A Lenda da Rasga Mortalha

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Essa lenda circula em alguns estados do sul e norte do Brasil. Trata-se de uma coruja grande e branca que tem um habito peculiar de emitir um som que parece como se alguém estivesse rasgando um tecido.

Dizem que quem houve seu grito, pode estar sendo perseguido ou em alguns casos protegido por ela, mas o que mais assusta de fato é a crença de que ela anuncia a morte instantânea se der seu grito sobre à casa de alguém. Mas você sabe como isso começou? Se não sabe eu te conto agora.
Conta-se que tudo começou com uma jovem de trinta e cinco anos de idade, um pouco gorda e de pele muito branca. A jovem se chamava Suindara, trabalhava como carpideira (mulheres com mais de trinta anos que eram pagas para chorarem em velórios e cemitérios) e era filha de um temido feiticeiro chamado Eliel.

Suindara era de uma bondade sem limites, era considerada uma jovem de grande coração e muito justa. Todos na comunidade a respeitavam e a chamavam de a “coruja branca”.  No entanto sua vida mudou quando ela se apaixonou pelo filho de uma terrível condessa chamada Rute, que morava no mesmo vilarejo.

O rapaz se chamava Ricardo e era um nobre rapaz, bem diferente de sua mãe, cujo coração só servia para amar os bens materiais e para alimentar os seus próprios interesses e preconceitos. Ricardo e Suindara sabiam que esse romance jamais poderia chegar aos ouvidos da condessa, pois ela odiava qualquer pessoa que não tivesse os mesmos interesses e classe financeira como de sua família. Porém certo dia o casal estava abraçado na beira do lago um pouco mais distante do vilarejo e não se deram conta que uma carruagem se aproximara, e para surpresa deles era Rute quem estava ali. Como estavam encantados um com o outro nem notaram a presença dela.

Quando Rute viu que era seu filho abraçado e beijando a carpideira, seus olhos se encheram de raiva e desgosto. E logo em sua cabeça começou a pensar em planos terríveis para acabar com aquele romance. Na manhã seguinte, a condessa pediu a sua empregada de confiança que entregasse um bilhete a Suindara. No bilhete dizia que ela precisava dos seus serviços, mas antes elas deveriam se encontrar na gruta da lua, um local afastado das propriedades da condessa. E perto do cemitério da cidade. Suindara nem desconfiou, na hora marcada e no local marcado estava lá. Ela estava sentada sobre a gruta quando avistou um homem bem arrumado se aproximando. Ela se levantou pensando ser um homem de bem e foi cumprimentá-lo, mas o homem ao se aproximar, com um único golpe acertou o coração da moça com uma adaga. Suindara morreu na hora. A notícia da morte da moça chocou a comunidade. Renato acabou indo embora, pois não suportou perder a mulher que amava. O caso foi tratado como um assalto, e todos acreditaram menos seu pai. Para homenageá-la a comunidade fez um enorme caixão esculpido com uma bela coruja sobre ele.

Seu pai ainda desolado e triste estava sentado em sua cadeira, quando uma coruja entrou em sua casa e derrubou seu baú onde estava guardado suas cartas de tarot. Logo ele entendeu que se tratava de um aviso e foi logo ver o que o baralho lhe revelaria.

Quando abriu seu baralho, ele viu como um filme todo o plano de Rute e então tomado por uma imensa raiva, ele se lembrou de um terrível feitiço que aprendeu com seu avô. Ele pegou tudo que precisava e foi até o túmulo de sua filha. Chegando lá ele lançou seu feitiço. Em seguida o espírito da moça penetrou na enorme estátua de coruja branca e fez com que ela criasse vida própria. A coruja saiu voando pela aldeia e foi até a sacada da janela do castelo onde dormia Rute e começou a piar um canto estranho, semelhante ao som de roupa de seda sendo rasgada. Durante toda a noite a aldeia ouvia  o som aterrorizante da ave.

No dia seguinte a condessa amanheceu morta e suas roupas de seda foram encontradas rasgadas, como se alguém as tivesse cortado.
A partir desse evento, a coruja começou a soltar seus gritos aterrorizantes sempre que alguém estava perto de morrer na aldeia. Até hoje as pessoas ainda temem quando a “rasga-mortalha” sobrevoa suas casas soltando “gritos”, pois bom sinal não é.

Existe até um “contra-feitiço” para a maldição da coruja, são palavras que se diz para afastar o agouro do animal: “ Aqui não tem tesoura nem pano, não tem ninguém morando aqui”. Essas palavras foram passadas pelo próprio Eliel, segundo ele só quem tivesse um bom coração sobreviveria a maldição.

Essa lenda foi passada de geração a geração, e até hoje algumas pessoas morrem de medo de cruzar com Rasga Mortalha!

 

Fim…

 

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