Caçadora – Mythos (+18)

Um Conto de Horror Cósmico, por A.J. Perez

caçadora.jpg

*ATENÇÃO: esse conto contem trechos de VIOLÊNCIA EXTREMA, se você for uma pessoa sensível ou facilmente impressionável não recomendamos que leia o texto a seguir. Lembramos que o Blog assim como o autor desse texto não compactuam com qualquer tipo de violência ou abuso. Essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com situações reais ou pessoas vivas ou mortas é uma infortuna coincidência.

Relâmpagos cruzavam o céu tempestuoso enquanto a chuva caia pesada sobre o para-brisas despedaçado do carro. As luzes de alerta lançavam suas luzes alaranjadas no asfalto molhado como labaredas escapando das portas de uma fornalha.

O ar quente enchia os pulmões dela que ardiam devido ao movimento rápido e continuo na busca de oxigênio, bem como os músculos das pernas que queimavam enquanto ela corria pela mata densa atolando os pés trôpegos e descalços na lama e raízes mortas.

Em meio aos estilhaços do vidro frontal do veiculo o sangue dela, ainda quente, escorria lenta e sinuosamente entre pequenos e delicados pedaços de carne e pele. O néctar da vida seguia descendo pelo painel, se encontrando com mais sangue e escorrendo por sobre o toca-fitas do carro que ainda estava ligado enchendo o lugar com sua musica.

Hear the devil callin’
Hear the devil callin’
When I hear the devil callin’
God will pay him what he’s do

I can’t stop the Dogs of War
I can’t stop the Dogs of War

See the fields burnin’
See the fields burnin’
When I see the fields burnin’
Cause hell is coming through

I can’t stop the Dogs of War
I can’t stop the dogs of war

Feel the river risin’
Feel the river risin’
When I feel the river risin
Devil coming up from you [1]

O sangue finalmente chegava ao fim do painel, pingando como orvalho rubro no assoalho do carro.

Ela caiu, mas levantou-se em seguida o mais rápido que pode. A escuridão infernal da noite dentro da mata só era quebrada quando um relâmpago cruzava o céu. Seus olhos ardiam, inundados em uma cascata de sangue que vertia da testa e topo da cabeça onde ela podia sentir pequenas lascas de vidro a martirizando, enterradas em meio a sua pele e cabelo, acima do crânio.

A pequena poça de sangue  do assoalho do carro escorria suave até sandálias arrebentadas  próximas aos pedais retorcidos como se uma força descomunal os tivesse arrebentado. Onde abaixo deles um dedão do pé lacerado repousava preso entre a sandália e o acelerador retorcido.

Cada passo era dolorido como o inferno, a terra e água pútrida açoitavam seu pé, onde seu dedo havia sido arrancado. Volta e meia ela chutava algo, e doía como inferno, um choque que percorria sua perna subindo até a base da coluna.

Conforme afastava-se pela porta aberta do carro se podia ver alguns arranhões leves na lataria ao lado,  e logo mais um óculos, jogado no asfalto e esmagado como se alguém tivesse pisado em cima dele. Um olhar mais atento aos arredores revelaria três longas unhas, arrancadas por completo e igualmente quebradas.

O mundo negro era um borrão, em meio ao sangue, a dor e o desespero ela via apenas vultos e formas disformes, tateando entre arvores e enterrando os dedos com as pontas doloridas na terra cada vez que tropeçava em seu martírio desesperador.

A frente do carro estava destruída, o corpo de um homem com um jaleco de medico havia arrebentado o motor, quase que partindo a frente do carro em dois. Sua cabeça destroçada contra o para-brisas havia entrado no meio dele e o vidro abriu por completo sua garganta que derramava sangue contra o painel. Seus dedos eventualmente batiam no capô amassado com espasmos involuntários. Em seu peito um crachá sujo de sangue mostrava um homem com seus 30 anos e um belo sorriso. “Dr. Steve Rodrigues – Psicólogo“. Agora entretanto ele não era mais tão belo, como os médicos descobririam ao analisar o corpo, o rosto inteiro havia sido devorado, assim como a língua, e o fígado que havia sido arrancado. Tudo enquanto ele ainda estava vivo, uma vez que a morte aconteceu quando o carro o atingiu.

O som de água corrente revolta, chamou atenção da garota que corria com seu belo vestido que um dia havia sido amarelo, agora completamente imundo e rasgado. Ela conseguiu distinguir o rio logo a frente, ela ia conseguir.

Se pulasse na água estaria salva, seria levada pela correnteza rio abaixo.

Com toda a sua energia restante e força que tinha ela correu o mais rápido que pode e se jogou no rio. O corpo se envolveu em água e girou para finalmente vir a tona, ela respirou mais calma enquanto o rio a levava.

Até sentir algo chicotear e agarrar sua perna em baixo d’água. Ela foi puxada para o fundo do rio e então para fora dele, arremessada na margem do outro lado como se fosse nada. O som das costelas trincando e partindo quando ela acertou as pedras fora d’água poderia ser ouvido a mais de um metro de distancia. O ar lhe faltou, enquanto ela abria a boca em um grito de dor e horror silencioso.

Uma silhueta feminina se aproximou e agachou-se sobre ela. Os belos e longos cabelos lisos eram de um vermelho sangue que cintilava na escuridão assim como os belos olhos demoníacos que pareciam sorrir com a situação.

– Você é mesmo rápida, mas não o suficiente.

Entre choro e dor a garota tentou se mover mas algo segurava seus braços e pernas abertos, era pegajoso e firme, mas pareciam tentáculos, e eles vinham… Vinham dela.

A garota passou o dedo ao redor do rosto da jovem e desceu, passando pelo pescoço e finalmente entre os seios dela.

– Eu sei quem você é. Não quem as pessoas veem! Eu sei quem você REALMENTE É. Dentro da sua mente – ela rasgou o vestido deixando os seios da garota a mostra – Sozinha quando ninguém mais está olhando. – ela passou a língua no barriga da jovem e veio subindo – Eu posso sentir no seu cheiro – ela deslizou a língua ao redor dos mamilos dela – Posso sentir no sabor da sua pele, transpirando pelos seus poros como um óleo doce. – ela moveu o braço entre as penas da garota e lançou seus dedos dentro dela a massageando – Eu sei das coisas que você gosta, das coisas que você deseja fazer, e acima de tudo… – ela pegou o seio com a mão apertando com força enquanto a olhava nos olhos levando a boca até ele – EU SEI TODAS AS COISAS QUE VOCÊ FEZ. – ela sugou o peito dela, como se fossem amantes enquanto seus dedos brincavam dentro dela, e então a boca dela se abriu e o seio foi arrancado inteiro com uma mordida.

Um grito de horror, dor e o mais profundo desespero encheu a noite sendo abafado pelos sons dos trovões.

A ruiva a beijou, com a boca cheia do sangue dela. E com mais uma mordida ela arrancou o lábio inferior da jovem, limpando a carne até a base do queixo. Deixando os dentes da infeliz amostra enquanto o sangue vertia, e a menina via ela mastigar sua carne com um sorriso diabólico no rosto.

Os dedos dentro dela aumentaram de tamanho a invadindo por completo. A rasgando por dentro, como cinco tentáculos raivosos. Agora as entranhas dela queimavam como se ácido fosse injetado dentro do corpo.

– Sabe guardar segredo? – perguntou a garota de cabelos de sangue no ouvido na vitima antes de arrancar sua orelha com uma mordida – Eu amo essa cidade.

Layla não sabia, mas Lithurielle estava apenas começando. Aquela seria uma longa noite, a mais longa de sua vida, a última delas… Em uma profana companhia.

—————————————————————-

Musica: Dogs of War de Blues Saraceno

TRADUÇÃO

Ouça o diabo chamando
Ouça o diabo chamando
Quando escuto o diabo chamando
Deus o pagará para fazer o que ele faz

Eu não posso parar os Cães de Guerra
Eu não posso parar os Cães de Guerra

Veja os campos ardendo
Veja os campos ardendo
Ao ver os campos arder
É porque o inferno esta vindo através deles

Eu não posso parar os Cães de Guerra
Eu não posso parar os cães de guerra

Sinta o rio surgindo
Sinta o rio surgindo
Quando eu sinto o rio surgindo
O diabo esta vindo por você