Senses – Capítulo 1

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Por Mille Meiffield

                     A estressante vida na cidade grande estava me deixando doente. Não conseguia mais pensar nem raciocinar direito. Minha mente estava uma bagunça. O grande feriado de quatro de julho estava chegando e o insuportável calor que fazia em São Francisco essa época do ano era simplesmente insuportável.  Minha amiga Hallie e seu marido tinham tudo o que eu precisava e era maravilhoso ter também a companhia deles. Há muitos anos, desde a época do colégio, éramos os três inseparáveis. Todos achavam que Vincent e eu tínhamos um caso escondido de Hallie, mas na verdade ele ia à minha casa como meu namorado para eu poder sair com eles dois. Nunca me senti sobrando ou intrometida no meio dos dois, até porque sempre me fiz de invisível.

                Eles haviam se mudado para Boston, onde o calor era ameno no verão, nada insuportável como na Califórnia. Meus dias de grande editora de moda na revista Week Beauty tinham chegado ao fim. Eu não ia me rebaixar a ser amante do editor chefe para continuar no emprego, e como estava furiosa e gritei aos quatro ventos que ele jamais me intimidaria e que eu jamais dormiria com ele na frente de todos do escritório, ele simplesmente me demitiu e enviou email para todos os editores de todas as revistas de moda respeitáveis dizendo que eu havia sido demitida por rasgar um documento importante em um ato de rebeldia. Ele tinha prestígio no mundo da moda e eu era apenas a editora em início de carreira, então meu emprego foi para o ralo.

                Quando Hallie soube que eu estava desempregada e com o projeto de escrever um novo livro me convidou para passar um tempo com ela e Vincent em Massachusetts. Eu não pude recusar.

                Vincent era administrador de uma multinacional e havia comprado uma cobertura caríssima para eles morarem com o intuito de dar grandes festas e jantares para amigos, mas Hallie era mais quieta na dela, então esses eventos raramente aconteciam. O melhor de tudo é que havia um terraço com vista panorâmica. Todos os lados da cidade ficavam sob minha vista. Era maravilhoso estar lá tanto no alvorecer quanto no crepúsculo. Mas Hallie era mais voltada ao seu trabalho como designer de interiores e nunca saía do computador para ver a vista. Sempre voltada a novos projetos.

                Enfim chegou quatro de julho e avião pousou tranquilamente no Aeroporto internacional de Boston. O clima era de festa e comemoração por todo lado. Eu só queria poder pegar minha bagagem, procurar um táxi e chegar ao apartamento de minha amiga. Em sua silenciosa cobertura em meio ao caos da cidade.

                Fiquei cerca de quarenta minutos esperando um táxi disponível. Essa época de feriado era praticamente impossível encontrar transporte. Entrei no táxi e passei o endereço ao motorista. Tinha cerca de meia hora para descansar um pouco. Então relaxei e acabei cochilando. Quando abri os olhos estava há cerca de duas quadras de onde Hallie Morava.

                – Chegamos senhorita. – disse o motorista.

              Agradeci, e enquanto ele pegava minha bagagem procurei uma nota de vinte dólares para dar-lhe de gorjeta. Ele agradeceu e partiu.

                Apertei o botão do interfone, mas não foi necessário. Hallie não estava em casa, mas havia dado instruções para o porteiro me deixar entrar no prédio e me entregar a chave do apartamento.

                – Bom dia senhorita Brend, a senhora Wyat disse que seu quarto é o de sempre e já está tudo arrumado para a senhorita se instalar.

                – Obrigada, mas, por favor, nada de senhorita, me chame apenas de Evie.

                – Como a senhorita… quero dizer, como você quiser.

                O porteiro, um homem baixinho e gorducho, com cabelos castanhos opacos e oleosos me ajudou a subir com a bagagem. Ao chegar ao apartamento no vigésimo setimo andar fiquei deslumbrada com o que ela tinha preparado. Ela havia mobiliado o quarto como se eu fosse morar ali com ela. Ou alugar aquele espaço. Não tinha planos de passar mais que duas semanas no apartamento, mas também não tinha planos de mais nada. Eu era uma exelente editora de moda, não sabia falar ou fazer nada diferente. Tinha uma pequena fortuna guardada, mas dinheiro nunca dura para smepre. Eu tinha que arrumar um novo emprego e logo. Meus novos planos eram de trabalhar como editora em alguma publisher pois a segunda coisa que eu mais amava na vida era ler. Tentei escrever algumas histórias, para ver se conseguia me adaptar e ser uma boa escritora mas nunca estavam do meu agrado. Fiquei arrasada quando li para um editor que eu pensei ser um grande amigo meus pequenos trechos de um conto que eu tinha certeza que poderia deslanchar, mas ele riu da minha cara e disse que até uma criança de cinco anos faria melhor. Eu congelei na hora. Me senti uma inútil. Precisava dar um jeito de reconstruir a minha vida. Eu sabia que era boa em escrever, mas tinha que ser a melhor.

                Hallie e Vincent chegaram pouco mais de duas horas depois que eu cheguei, eles traziam sacolas com comida e duas garrafas de vinho. Não entendo muito de vinhos, mas torcia para que fosse vinho francês, uma vez eu tomei algumas taças na festa da editora e o sabor é maravilhoso.

                -Evie Brend porque não veio nos visitar antes? – Hallie veio correndo na minha direção e me pegou em um forte abraço. Havia tanto tempo que eu estava precisando disso que comecei a soluçar em seus braços sem perceber.

                – Me perdoa, Hallie, eu estou bem, juro. É só que fazia tanto tempo que eu não me sentia bem vinda em algum lugar que acho que precisava por isso pra fora.

                – Tudo bem chorona. – disse Vincent se aproximando para deixar um beijo em minha bochecha e bagunçar meu cabelo. Ambos eram como os irmãos que eu não tinha.

                – Aqui você sempre será bem vinda Evie, sempre .- disse Hallie

                – Obrigada.

                – Bom, vamos nos preparar para o jantar? – disse Vincent esfregando as mãos com entusiasmo. – Evie, espero que ainda goste de comida Tailandesa. Encomendei algumas variedades.

                – Amo comida Tailandesa.

                A noite transcorreu tranquila. Os únicos sons no apartamento eram as nossas risadas. O passado de solidão e sofrimento quando Hallie e Vincent foram embora da California e me deixaram sozinha trabalhando como editora em uma revista renomada mas cruel com os empregados, ficou para trás. Uma nova vida me aguardava ali.

                – Evie, soube que você estava namorado com o Hardy, é verdade? – Indagou Vincent

                – Hardy era um cretino, ficamos juntos algumas vezes, mas depois que dei o fora nele , ele ficou infernizando minha vida. Então para eu não ter que pedir uma medida cautelar contra ele preferi deixar um pouco a vida pessoal de lado e focar apenas no trabalho.

                – Focar apenas no trabalho? – repetiu Hallie parecendo indignada. -Evie rejeitar cinco anos da sua vida, para se doar integralmente aquele trabalho, não é deixar a vida social de lado, é desistir de ter uma vida. E o que voce ganhou com isso? Nada!

                – Não é bem assim Hallie, eu tinha um grande futuro na Week Beauty, meu antigo editor era uma amor, depois de ele ter morrido naquele maldito acidente, o presidente da editora resolveu contratar alguém experiente de outra revista, mas tínhamos muitos bons nomes para substituir o antigo editor chefe. Hal sempre foi um maldito nojento, ele submeteu várias das garotas a serem seus brinquedinhos para garantirem o emprego…

                – E na sua vez, foi a hora de gritar pra todo mundo ouvir que ele era um vagabundo.

                – Mais ou menos isso. – respondi a pergunta de vincent.

                Um bocejo involuntário me fez perceber o quanto me sentia cansada.

                – Vamos comer logo Hallie – disse Vincent. – Evie precisa descansar.

                – Eu estou mesmo exausta, mas não estou com fome.

                – Porque não vai para o quarto relaxar um pouco. A hora que estiver com fome é só esquentar a comida no micro-ondas. – Hallie e eu sempre cuidávamos uma da outra, era a melhor parte de nossa amizade. – Sei que ainda não falamos sobre isso, mas não precisa ter pressa pra ir embora, Vincent e eu conversamos e achamos maravilhoso você ficar conosco por um tempo

                – Ficarei lisonjeada. Obrigada aos dois.

                – Tem alguns travesseiros extras no closet.

                – Obrigada por tudo Hallie. Vincent, se vc fizer minha amiga sofrer algum dia, eu te mato.

                O ar da noite estava um pouco frio, então resolvi fechar a janela.  A vista da janela era linda demais, mal podia esperar amanhecer e ir para o terraço escrever.  Escrever sobre moda tinha sido minha vida por muito tempo. Hoje minha vida mudou. Eu sempre fui uma leitora voraz, mas depois de tanto tempo achando que tudo o que escrevia era ruim e todos ririam de mim por causa daquela experiência do passado, resolvi deixar isso de lado, mas agora essa oportunidade novamente estava em minha frente. Meus planos eram morar com meus amigos por duas semanas e depois tomar um rumo na vida, mas se a história começasse a ficar boa, eu ficaria por um tempinho a mais.

                O despertador tocou antes das cinco da manhã, eu havia esquecido de mudar a hora por causa do fuso horário. Levantei e fui até a cozinha preparar uma garrafa de café para levar para o terraço. Peguei meu computador e subi pela bela escada de mármore que levava até o topo daquele magnífico prédio residencial. O terraço era enorme, cobria todo o tamanho do apartamento abaixo e era passado por enormes janelas de vidro tão transparentes que não dava para perceber que o vidro realmente existia. Um fraco halo amarelo começou a despontar no horizonte. Eu sabia que era o prelúdio de uma tempestade de ideias extasiantes. Comecei o conto procurando nomes para personagens. Olhei em vários sites diferentes até conseguir me saciar daqueles nomes diferentes que eu procurava. Queria escrever um romance erótico, afinal, era o que se vendia mais hoje em dia. Então comecei com dois nomes chamativos: Colin e Belle

                Na história eles eram colegas de trabalho que se apaixonavam e tinham um tórrido e apaixonante caso de amor.

                Eu nunca fui muito longe na sensualidade, nem profundo demais na sexualidade. Eu não era virgem, mas me abstinha de qualquer coisa em relação a sexo pois minhas experiências tinham sido totalmente desastrosas. Estava na hora de mudar e ver a vida com outros olhos. O mundo não era aquele arco-íris de felicidade, coisas ruins aconteciam com todo mundo. Já estava mais do que na hora de eu acordar para a vida, escrever boas obscenidades e me lançar em uma nova carreira.

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CONTINUA

 

 

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