Presenças Sussurrantes

esquizofrenia-copiaEles me seguiam, sussurravam para mim, vivam em volta do meu olhar, mas nunca ao alcance da minha visão, sempre nas bordas, passavam rápido, como sombras, como vultos, mas estavam lá, eu sei que estavam.

Um dia estava indo para o trabalho, um trabalho tedioso e sem graça, foi quando eu os vi a primeira vez. “Eles” me seguiram até o trabalho, me falavam de alguma forma, que só eu podia ouvir, que iram me pegar, de inicio ignorei, ignorei como qualquer outra pessoa iria ignorar, devia ser meu cansaço, estresse, sei lá, qualquer coisa, mas “eles” continuaram.

Depois de algumas semanas, “eles” começaram a aparecer de forma mais frequente, quando eu estava no banheiro, ouvia alguém entrando, e “eles” falavam comigo, quando estava almoçando, no ônibus, em todo lugar.

Procurei ajuda, fui na polícia, mas eles nada fizeram, apenas me mandaram a um medico. Como um bom cidadão eu fui, para apenas ser diagnosticado com alguma doença mental. Pura mentira, pura merda, a polícia e o doutor faziam parte do grupo “deles”. Fui medicado, mas nunca tomei os remédios, sabia que era para “eles” poderem me pegar mais facilmente, eu tinha que ficar alerta.
Um mês depois, a casa a minha frente foi comprada, um homem velho, nada de suspeito, mas é assim que “eles” trabalham, com pessoas nada suspeitas.

Eu vi este vizinho carregar um saco pesado demais para ser apenas lixo. Até hoje acredito que aquilo era um corpo retalhado, lembro de ter visto manchas avermelhadas em sua camisa, e acredito fielmente que era sangue.

Fiquei meses olhando com mais atenção as pessoas a minha volta, e vi que todos estavam juntos a “eles”, tentei me trancar, mas nada adiantou, não importava onde eu ia, nem como eu me escondia, “eles” sabiam onde eu estava, pareciam saber o que eu pensava. Aquilo me assustava muito. Mas o que “eles” queriam de mim afinal? Eu não consigo pensar em nada, não sou uma pessoa rica, sou uma pessoa como outra qualquer, trabalho em um emprego chato e tedioso, vivo em uma rua tranquila e tediosa, bom era para ser tranquila ate a chegada “deles”.

Após muito tempo tentando fugir “deles”, eu me cansei, já se haviam passado anos, eu não trabalhava mais, não tinha mais energia, gás, água, nada, “eles” tiraram tudo de mim, me deixaram preso em minha própria casa, foi aí que eu não aguentei mais.

“Eles” queriam algo de mim, mas nunca irão conseguir, não sei o que é, mas não irei dar a “eles”. Espero que minha amada mãe entenda, não fiz isso por covardia, mas por coragem, “eles” querem algo, e não terão de mim, perdoe – me mãe, mas não havia outra saída, ou me entregava a “eles” ou eu acabava com tudo. “Eles” já haviam me isolado, me feito ser apenas uma lembrança longínqua na mente dos outros, se é que os outros não estavam com “eles”, então mãe, lembre-se de mim, como um corajoso, não um medroso, e lembre-se, eu sempre te amei, minha única e verdadeira amiga, minha única família. Então adeus…

Jornal Local

Homem é encontrado enforcado em sua própria casa, a polícia encontra bilhete de suicídio confuso. Peritos dizem ter traços de esquizofrenia na carta. A única familiar, mãe da vítima, já se encontra no local, mas se nega a fazer entrevista.

Vizinho que encontrou o homem diz achar estranho o súbito desaparecimento do vizinho, que todas as manhãs se encontrava na frente da casa. Quando interrogado do porque decidiu entrar na casa ele apenas respondeu: “Chamei varias vezes para ver se ele estava bem, quando não deu resposta achei que ele tinha viajado, mas quando olhei pela janela vi o corpo pendurado, e entrei para tentar salva-lo, mas era tarde demais.”

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