

Ela voltou a entrar no quarto, procurou por sua bolsa. Os dois

olharam-se novamente, se perguntando o que diabos ela estava

fazendo. Valter se aproximou da porta do quarto, dando dois longos

passos pra frente e disse:

— A gente vai explicar tudo, eu prometo. Mas primeiro, você

tem que se acalmar.

Lúcia voltou do quarto.

— Olha, eu tenho um spray e sei muito bem como usa-lo —

alertou, apontando o spray nos olhos deles.

Apesar de Lúcia ser boa em auto-defesa, ela sabia dos perigos

que corria desde a ausência de iluminação nos postos da rua que

caminhava quando Sasha e o Deny não vinham a busca dela, e sabia

perfeitamente que uma ajudinha extra não faria mal algum.

Por isso, andava com o spray. Os bandidos daquela rua

aproveitavam-se da falta de luminosidade para assaltar pessoas

indefesas, principalmente mulheres e crianças

— Ai, meu Deu! Vovô — disse, olhando para a porta que dava

acesso ao corredor, junto ao quarto do seu avô.

— Relaxa, o Sr. Wayler está bem — disse Chris, num tom

plácido. Confie em nós. Ninguém está aqui para machucar você ou

seu avô — ele deu um passo para frente. — Olha, deixa-me explicar.

Eu sou Chris Anderson e este é o meu irmão Valter Anderson.

— O mais velho e o mais bonito, só pra clarear — disse Valter,

abrindo um sorriso de forma sacana. Sua paixão por ele mesmo era

admirável.

Chris o olhou abanando a cabeça, e continuou:

— Nós estamos aqui para proteger você.

Lúcia Wayler parecia ainda mais assustada e confusa após as

últimas palavras do Chris Anderson.

— Me proteger! — ela disse, entre os dentes. — Do que você

está falando? Vocês estão doidos?

De repente eles curvaram seus olhos no corredor, vendo o Sr.

Wayler se aproximando em sua cadeira de rodas. Ele não estava em

perfeitas condições, seus olhos enrugados estavam meio pálidos e seu

corpo cansado mostrava o quão rápido sua doença se agravava.

Fazia tempo que ele não vinha a sala, pois para tal efeito, tinha

de usar a cadeira de rodas e ele odiava usar aquela cadeira.

— Abaixe isso, menina — disse de modo austero. — Eles são

confiáveis.

Ela obedeceu, baixando os braços enquanto caminhava em

passos longos na direcção dele.

— Você está bem? Eles te fizeram alguma coisa? Quem são

eles?

Lúcia o bombardeava com perguntas.

— Calma, calma. Uma pergunta de cada vez. Eu sei que você

tem várias nesse momento, e eu prometo que as coisas ficarão mais

claras quando você se acalmar e os deixar explicar. Está tudo bem, eles não são pessoas mas.

Ela respirou fundo tentando se acalmar. Pousou o spray no

chão e dirigiu-se por de trás da cadeira do Sr. Wayler, empurrando-o

em direcção ao sofá.

— Deixa que eu te ajudo — disse Chris, respeitosamente.

— Não precisa — respondeu Lúcia.

Valter simplesmente sentou sem dizer nada, e nem ao menos

ser convidado. Ele cruzou as pernas, alongando os ossos como se

vivesse naquela casa desde a sua infância.

Assim que Lúcia sentou, Chris começou a falar:

— Como estávamos dizendo, nós somos os irmãos Anderson e

fomos enviados pra proteger você.

Ela ainda achava aquilo tudo aberrante de mais.

— Isso está muito confuso — disse. — Eu não consigo entender

nada do que vocês estão dizendo. Porquê não começam do início —

sugeriu —, tipo, de onde vieram? Como sabem o meu nome? E do

que raio estão me protegendo?

Valter descruzou as pernas.

— Tudo bem loirinha! Como você quiser — seus olhos azuis-

marinhos se curvaram nos da Lúcia. — A alguns anos atrás, antes de o

teu pai morrer, ele fazia parte de uma irmandade super poderosa

denominados bruxos modernos. Ele era um dos líderes desta

irmandade habitante na floresta amazónia. Estes líderes tinham o

controlo de todos os bruxos de todos os países. A grande missão desta

irmandade — era de proteger os humanos comuns das criaturas do

mal existente na terra.

Alongou seus músculos no sofá enquanto falava, e continuou:

— Mas grandes mudanças aconteceram quando Cyrius, um dos

líderes da irmandade e melhor amigo do seu pai, decidiu trair a todos.

Ele queria ser o líder supremo, queria ser o mais forte de todos, então

recorreu a práticas mágicas obscuras, a magia mais proibida pelos

bruxos modernos. A famosa magia negra. Tornando-se assim um

inimigo formidável para os bruxo.

Lúcia levantou-se, acenando a cabeça cepticamente. Agora

parecia ser informação de mais.

Chris arqueou seu corpo no sofá e continuou:

— No princípio seu pai e os outros líderes da irmandade

conseguiram impedir Cyrius de continuar com seu plano macabro,

prendendo-o em uma árvore mágica muito poderosa. Ele foi banido

do conselho dos bruxos durante muito tempo. Mais a história só

estava começando. Os bruxos tinham uma regra, não se apaixonar

pelos humanos comuns, e todos seguiam e obedeciam está regra, até

que uma certa mulher muito linda estava cuidando de um grupo de

escuteiro que acampava numa mata. Mas uma criança de

aproximadamente nove anos de idade, desviou-se do grupo,

obrigando a essa mesma mulher sair a sua procura, o que fez com que

ela se deparasse com uma criatura horrorosa da floresta.

Lúcia arregalou os olhos desagradavelmente, enquanto

buscava sentido nas palavras ditas por eles. Chris continuou:

— Mas naquele mesmo dia, seu pai estava praticando sua

magia na floresta e viu a bela mulher sendo atacada pela criatura. Sem

pensar duas vezes, ele correu para protege-la, só que foi aí onde tudo

começou… Seu pai se apaixonou perdidamente pelos olhos

acinzentados daquela mulher, e ela, apesar do susto ao ver um

homem lutando sozinho com uma criatura tão medonha como aquela,

não consegui esconder o fato de que também sentia-se atraída pela

bravura e coragem dele. E dessa forma eles se conheceram.

Chris enquanto falava, encarava Lúcia, na tentativa de prender

mais a sua atenção.

— No princípio eles se encontravam as escondidas como dois

adolescente — continuou —, depois de ele contar sobre a sua vida e as

regras sobre namoro entre humanos comuns e bruxos.

— Depois de muito tempo — continuou Valter —, ela não

queria mais viver escondida, queria poder falar pra sua família que

estava apaixonada como nunca esteve antes. Então seu pai teve de

tomar a maior decisão da sua vida, que foi abandonar o conselho e se

casar com aquela mulher. Desse casamento originou uma menina.

Seus olhos azuis percorreram o corpo da Lúcia com um curto

sorriso entre os lábios. Ele continou:

— Porém, sua saída, fez o conselho perder um dos bruxos mais

poderosos da irmandade, e a magia que prendia Cyrius na árvore foi

enfraquecendo até que ele conseguisse escapar. Cyrius fez um pacto

com um ser muito poderoso pra se vingar de todos que o

aprisionaram — e este mesmo ser deu-lhe o poder que precisava, mas

com uma condição. Se alimentar das almas dos humanos comuns para

se manter vivo…

Enquanto Valter falava, Lúcia olhava pra eles atónica, achando

aquilo tudo um autêntico devaneio.

— Cyrius odiava viver daquele jeito — prosseguiu Chris. — Ele

procurava viver formas de acabar com aquela condição, até que

descobriu que Thonsom havia quebrado a maior regra dos bruxos, e

dessa quebra surgiu uma menina muito especial, nesse caso você. A

regra de não se apaixonar pelos humanos comuns era por causa da

extinção dos bruxos, pois os filhos nasciam totalmente humanos. Só

que por motivos ainda desconhecidos pelo conselho, você não nasceu

bruxa, mas nasceste com uma alma muito forte e muito poderosa.

Lúcia conduziu as mãos até a cabeça.

— Isso só pode ser loucura — disse. — Ou eu estou num desses

programas televisivos apanhados? — era muita informação para um

dia que só estava começando. — Diz que isso não é verdade vovô, por

favor diz.

— Não posso dizer isso menina — respondeu Sr. Wayler. —

Tudo que eles estão dizendo é verdade, mas você tem que prestar

bem atenção porque o pior ainda esta por vir.

Ela franziu a testa.

— Tem coisa pior que descobrir que seu pai morto foi um

bruxo super poderoso e você nunca fez a mínima ideia?

— Tem — respondeu Valter. — A alma que você carrega atrai

Cyrius até você. A morte do seu pai não foi uma obra do acaso, mais

sim do Cyrius. Ele estava procurando Thonsom para chegar a você.

Mais assim que o encontrou, toda a irá que sentia pelo seu pai veio

atona, O Senhor Das Almas como muitas vezes o chama, não

conseguiu evitar e matou ele. Mas sua morte fez com que

misteriosamente todo seu poder se juntasse a alma poderosa que você

carrega.

— Lúcia, sua alma é tão poderosa que se Cyrius conseguir por a

mão será o fim de tudo e de todos. O terror reinará na terra.

— E é aí onde a gente entra — disse Valter, enquanto

caminhava até a geleira na maior descontracção. — Nos somos os

guardiões do conselho, somos os melhores, e fomos enviados para

proteger você das garras do Cyrius. Ele está louco e cego pelo poder, e

tem procurado por você a já um bom tempo. Mas o vovô aqui tem

feito um bom trabalho.

Valter tirou uma cerveja e parou ao lado do Sr. Wayler.

— Seu avô vem escondendo você do Cyrius durante anos,

através de um feitiço de ocultação — explicou Chris . — Esse feitiço

faz com que o poder da sua alma seja oculto da magia de Cyrius. Mas

infelizmente esse feitiço é demasiado forte e tem um preço alto a se

pagar. Ele desgasta fisicamente a pessoa que o lança, com isso, surgiu

o câncer no seu cérebro. Seu avô está cansado e sua magia vem

falhando nos últimos tempos, por isso os médicos não conseguiram

fazer nada até agora. Isso é algo que está muito além dos seus

conhecimentos, por…

— Uo, uo, uo, espere um pouco — interrompeu ela. — Isso

quer dizer que o vovô também é um bruxo?

— Sim, e dos bons — confirmou Valter, depois de um gole

longo na cerveja. — O conselho deixa a liderança nos mais forte.

Antes do seu pai ser um dos líderes, primeiro foi o Sr. Wayler. Ele era

incrivelmente bom, treinava magia e artes marciais.

Valter deu o último gole e pôs a garrafa sobre a mesa.

— Bem — continuou. — Agora que você já sabe de tudo. Há

que se estabelecer algumas regras, começando em não contar nada do

que ouviu aqui a mais ninguém, nem mesmo nos seus amigos. Já foi

difícil de mais ter que carregar eles ontem a noite.

— Ontem a noite — Ela disse, perplexamente. — Se aquilo não

foi um sonho, então onde eles estão? O que vocês fizeram com eles? E

que cão era aquilo?

— Calma Lúcia, está tudo bem — disse Chris. — Eles estão

dormindo no outro quarto ao lado. Nós fizemos um feitiço pra eles

esquecerem de tudo e só vão acordar quando a gente quiser — ele fez

uma pausa. — Pelo menos até você prometer que não vai contar nada

pra eles.

Lúcia arqueou as sobrancelhas.

— Eles são meus melhores amigos, nunca escondemos nada um

do outro.

— Confie em mim, será o melhor pra segurança deles. Não

podemos os envolver nisso.

— Ok! Se for pra segurança deles, eu prometo.

Valter caminhou até ela.

— Já que está tudo resolvido — disse ele. — Eu vou pro meu

quarto. E já agora, aquilo não era um cão, era um Crady. Uma espécie

de criatura que assume a aparência de um cão para quando você se

simpatizar com sua fofura e ternura, atacarem você violentamente.

— Ahm, boa. Acho que nunca mais conseguirei olhar pra um

cão novamente por causa daquela coisa. E como assim vai pro seu

quarto? Vocês não estão pensando em viver cá, estão?

— Na verdade, estamos sim. Essa casa é bem espaçosa e tem

vários quartos, e eu adoro casas espaçosas com vários quartos.

— O Sr. vai permitir isso? — indagou Lúcia, parecendo

incrédula.

— Eu não estou mais em condições para brigar se Cyrius

aparecer por cá, e a minha magia já está bem fraca. Por isso convidei

eles para viver aqui com a gente. Será o melhor pra sua segurança.

— Eu prometo que a gente não vai incomodar em nada Lúcia,

só achamos que é o melhor modo de proteger você.

A forma que Chris se dirigia pra Lúcia, era algo que

subliminarmente ela adorava. Chris Anderson era totalmente

diferente do irmão. Ele era mais atencioso, calmo e tinha um jeito

especial de fazer as pessoas prestar atenção nas suas palavras como se

estivesse hipnotizando-as. Já Valter, era mais do tipo indolente, e

arrogante.

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