A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt.3) – Sinais

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Por: Alfredo Dobia

Capítulo 3 – Sinais

— Que sensação mais estranha! — Lúcia disse enquanto se ajeitava no banco de madeira da igreja. Ela sempre acreditou que estar perto de Deus a ajudaria a ter forças de lutar pra conseguir o dinheiro que precisava para o tratamento do seu avô.

A igreja era enormemente espaçosa, tinha oito andares. Ela acolhia os mais necessitados, em sua maioria crianças e pessoas da terceira idade.

— O que foi querida? — Sr. Wayler quis saber. Ele estava em sua cadeira de rodas avistando os acólitos em volta do padre. Ambos sentavam na primeira fila, mas havia algo que ele não conseguia deixar de pensar.

Quando eles puseram seus pés na entrada principal da igreja, seus olhos vislumbraram seres de presencia inabituais naqueles arredores. Era uma quantidade exagerada de corvos sobrevoando entre o teto da igreja.

— Não sei explicar, sinto como se meu peito estivesse perto de energias macabras.

— Deixa-te disso mocinha, você está dentro de uma igreja — Sr. Wayler disse, mas sua expressão facial não convenceu muito a neta. Era como se ele soubesse o que estava acontecendo ou prestes a acontecer mas não a quis assustar, pelo menos não agora, não até o momento certo. — Esses tipos de sentimentos não costumam acontecer em lugares como esse — Concluiu.

Lúcia tentou falar mais algumas coisas mas foi interrompida pela amiga que se inclinara para lhe dar um beijo na bochecha e logo depois no senhor Wayler.

— Você está atrasada… a missa já começou á mais de dez minutos — ralhou Lúcia.

— Estive presa em mais uma das aulas de vestimenta do Sr. Vunge. Sabe como ele é com essa coisa de culturas! Hoje foi tipo: Você não pode vestir essas roupas acima do joelho, não pode ignorar as vestes do seu país nem as suas culturas, você tem que fazer a diferença porque és diferente. Apesar de estar na América a anos, você não pode esquecer de onde vens. Você é africana… e tudo acabou nisso — ela apontou pro seu corpo.

Estava linda. Vestia trajes de origem congolesa, com tecidos de lã de pura qualidade. Uma bolsa de cor roxo que fazia a combinação perfeita com seu pano que circundava uma parte de sua testa e soltava outra parte do seu cabelo escuro e macio pra trás.

— Sempre gostei de te ver vestida assim. Como de costume, você está radiante, minha querida — elogiou Wayler. — Agora senta logo, que o padre já vai começar a falar novamente.

Alguns minutos se passaram e o pessoal levantou-se para a eucaristia. Os acólitos puseram-se em pé e seguiam o padre. Faltando apenas duas pessoas para a vez da Lúcia, ela sentia suas pernas hesitante como se algo de ruim estivesse preste a acontecer. Sr. Wayler a fitou, notando que a neta não parecia bem.

Alguns segundos se passaram e o coração da jovem loura pulsou com mais intensidade ao ver que faltava apenas uma pessoa para a sua vez. Agora não era só as pernas, seu corpo todo titubeava.

Lúcia estava assustada sem saber o que se passava, se perguntando se era só ela que sentia aquela energia sombria ou se mais alguém ao seu redor sentia o mesmo. A amabilidade nos olhos do padre havia sido substituída por uma luz negra poderosamente aflitiva, como se almas pecadoras das trevas a implorassem pela liberdade.

— Eu sabia que aqueles corvos lá fora não estavam apenas fazendo turismo. Estes são os sinais. Ele está próximo — disse Wayler pensativo.

O pessoal da igreja voltou toda sua atenção para Lúcia, sussurrando uns aos outros sobre a figura que ela fazia. Ela os olhou e a expressão em seus rostos matou sua dúvida ao perceber que ela era a única que via e sentia aquelas coisas.

— O que está se passando com ela dessa vez? — Sasha quis saber.

Lúcia viu o padre piscando seus olhos fúnebres para o seu avô e logo depois as paredes da igreja eram invadidas por uma fumaça negra que consumia toda igreja a cada segundo que passava.

— Não acredito que esse miserável teve a ousadia de entrar num lugar como esse! — murmurou Wayler num tom quase inaudível. Ele fechou os olhos e pronunciou algumas palavras esquisitas que mais parecia uma conjuração.

Minutos depois tudo havia voltado ao normal para os olhos da neta. Ela ficou ainda mais confusa.

— O que foi isso?

— Você estava tendo um surto psicológico. Sério amiga, você tem que procurar um médico o mais rápido possível. Já começas a me deixar mega preocupada.

Lúcia se virou para o avô e pôs-se a correr em sua direcção ao ver que ele sangrava pelas narinas.

— Meus Deus vovô, o senhor está sangrando!

Sr. Wayler tirou seu lenço do casaco violeta que usava e limpou o sangue que escorria do seu nariz.

— Aqui, toma, beba isso — Sasha o entregou uma garrafa de água que recebera de um outro Senhor que estava ao seu lado.

— Não é nada meninas. Apenas estou precisando de ar fresco.

— Então vamos sair daqui.

Senhor Wayler sabia o que estava acontecendo com ele, mas não podia contar a neta, não até chegar o momento certo… Mais ele sabia que as coisas não demorariam muito para acontecer, os sinais haviam sido claros. O mal estava cada vez mais próximo e pronto para derrubar qualquer ser que se opusesse a ele.

Continua…

Obs: Pt. Escrito em português de Portugal.

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