A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt.2)

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Escrito Por: Alfredo Dobia

  Capítulo 2 – Protecção

O sol penetrava em sua pele clara e macia. Seu vestido violeta, condizia com sua bolsa prateada no zipe. Depois de uma noite de várias emoções, Lúcia acordara bem — disposta para mais um dia de trabalho. A pequena conversa que tivera com seu avô na noite anterior, a fez pensar o quão seria doloroso perdê-lo. Ela o amava com toda força do seu coração — e apesar das palavras de superação e aceitação que o Sr. Wayler a dissera, ela recusava-se ainda mais em ficar de braços cruzados simplesmente esperando que o fúnebre dia da morte do seu avô chegasse.

Na companhia do Deny, que acabara por beber de mais no seu aniversário ao ponto de nem saber onde enfiara suas chaves. Eles foram ao super mercado que ficava a dois quarteirões da casa de Lúcia.

— Aí Lúcia, obrigado por me deixar dormir em sua casa — disse Deny com a voz de ressaca, enquanto empurrava o carrinho de compras.

Ao contrário da Lúcia, Deny estava todo desarrumado, com a barba por fazer, e o relógio na posição contrária.

— Como se fosse a primeira vez — respondeu Lúcia tirando uma caixa de flocos da prateleira. — Você dorme em minha casa toda vez que é meu aniversário e sempre ébrio. Agradeça-me quando acordares num hospital no meu próximo aniversário.

— Ah, qual é… — Deny murmurou entre dentes — eu só me empolgo de mais quando é aniversário das minhas melhores amigas.

— Ahm, tá! — Lúcia respondeu com um sorriso abafado.

Eles atravessaram um corredor que dava acesso a área dos caixas. Depois de já ter se passado doze minutos. Seus passos delgados tornavam-se mais veloz quando Lúcia fitou um espelho arredondado e colado num dos pilares da loja á poucos metros de distância deles, e via dois homens aparentemente de sua faixa etária, seguindo-os. Ela puxou Deny para mais junto de si.

— Você notou isso?

— Isso o quê?

— O espelho lá em cima. Parece que tem dois homens nos seguindo a já um bom tempo — seus dedos apontaram pro espelho, mas o reflexo dos dois homens reflectido já havia desaparecido.

Deny bufou aborrecido. Eles estavam na fila de alguns acessórios tais como relógios, óculos de sol e chapéus.

— Tens certeza que não bebeste nada ontem? Ultimamente você tem visto pessoas a mais e coisas onde não há.

— Não estou brincando. Essas pessoas estão atrás de nós desde que pusemos os nossos pés cá.

— Não sei se você reparou, mas estamos em um super mercado. É natural que as pessoas andem atrás um do outro, principalmente em um mercado grande como este.

Deny estava incrédulo de mais para acreditar nela e tinha suas razões. Na semana passada eles estavam na venda do livro de animais fantásticos de J.K Rowiling quando ela dissera que um cão estava seguindo-os por duas horas. Sasha já começava a ficar preocupada com a saúde da amiga. Cinco anos depois da morte dos seus pais, Lúcia vem dizendo que tem alguém a seguindo mas seus amigos nunca virão as tais pessoas que sua amiga vem insistindo de ter visto

— Acho que tenho de seguir o conselho da Sasha e ir ao médico de uma vez por todas. Já perdi a conta das vezes que meus olhos viram coisas. Talvez você tenha razão.

— Escute aqui — Deny encarou ela. — Você não está ficando louca. Só perdes tempo de mais pensando em como seus pais morreram e isso já faz muitos anos. Já está mais do que na hora de aprender a superar e seguir em frente.

— Pois é, acho que você tem razão.

Ele tirou um dos óculos de sol da prateleira e logo depois um chapéu.

— Estou um espectáculo não estou?

Lúicia abriu um sorriso pra ele.

— O trabalho me espera, temos de ir.

……

O bar já estava super movimentado, as janelas de vidros permitiam a passagem dos doces raios do sol que cintilavam entre as garrafas de bebidas nas mesas. Havia alguns adolescentes tentando bancar os engraçadinhos pra cima de uma garota.

— Me solta seu idiota – murmurou a garota, olhando nos olhos sórdidos de um dos garotos que a encarava com intenções lascivas.

Lúcia que por sua vez, atendia um jovem que comemorava a despedida de solteiro com seus amigos, não conseguia tirar os olhos nos adolescentes idiotas que provocavam a menina. Vendo a escultura de medo nos olhos da garota, ela caminhou até a mesa em que eles se encontravam.

— Três pirralhos idiotas tentando intimidar uma dama indefesa — disse ela, descansando as mãos na mesa.

Os rapazes voltaram os olhos nela. A menina correu em passos largos para junto de Lúcia, em busca de protecção.

— E o que você tem a ver com isso? – indagou o mais alto dos rapazes, passeando seus olhos no corpo da Lúcia de baixo pra cima.

O resto do pessoal do bar interrompeu suas actividades e voltaram os olhos pra Lúcia, como se aquilo fosse um mero momento de entretenimento do bar para ganhar mais clientes.

— O que eu tenho a ver com isso? Lúcia respondeu incrédula. — Olha a sua volta… — isso é um bar, não uma casa de assustar mulheres indefesas como vocês estão fazendo com ela e o resto dos clientes. E eu não posso permitir esse tipo de comportamento aqui.

— Não pode permitir — repetiu um dos rapazes, dando risada das palavras da Lúcia.

Um deles se aproximou dela depois que o mais alto que parecia ser o líder o ter acenado com a cabeça. Ele levantou uma das cadeiras do bar, partindo-a de forma violenta. A garota atrás da Lúcia se moveu para outro lugar, mas Lúcia Wayler não parecia nem um pouco intimidada com aquilo.

Tirando uma das madeiras partidas, que servia como suporte para o equilíbrio da mesa. Ele levantou o braço prestes a acertar Lúcia, mas ela rapidamente se desviou do ataque, abaixando-se. Lúcia serrou seus punhos e um soco seu acertou o rosto do rapaz com tanta força que acabou por deixar cair a madeira — pequenas gotas de sangue voaram em direcção aos rostos dos outros rapazes. Aquele soco provavelmente deixaria chagas, e o garoto sentia-se como se aquilo havia quebrado sua mandíbula.

Por outro lado do bar havia dois homens de quase a mesma idade, que observavam a valentia da Lúcia com muita atenção. Suas vestes pretas não eram nada vulgar. Eles tinham originalidade e estilo próprio.

Rapidamente o outro rapaz aproximou-se dela, na tentativa de retribuir o soco que ela dera ao seu amigo, mais foi derrubado ao chão em um movimento hábil das pernas flexíveis da Lúcia. Apercebendo-se do quão inútil seria tentar derrubar ela apenas no corpo a corpo, o líder dos rapazes rebeldes sacou seu revólver escondido, apontando de seguida pra Lúcia.

— Nunca mulher alguma venceu James Cooper, e você não vai ser a primeira — disse o rapaz, dando ênfase ao seu nome como se estivesse falando do super-homem.

O rapaz estava irritado e já não agia de forma racional. Aquilo deixou Lúcia assustada. Ela se aproximava dele em passos curtos e falava algumas palavras, tentando impedi-lo de cometer mais besteiras.

— Calma! Você não precisa fazer isso. Abaixe essa coisa e vamos conversar.

Ele simplesmente preferiu ignorar as palavras da Lúcia e apertou o gatilho, mas surpreendeu-se ao não ouvir o som ensurdecedor do revólver. James poderia jurar que tinha munições nela. E para o seu dia de azar, o sinto de sua calça se abriu de modo sortilégio, fazendo a calça cair, exibindo diante de todos, os desenhos de sua roupa interior.

Envergonhado e desconfortável com aquela situação, ele baixou o revólver e levantou suas calças.

A polícia entrou no bar depois de o gerente os ter chamado, e prenderam os rapazes que vandalizavam o local. Fazia tempo que a polícia estava de olho neles. As denúncias de vandalismo, como grafites em locais não autorizados, roubo de cigarros em lojas públicas e privadas eram apenas uma das coisas criminais que enchiam suas fixas.

— Você derrubou quase todos eles, sozinha? — disse um dos policiais, impressionado, enquanto os algemava. — Onde aprendeu a lutar assim menina?

— O meu avô dava aulas de auto-defesa, e me arrastava com ele em suas aventuras — respondeu Lúcia com a expressão de alívio nos olhos. — Ele dizia que era para me preparar com coisas que poderão acontecer em um futuro próximo, e um monte de histórias sinistras. Nunca entendi nada do que ele dizia. Ele sempre foi muito enigmático, mas eu adorava aprender.

Os polícias levaram James e seus amigos no carro. A garota aproximou-se da Lúcia e logo a seguir disse:

— Obrigada por me defender deles. Eles vêm me seguindo já faz um bom tempo, e tentam sempre me agarrar a força no final.

— Não foi nada! — respondeu Lúcia abrindo um sorriso pra ela. — Agora já esta tudo bem, fica descansada que depois desse episódio, esses babacas não voltarão a incomodar você tão cedo.

Continua…

Obs: Pt. Português Portugal

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