A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 4) – Crady

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Por: Alfredo Dobia

Capítulo 4 – Crady

Desde o pequeno acidente de carros nos postos de iluminação, a rua de Manhattan que Lúcia caminhava para o seu regresso a casa, depois de sair do bar, estava meio escuro. Na maior parte das vezes, Sasha vinha a busca dela com o seu Prado, mas hoje ela o levou para manutenção e decidiu vir buscar Lúcia mesmo assim na companhia do Deny, para juntos caminharem.

— Ouvi dizer que tu deste uma surra nuns idiotas hoje de manhã — comentou Deny, enquanto em passos curtos eles caminhavam.

Lúcia não era uma garota comum como todas as outras. Desde a morte de seus pais que ela vem treinando artes marciais com seu avo que vive lhe dizendo que muita coisa está pra mudar na sua vida, o Sr. Wayler acreditava que sua neta iria viver dias complicados. Ele nunca procurou dar detalhes sobre o que estava pra vir, apenas a dizia para tomar cuidado.

— Aquilo não foi nada — respondeu ela. — E olha que eu estava morrendo de medo quando o garoto apontou-me com o revólver.

— Ah tá! Só me lembre de nunca brigar com você.

Lúcia sorriu, e em rápidos segundos ouviu um barulho.

— Espere um pouco. Vocês ouviram isso?

Eles já estavam ao fim de um beco meio apertado prestes a transitar a rua.

— Não brinca com coisas sérias Lúcia, você sabe da minha claustrofobia. — disse Deny.

Sasha mergulhou em um sorriso, vendo a cara de medo do Deny. Ela achava que Lúcia só dissera aquelas palavras para o assustar.

— Não é brincadeira — respondeu Lúcia. — Sinto que tem alguém nos seguindo.

Ela se virou para trás e seus amigos a acompanharam, quando logo de seguida, Sasha voltou a sorrir ao perceber que um cachorrinho lindo de pelos cheios e pretos estava bem por trás deles, abanando a calda com a língua fora.

— Acho que você está precisando de um homem na tua vida — comentou Sasha. — Porque definitivamente você está ficando paranóica, e acho que um homem te ajudaria muito esquecer esses bêbados e adolescentes briguentos que você atura todos os santos dias.

Em decepção, Lúcia responde:

— Talvez você tenha razão. Acho que tenho ficado meio louca ultimamente. Venho sentindo que tem gente me seguindo e me observando todos os dias desde que o vovô ficou doente…

Enquanto ela falava, o cachorrinho transformava-se numa criatura corpanzil e horrenda. Seus olhos castanhos ficavam vermelhos, quase como sangue, e dava pra ver perfeitamente com a escuridão que dormia naquele lugar.

A calda da criatura estava coberta de espinhos, e a baba que saia de sua boca era impressionantemente esquisita e assustadora, parecia alcatrão, era preto e super pegajoso. Cada vez que caia ao chão, fazia com que o mesmo derretesse em rápidos segundos.

— O meu Deus! — Deny exclamou, entrando em um ataque de pânico. — Que raio de cachorro é esse?

— É melhor a gente correr — disse Lúcia. — Tenho pressentimentos que não vamos gostar de descobrir.

— Droga Lúcia! Será que você não pode parar de ter pressentimentos, pelo menos só por hoje?

Logo que eles tentaram correr para outra direcção já atravessando o beco, a criatura saltou para frente deles com os olhos grudados na Lúcia. Sasha por sua vez, descalçou um dos pares do seu sapato e atirou contra o rosto abismal da criatura, o que fez com que desse um rugido cerval.

— Isso não foi uma ideia muito inteligente. — Comentou Deny, notando que a criatura parecia ainda mais enfurecida.

eles sentiam-se espavoridos com os urros arrepiantes dela.

O corpo do animal pavoroso, até cerca de um minuto visto como um cachorrinho dócil e manso, agora tornou-se numa criatura irreconhecível, com dentes grossos e pontudos. Sua calda levantou-se, e um monte de espinhos saía dela em direcção a eles, que rapidamente levantaram as mãos para cobrir o rosto.

Mas na frente, apareceu de forma súbita um homem de olhos esverdeados, costas largas e braços fortes. O homem de seguida levantou as mãos e um fluxo luzente da cor de seus olhos, se formou a volta deles, fazendo com que os espinhos lançados pela criatura, acabassem por cair logo que chegava perto do fluxo.

Aquilo funcionava como um escudo.

A calda da criatura não parava de lançar espinhos, até que em um movimento rápido, um outro homem saltou por cima da criatura, e com duas facas nas mãos, enfiou-as no pescoço colossal dela, que em resposta da dor, soltou um bramido pavoroso, abanando a calda em direcção ao homem que por cima dela estava, acertando-lhe com três espinhos negros e aguçados. O homem por cima da criatura caiu, enquanto suas costas feridas gotejavam sangue pelo chão seco da rua. O outro homem de olhos verdes baixou as mãos e a luz que produzia se apagou de seguida.

— Valter! — gritou ele. — Você está bem?

— Eu fui atingido por três espinhos. É sério que você quer ter essa conversa agora? Olha, apenas mate-o, depois conversamos sobre o meu estado.

O homem de olhos verdes sorriu e logo de seguida se virou pra criatura. Valter porém, levantou seus braços na direcção da fera, e as facas que ele enfiara no pescoço dela, voltaram pra sua mão, como se fosse um íman que a puxara. A criatura urrou intensamente e ele pode sentir o hálito quente e fedorento exalando de sua abominável bocarra.

— Ei, Chris! — disse ele, pronunciando o nome do seu parceiro que preparava-se para o ataque. — Se você não matar essa coisa, eu juro que mato você.

De seguida ele lançou suas facas para Chris, que de um jeito habilidoso, saltou por cima da criatura, enquanto Valter de modo sortilégio, prendia a cauda dela para não acontecer ao seu parceiro o que acontecera a ele.

Chris voltou a apunhalar a criatura pelo pescoço que transbordava uma espécie de sangue preto. Ela lutava para tirar o homem do seu corpo gigantesco, até que começava a ficar mais cansada a cada abrutada apunhalada, e logo a seguir, a fera acabou evaporando, como fumaça.

Lúcia e seus amigos estavam em choques. Eles morriam de medo dos homens que estavam na frente deles, mesmo depois de ter salvado suas vidas. Na verdade, não era pra menos pelo que eles haviam acabado de presenciar. Valter levantou as mãos, pronunciando algumas palavras esquisitas, e em poucos segundos, Lúcia, Sasha e Deny acabaram por cair apagados. Tecnicamente desmaiados.

— Era mesmo necessário fazer isso? — perguntou Chris.

— É claro que sim. Ela não iria entender a nossa explicação. Pelo menos não agora.

— E os seus amigos?

Valter bufou.

— Só queria que eles calassem a boca. Agora ajuda-me a levantar, vamos leva-los pra casa.

De seguida, Chris estendeu a mão para Valter ajudando-o a levantar, e juntos levaram Lúcia e seus amigos para casa da Lúcia.

Continua…

Obs: Pt. Escrito em português de Portugal.

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