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Escrito por Naiane Nara

 

É difícil não seguir o instinto: ele comanda desde o início dos tempos. Meu corpo está quente, posso sentir o suor pegajoso se agarrando à minha pele. As minhas mãos tremendo dessa maneira também não ajudam.

Meus pés estão muitos leves; não consigo sentir minhas pernas direito. O coração acelerado, pulsando, me manda ir em frente e encontrar aquele cheiro ferroso do líquido grosso e morno que preenche as estranhas de todos os seres vivos.

Sangue, meu segredo de juventude particular.

Não sei identificar de onde surgiu essa vontade, não sou nada além de humano, mas a minha língua seca precisa dele mais do que meus pulmões necessitam de ar, especialmente agora que estou fraco por ter tentado resistir tanto.

Por ela, pela garota de cabelos cor de terra. Oh, minha querida, desista de mim, eu não sou bom…

Me encosto à parede de um casa qualquer na rua, o corpo tremendo, os olhos enevoados sem conseguir enxergar direito. Por favor, que ninguém passe por aqui, ou estará condenado.

Mas zombando de minha prece, tento identificar o borrão azul à minha frente, as mãos frias que carinhosamente tocam meu rosto e a voz doce a perguntar se preciso de ajuda.

Não consigo resistir meio segundo sequer; toco as mãos pequenas e delicadas, trazendo-a para mim, quase arrancando a cabeça da garota a dentadas, mordendo grandes pedaços, engolindo o líquido viscoso até engasgar, agarrado a ela como o pior viciado.

Reassumi o controle das funções do meu corpo, sentindo a força inesperada percorrer minhas entranhas e me manter saudável, jovem e belo. Mas meu estado ainda era lastimável, depois de tanto tempo tentando controlar, não consigo…

Parar…

Ando pelas ruas, queria olhar mais pessoas, morder alguns pescoços mais, ainda não estava saciado, porém a madrugada alta não contribuía com meus planos.

Fui para casa.

E para meu indizível terror e deleite ela estava à minha espera, seus cabelos terrosos revoltos, os olhos vermelhos, cheios de preocupação.

Não a minha garota!

Contrariando todos as recomendações de segurança que conduziriam as poucas chances de sobreviver, ela corre ao meu encontro para me abraçar, chorando de alívio, as pupilas de dilatando com prazer.

Ah, querida…

Suas mãos em meu pescoço e quadril fazem com que seu cheiro elimine a pouca sanidade que ainda resta. Seu beijo doce me acende o desejo de seu corpo e do seu precioso sangue amor.

Nosso beijo lentamente mais profundo e sensual, fazendo com que você desse um suspiro tão lindo, trazendo uma lufada do seu cheiro diretamente no meu rosto.

Seu último suspiro…

Minha boca morde a sua até sentir escorrer sua essência no céu da minha boca, e como uma piranha, não consigo parar. Seus lábios, seu pescoço, seus ombros e seios, destroçados e sangrando.

E quanto mais grita, mais vou devorar você, minha pequena…

Estaremos juntos para sempre, até o fim.

 

Fim

Será?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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