A Corte [Parte 16] –Revelações

Escrito por: A.J. Perez

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“A Corte: Capitulo 16 – Revelações”

— Então? — a voz que Guillehal se fez ouvir logo após o corpo de Mark ser lançado ao solo.

— Vossa Majestade poderia me dar um tempo? — disse Marcus rolando no chão sentindo a cabeça girar.

Guillehal soltou uma gargalhada ao ver a cena.

— Eu realmente gosto dessa cara. — completou o rei.

— Achamos o assassino, ele ainda estava na cena do crime. — disse Natalia se sentando.

— O que? — ralhou Abraxas, ele parecia furioso, todos os demais membros da corte se remexeram e murmuraram.

— O miserável estava lá o tempo todo? Quem é?

— Não sabemos. — disse Mark se sentando e em seguida se levantando. Ele andou até Natalia e a ajudou a se levantar antes de continuar — Havia um bueiro semi aberto alguns metros a frente no beco, havia luz lá em baixo, luz de velas e alguém, parecia estar escutando tudo que vocês falavam.

— Maldição, bem embaixo do nosso nariz, comandarei a busca pessoalmente. Abraxas prepare os guerreiros, chame aquele lobisomem rastreador de novo.

 — Agradeço sua ajuda Marcus, bem como a de minha amada sobrinha, claro que nos veremos de novo afinal, o fato de você não possuir aura é deveras interessante e vamos adorar conversar mais com você, e não tendo Corte ainda, poderá escolher de qual você quer participar, poucas pessoas tem essa chance, aproveite-a bem e com sabedoria. Seu carro o aguarda na frente do clube. Obrigado por tudo, e desculpe meus modos rudes, não gosto quando matam os meus.

— Eu também não gostaria.

— Eleanor, jovens… Foi um prazer. — Guillehal indicou a porta aos “convidados” e se aproximou da mulher Seelie sussurrando para que só ela ouvisse.

— Eleanor, para o seu bem que seja um desgarrado ou um Unseelie, por que se for um dos seus, haverá guerra.

Eleanor assentiu com a cabeça.

— Vamos torcer pelo melhor final então. — disse ela olhando Guillehal nos olhos.

— Sim, nós vamos…

O rei se afastou subindo as escadas.

Eleanor foi na direção dos dois jovens e pegou nos braços de ambos.

— Vamos logo embora. Você está de carro, certo Marcus?

— Sim…

— Seria muito pedir uma carona?

— Não, eu levo vocês, mas eu quero explicações… Até acordar hoje eu era humano e agora tudo isso todas essas coisas e poderes e…

— Você está se saindo bem. Tem uma mente forte! — disse Natalia lhe olhando com certa admiração no olhar.

— Vamos lhe dar todas as informações que desejar. Não se preocupe agora, vamos para a Corte Seelie.

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O portal de ferro da mansão Seelie rangeu alto quando se abriu para o carro de Mark passar. Logo à frente a imponente mansão se erguia o deixando nervoso, o que ele encontraria dentro de suas centenárias paredes, que tipo de mistérios e “pessoas” habitariam aquele lugar? Finalmente ele parou o carro e desligou o motor. Ficou ali encarando a porta da frente da mansão por algum tempo até que a voz de Natalia o trouxe de volta a realidade.

— Mark? Vamos descer? — o tom de voz dela era gentil.

— Claro, vamos. — afirmou ele tirando o cinto e abrindo a porta em seguida.

Eleonor desceu junto com Natalia, ela fitou Mark por alguns momentos, ele de fato era um mistério. Ela havia perdido as contas de quantas vezes só durante a viagem de carro ela tentou ler ele e não obteve nada como resposta, nem sequer teve um palpite ou conseguiu pensar em algo que ele pudesse ser.

— Bem… Vamos nessa então. — Nath tomou a frente subindo as escadas, Mark a seguiu e por ultimo foi Eleanor.

A pesada porta dupla de madeira nobre se abriu assim que Natalia se aproximou.

— Tenho a leve impressão de que isso não tem a ver com Sensor de movimentos.—resmungou Mark atrás dela.

— Você está aprendendo. — ela sorriu.

Dentro da mansão Mark viu que de fato não se pode julgar um livro pela capa. O interior era lindo, muito bem asseado e iluminado.

— Nossa, isso é bem diferente do que eu esperava.

— Depois te mostro as catacumbas. — Sentenciou a gótica rindo.

— Finalmente retornaram! — ralhou a voz masculina vinda do fundo do hall de entrada.

— Ótimo, vamos começar com o pé direito. — resmungou Natalia ao ver Jared vindo na direção delas.

—Eu cuido disso, — afirmou Elanor — leve Marcus para o Santuário dos Oito, responda tudo que ele quiser saber, afinal como futura sumo-sacerdotisa você enfrentara momentos assim com varias pessoas, vá. Se sairá bem.

— Esperem ai quem é esse? Não fomos apresentados! — resmungou Jared.

— Ignore e venha. — Afirmou Natalia pegando na mão de Mark e o puxando para um corredor a esquerda.

— Espere! Esse é o desgarrado sem aura? Vocês ficaram loucas!

— Temos problemas maiores, os Unseelie estão vindo pro nosso território! — o grito de Eleanor chamou a atenção de Jared, ela então baixou o tom para que só ele pudesse ouvir — o assassino está vivendo em nosso território, ele tem um esconderijo aqui. Se ele for Seelie, haverá guerra…

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Depois de andarem por uma serie de corredores a garota finalmente abriu uma porta, revelando um grande salão octogonal de pé direito alto.

No centro do salão havia uma mesa disposta como algum tipo de altar e logo atrás de uma destas um pilar de pedra retangular com uma intrincada rede de símbolos.

— O que é isso? — indagou Mark se aproximando do pilar.

— É a representação da árvore da existência, que conecta a tudo e todos. Chamam ela de Árvore de Sefirot vou lhe mostrar…

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— Ela faz a representação de dez das emanações de Ain Soph que existem na cabala, que são de cima pra baixo e da direita para a esquerda seguindo a ordem: Kether, a Coroa, Chokmah, a Sabedoria, Binah, o Entendimento, Chesed, a Misericórdia, Geburah , o Julgamento, Tipareth, a Beleza, Netzach, a Vitoria, Hod, o Esplendor, Yesod, o Fundamento e Malkuth o Reino. É através da arvore da vida que tudo existe, sem ela não haveria nada.

— Entendo, mas você pulou uma, ali no meio tem uma outra esfera chamada Daath. apontou Mark.

— Bem, pelo menos isso mostra que você está prestando atenção. Daath, o abismo. Ele representa uma sephirah falsa, de caos e enganação. Diferente das demais ele não possui luz divina própria. Estudiosos comuns de cabala, ou seja, os “humanos comuns” não entendem o seu real significado porque é bem complexo, pra entender ele é necessário entender os Oito Aspectos.

— Os oito, você já tinha mencionado isso antes. O que são exatamente?

— Está no templo deles e nem percebeu? — Natalia abriu os braços e olhou ao redor.

Mark se virou e então viu que a sala não era octogonal por um motivo apenas estético. Em cada parede logo acima haviam imensos vitrais incrivelmente trabalhados mostrando imagens de seres femininos, um em cada parede, estava na hora de conhecer os Oito.

— Os oito — iniciou Natalia andando ao redor dele e olhando na direção dos vitrais — são a fonte de poder dos sobrenaturais. Assim como a Árvore de Sefirot sustenta a existência os Oito sustentam nosso poder. São Fúria,— um mulher ruiva com os cabelos em forma de chamas destruía uma cidade abaixo dela com fogo — Amor,— uma jovem nua dormia cercada de flores em um campo — Ódio,uma mulher sentada em um trono negro olhava o mundo a sua frente com desprezo — Loucura,— uma mulher sorria ao cair em um turbilhão repleto dos mais variados objetos e coisas — Desejo, uma jovem com um vestido vermelho e provocante seduzia um cavaleiro sem rosto — Tempo, uma mulher austera de expressão séria e sem emoção  segurava uma ampulheta — Destino uma mulher vestindo branco chorava ajoelhada enquanto o mundo ao redor dela apodrecia e sangrava — e Morte — uma mulher jovem vestia negro, ela sorria gentilmente e um capuz cobria o topo de sua cabeça, diferente do que se esperaria da personificação da morte ela parecia incrivelmente serena, e até certo ponto maternal.

— Sempre imaginei a morte como algo, mais agressivo ou cruel.

— Não, não a verdadeira morte… — iniciou Natalia — todos estamos fadados a encontrar com ela um dia. Não é fim, é um começo. A morte só é cruel para os vivos, para os que se vão ela é como um mãe. Morrer é a uma parte essencial da vida.

— Se você diz… Mas então esses são os seus “deuses”? É graças a eles que todas essa emoções, esses “aspectos” da existência então no nosso mundo?

— Não! Eles não são deuses e não influenciam nosso mundo de maneira alguma. Deuses criam, os Aspectos não tem a capacidade de criar nada. Na verdade é quase o oposto disso. Você sabe o que é uma egrégora?

— Não.

— Egrégora é um forma pensamento, quando você pensa em algo manda energia para o universo, porque tudo no universo é energia. Porém, energia não se dissipa ela não pode simplesmente desaparecer.

“A energia não pode ser criada nem destruída apenas transformada de uma forma em outra, ou seja, a quantidade de energia total permanece constante”. É a primeira lei da termodinâmica, você esta usando ciência pra explicar magia?

— O que é a magia se não a aplicação de uma ciência ainda desconhecida para moldar a estrutura energética do universo?

— Isso é… Realmente interessante.

— Sabia que era um Nerdão. — disse ela rindo.

— Bem, continuando. A energia de nossos pensamentos assim como a de nossas emoções vai para o cosmos, e da mesma forma que imãs se atraem os fragmentos de egrégora fazem o mesmo. Quando elas adquirem uma carga de energia considerável se tornam auto suficientes até certo ponto, para alguns até mesmo conscientes. A personificação das principais emoções e pensamentos humanos. Nós criamos os Oito Aspectos, eles são um reflexo nosso.

— Então por que o templo?

— Essa é mais difícil de explicar, vamos lá. Os sobrenaturais não são originalmente desse mundo, nossos ancestrais vieram de outras realidade para essa usando portais por onde o fluxo de energia corre livre entre os universos. Nos chamamos essa energia de “Nether“. Ele está em todo o lugar, e conecta a todos nós, uns nos outros e tudo mais no universo como os Oito e a Árvore de Sefirot.

— Eu meio que me perdi agora.

— A Árvore de Sefirot é a chave da existência, tudo que existe é graças a ela, ela esta ligada a nós através do fluxo de energia chamado Nether, essa mesma energia que nos conecta aos Oito Aspectos, e se expande de nosso universo para outro infinitos universos de onde nossos ancestrais vieram.

— É a coisa mais incrível que eu já ouvi, quer dizer… Energias, formas pensamento, multiverso. Se não tivesse visto as cosias que vi antes eu… É muita coisa pra assimilar.

— Você está indo muito bem até, já vi pessoas surtarem por menos.

— E tudo isso vai me ajudar a entender Daath?

— Esperava que você já tivesse esquecido… Bem venha até aqui.

Natalia seguiu até o grande livro que repousava sobre a mesa e começou a folheá-lo na procura de algo, então começou sua explicação.

— Daath, como disse simboliza o abismo e o caos, eles também possui uma egrégora que não colocamos aqui.

— Um nono aspecto?

— Sim, o aspecto da destruição. — ela virou o livro para mostrar a ele uma imagem — Nós o chamamos de “O Devorador“. Uma entidade que existe com a única finalidade, destruir e devorar toda a existência.

— Nosso universo?

— Não, ele quer destruir e devorar todos os universos, drenando seus sóis, devorando seus planetas, sugando suas nebulosas, trazendo aos poucos o vazio e a escuridão eternos a absolutos.

— Essa coisa está solta por ai?

— Não aqui. Ele está em outra dimensão, todos os universos que ele devora se tornam um com ele. Ninguém sabe ao certo como ele rompe a realidade e viaja de universo em universo só podemos especular, embora existam algumas lendas.

— Mas vocês sabem ir pra outro universos, certo? Digo, nós… Nossos ancestrais vieram de outras realidades.

— Esse conhecimento se perdeu. Tudo que temos são lendas, e nelas o Devorador deve ser convidado a vir ao mundo só assim ele pode iniciar a invasão com seus exércitos abissais, mas geralmente pelo que sabemos antes de vir ele envia seus generais a realidade em questão, eles recrutam novos servos ao Devorador e então eles o trazem para aquele mundo, e assim sucessivamente.

— Algum general por aqui?

— Não até onde sabemos. E claro, pra muitos o Devorador não passa de histórias, o que você acha?

— Depois de tudo que eu vi essa manhã e você me contou, eu não duvido de mais nada.

— Faz bem… Bem por fim aqui estamos no templo, e você perguntou o motivo de termos o templo, bem o templo e as sacerdotisas ajudam a canalizar o poder dos oito para o cerne da corte. Todas as Cortes ao redor do mundo tem sacerdotisas e esse é o papel delas.

— E o papel da sumo-sacerdotisa?

— Esse eu vou ficar te devendo por hoje… E tem mais, por hoje já está bom de aulas, vamos te deixar assimilar isso, amanhã se quiser te explico os aspectos políticos e leis das cortes mais detalhadamente.

— Você que está ensinando, então okay, acho que preciso de um tempo também.

— Bem, se eu conheço esse pessoal todos já devem saber que “o desgarrado sem aura está na corte” e devem estar afim de falar com você, provavelmente o conselho também.

— Temos mesmo que fazer isso?

— Pode crer que sim… Vem vamos lá.

————————————————————————–

Continua…

2 comentários em “A Corte [Parte 16] –Revelações

  1. Uma verdadeira aula pra explicar esse universo lindo que você cria, estou encantada e lisonjeada como muito ficarão com a meticulosidade de cada pedacinho desse conto. Apaixonante e cada vez mais insuperável! Parabéns Assis e muitíssimo obrigado, um capitulo lindo demais de se ler… ❤

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  2. “A morte só é cruel para os vivos, para os que se vão ela é como um mãe.”
    Que lindo! Estou cada vez mais encantada por esse universo… *-*
    …que vai ser engolido pelo Devorador. ;-;
    Hahahaha!
    Aguardando o próximo capítulo!!

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