Love Hurts

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 Escrito por Naiane Nara

Quedo-me a pensar, respirando com dificuldade. Não consigo desligar da minha mente esse ruído incessante. Não consigo deixar de sentir esse vazio, e a dor proveniente dele. A parte sã da minha mente diz que isso é passageiro, que posso aguentar.

Mas a maior e mais quebrada parte de mim diz que não é possível sequer respirar normalmente alguns instantes. O vento sopra nos meus cabelos, e o ar frio envolvendo o meu corpo me faz arrepiar. Esse esperar por nada cansa mais do que uma longa maratona de exercícios físicos.

Ninguém se importa, ninguém vai me procurar…

Todos dizem que o tempo vai melhorar, que é possível o abandono cicatrizar. Mas o tempo corre lentamente, pulsando como sangue sob uma ferida. Doze horas parecem quinze anos. Não consigo sobreviver a mais tempo disso.

Não, não sou um projeto de adolescente dependente e insegura. Sou uma mulher, ou pensava que assim fosse, alguém que já sofreu e lutou então jamais seria enganada tão facilmente como uma garota tola de doze anos.

Meus olhos ardem a medida que as lembranças batem em mim com violência mais uma vez. Não, não quero pensar. Mas é inevitável, entregar seu coração com pura confiança a alguém traz seus riscos, e os assumi, mesmo sem saber que teria que passar por tudo isso.

Amar é como criar um punhal de obsidiana com seu próprio sangue e entregar diretamente a pessoa amada, apontando para o coração.

O que não contamos e casualmente esquecemos, é que amar significa dar poder sobre nós, e a destruição que se segue é totalmente nossa responsabilidade.

Depois de tudo, todo esse amor, toda essa entrega, não significa nada quando mundos explodem e outras pessoa encontra a que dizia te pertencer para todo sempre.

Não vou amar de novo. Não quero que doa assim. Não preciso passar por isso. Não tenho mais corpo ou alma para ser destruído, está tudo ridiculamente em pedaços.

Ah, tento inspirar profundamente o ar gelado para relaxar um pouco, mas não consigo. Meus membros ainda estão tensos e doloridos. Minha respiração, ainda curta e entrecortada enquanto as lágrimas descem aos borbotões, me lanço no ar e aprecio a liberdade que encontra meu corpo, lá onde o chão costuma beijar as pedras da rua.

*****

FIM

2 comentários em “Love Hurts

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