In the Depths of her Soul (Pt. 10) – A Caça [+18]

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A Caça – Capítulo 10

Escrito por: Natasha Morgan

Rachel estava exausta. Física e mentalmente. Ficara presa no escritório abafado do Xerife, analisando os últimos relatórios da equipe sobre as investigações na floresta e sendo constantemente pressionada por Garrett sobre o laudo final do estranho animal.

Quando decidiu se formar em biologia jamais imaginou que ficar sentada diante de pilhas de relatórios não plausíveis faria parte de seu trabalho.

Bem, ela também nunca pensou que um ataque brutal em uma cidadezinha de Montana a arrastaria para o meio da investigação.

Aquelas incógnitas estavam acabando com ela.

Estacionou o carro ao lado das cerquinhas graciosas que rondavam a pequena casinha em que habitava.

A noite estava especialmente fria, as rajadas de vento açoitando seu rosto com brusquidão. Os mensageiros do vento pendurados dos dois lados da varanda balançavam loucamente, emitindo um som eufórico que mais parecia um alerta.

Rachel fitou o céu escuro, procurando o brilho fraco da lua, mas não encontrou nada além das brumas sombrias. As árvores que cercavam a floresta atrás de sua casa pareciam encobrir o luar, como se ocultassem algum tipo de segredo.

Seus olhos varreram para a floresta, especulando. As árvores farfalhavam, alguns insetos da noite cantavam, as corujas piavam e a água do rio ao longe ondulava num som suave.

Nada de anormal.

Rachel franziu o cenho, esfregando os braços para se livrar do arrepio frio que sibiu por sua espinha.

Ela fitou o caminho de cascalho que rodeava o rio ao longe, há alguns quilômetros dali havia mais umas três casinhas como a sua, espalhadas numa distância razoável. Todas cercadas pelo rio e a floresta. Uma moradia mais reclusa e sossegada. Típico para aqueles que buscavam privacidade.

No entanto, olhando para a floresta intimidadora que se estendia tão próxima, Rachel não tinha tanta certeza que privacidade e sossego fossem tão bacana.

Ela soltou um longo suspiro, decidida a desanuviar tais pensamentos e preencher sua noite com um bom banho de banheira. Apanhou as chaves em seu bolso e já se encaminhava em direção á porta de casa quando ouviu o ruído nas proximidades da floresta.

 

Moon largou seu carro de qualquer jeito na beira da estrada que levava ao rio e se embrenhou na floresta. Os galhos das árvores menores arranhavam seu rosto e braços conforme ela corria com a força que suas pernas permitiam, conseguiu desviar duas vezes de troncos caídos e evitar um tombo feio.

Se ainda tivesse a força de antigamente poderia facilmente escalar as árvores e pular de uma em uma até chegar a seu destino. Mas a força se foi, assim como seu gosto pela crueldade desenfreada.

Victória estava certa, afinal. Não passava de uma fraca e incapaz de invocar os poderes da besta.

Infelizmente Moon não podia trazer de volta o que um dia foi ou arriscaria fazer ruir aquela avalanche de culpa e emoções conflituosas com as quais não estava interessada em lidar.

O mais sábio a seu ver era se manter neutra, calma e contida. A Moon de antes já havia cometido excessos o suficiente para permanecer trancada o resto da vida.

Só podia implorar para que encontrasse Victória antes da caçada começar.

E que sorte a dela pelos Deuses estarem ao seu lado, pois a alguns metros da estrada sentiu o cheiro penetrante da Lycan transformada.

A besta andava com lentidão, compenetrada nos rastros que seguia. As orelhas pontudas estavam em riste, direcionada ao caminho que seguia e o focinho alongado e grotesco se mexia, farejando o ar.

Moon se aproximou igualmente cautelosa, não era inteligente surpreender um lobisomem em seu momento de caça. Mesmo Victoria sabendo exatamente quem ela era.

No instante em que entrou no território de caça da besta, esta voltou os olhos e boca de dentes afiados em sua direção, rosnando num alerta horroroso.

Moon recuou um passo, fitando a criatura nos olhos.

– Victória, não.

A besta rosnou novamente, exibindo os dentes monstruosos e língua vermelha.

As fêmeas era sempre diferentes, tinham menos pelos pelo corpo e ostentavam seios. Os olhos eram levemente repuxados, as íris em fendas escuras onde exibiam um leve tom dourado.

O animal estava sob as quatro patas, o corpanzil curvado numa postura monstruosa. As garras afiadas e longas afofando a terra sob as patas gordas como as de um leão.

Moon avançou mais alguns passos, chegando perigosamente perto. Foi o que bastou para a criatura emitir aquele som pavoroso como um uivo e se erguer nas duas patas traseiras. Num movimento rápido, ela deu uma patada na garota, as garras penetrando na carne macia e causando um estrago.

Moon foi lançada para trás com a força da Lycan, chocando-se contra o tronco de uma árvore e caindo pesadamente no chão. Sua cabeça atingiu as raízes da sequóia com violência e ela se sentiu meio zonza. A última coisa que viu foi a besta desaparecendo na floresta a uma velocidade inumana, a caça começara.

Moon sentiu a raiva preencher seu ser, o sangue ferveu em suas veias queimando-a por dentro. Ergueu-se num rompante, tocando o rosto ferido.

Seus lábios se curvaram numa careta zangada e ela simplesmente explodiu num rosnado selvagem, fazendo os animais se dispersarem amedrontados.

Ela correu na direção em que Victória desaparecera, sentindo a besta dentro de si se agitar em euforia. A raiva que a queimava provocava o animal selvagem dentro dela.

Moon sentiu seus olhos ganharem objetividade, a gengiva dolorida começar a se abrir para os caninos se alongarem e as unhas em suas mãos e pés crescerem pontiagudas.

A euforia tomou conta de seu corpo, assim como aquele estranho formigamento. A respiração se tornou ofegante e sua corrida mais ágil.

Ela se livrou da blusa que usava e conseguiu chutar uma das botas conforme descia a trilha da floresta em direção ao rio, mas não pôde dizer o mesmo da saia florida que foi reduzida a frangalhos quando suas coxas dobraram de tamanho, explodindo pelos grossos. O calcanhar deu lugar a patas compridas, a espinha se alongou num estampido quando os ossos de seu corpo foram reposicionados para dar lugar aquela criatura monstruosa e sedenta de carne e sangue.

A besta uivou em toda sua euforia, finalmente liberta, regozijando-se de seu poder.

 

Rachel estava confusa sobre se apanhava uma lanterna e se aproximava da floresta para investigar a fonte do ruído que ouvira ou se simplesmente voltava para dentro de casa e dava prosseguimento ao seu plano de relaxar.

Definitivamente relaxar era um bom plano. Mas havia algo no ar que a assombrava e definitivamente não era o vento fustigante.

Quando o uivo monstruoso preencheu o silêncio da noite, vindo dos limites da floresta, ela decidiu que não queria ficar sozinha ali fora.

Seus passos estabanados a levaram em direção á varanda da casinha, mas não a tempo suficiente para ela não enxergar a sombra que espreitava as árvores.

A criatura foi praticamente cuspida da floresta, investindo violentamente no cascalho natural das proximidades do rio.

Rachel levou um susto tão grande que não pode impedir o grito de irromper de seus lábios.

A criatura voltou os olhos em fendas naquela direção, soltando um rosnado gutural. A bocarra exibindo duas fileiras de dentes ameaçadores.

Rachel tropeçou nos próprios pés e saiu correndo em direção á casa. Aquela era a criatura que assombrava a floresta e dilacerara aqueles jovens!

O lobisomem avançou contra a garota numa velocidade inumana, derrubando a cerquinha de madeira que estava no caminho.

Rachel subiu os degraus da varanda aos tropeços, tentando acertar a chave no buraco da fechadura. Suas mãos tremiam, dificultando o processo.

A criatura subiu pelo deque da varanda, destruindo a estrutura de madeira e alguns vasinhos de violeta. Suas garras fincaram no assoalho de madeira enquanto a criatura içava o corpanzil. A madeira rangeu sob as garras, emitindo um barulho agudo de doer os ouvidos.

Rachel recuou com as mãos tapando as orelhas, tropeçou no degrau da escada e saiu rolando até o chão de terra.

O predador avançou pela varanda, babando. Os olhos em fendas fixos na sua presa desprotegida e encurralada.

Rachel se arrastou pelo chão até o carro estacionado, encostando-se na lataria enquanto mirava o animal com os olhos assombrados.

A sombra da fera se aproximou, bloqueando a luz vinda da casa. O cheiro insuportável de sangue ardeu o nariz da jovem, fazendo seus olhos lacrimejarem. As patas enormes deixavam marcas na terra batida do chão, as garras afiadas perigosamente próximas.

Um uivo grotesco se fez ouvir, vindo das profundezas da floresta e em questão de segundos outra criatura surgiu do meio das árvores, grunhindo assustadoramente.

Rachel aproveitou a distração da criatura mais próxima e se enfiou debaixo do carro, empurrando o corpo para longe daquelas garras monstruosas.

A besta rosnou, ultrajada e começou a cavar, tentando alcançar sua presa debaixo do carro. Rachel se encolheu, tentando escapar pelo outro lado. Na euforia de sair logo dali acabou arranhando o braço na lataria do carro. O cheiro do sangue explodiu no ar, deixando a criatura ainda mais ensandecida.

A outra criatura desembestou a correr e se chocou com a primeira, elas rolaram no chão violentamente entre rosnados e mordidas ferozes.

Rachel estancou onde estava, metade do corpo embaixo do carro, e observou a cena pavorosa. Os olhos arregalados e vermelhos.

As duas bestas se encararam numa avaliação ofensiva e se atracaram novamente, rolando pelo chão até desaparecerem dentro da floresta.

O silêncio imperou novamente.

Rachel ofegava, o coração martelando no peito.

O que diabos fora aquilo?

Ela fitou a redondeza, procurando por algum sinal de ameaça. E antes que mudasse de ideia, correu para a varanda parcialmente destruída, abriu a porta e se enfiou dentro de casa.

Flook estava encolhido debaixo do sofá se tremendo todo. Rachel avançou em direção a ele e pegou o porquinho no colo ao mesmo tempo em que apanhava a espingarda ao lado da lareira.

 

As duas Lycans rolaram pela floresta, rasgando-se e abocanhando-se violentamente.

Os rosnados grotescos profanavam o silêncio da floresta e alertavam os moradores das casinhas próximas ao rio.

Elas correram por entre as árvores, tentando-se se livrar das garras umas das outras.

A que estava atrás conseguiu abocanhar a cauda da outra e puxar com força. A outra criatura reduziu a velocidade, capotando. Elas se atracaram novamente e saíram rolando numa descida íngreme até se chocarem contra uma sequóia gigantesca.

Cada uma rolou para um lado, rosnando.

Uma das bestas tombou no chão e numa sucessão de pequenos tremores, retorcer e estalar, o corpanzil monstruoso foi dando lugar ao corpo nu de uma mulher.

Victória riu, encarando o lobisomem ali perto. Sua pele sedosa estava profanada por arranhões, sujeira e grotescas mordidas.

– Você se transformou!

Ela riu novamente, erguendo-se do chão sem disfarçar a nudez.

– Todo esse tempo fez os outros pensarem que era uma fraca incapaz de se transformar fora de lua cheia. Mas você sempre pôde, não é mesmo? Apenas não queria.

A criatura se abaixou, estremecendo violentamente e voltando á sua forma humana.

Moon ofegava, cravando as unhas, ainda pontiagudas, na terra macia. Seus olhos alterados fixaram-se em Victória e não havia nada amistoso naquele negrume.

A ruiva sorriu, aproximando-se.

– Você esconde toda essa força atrás de uma fachada frágil. E fez todos acreditarem que renunciou o poder do sangue. Que ardilosa!

Moon passou uma rasteira na outra, derrubando-a no chão e dominando-a com facilidade.

– Não tenho nada de frágil. Posso destruir você em apenas uma mordida.

Victória esboçou um sorriso.

– Bem vinda de volta.

Moon rosnou.

– Sinto muito pelo arranhão. – os olhos verdes se demoraram na ferida grotesca no rosto da outra.

– Se quer se desculpar, desculpe -se pela garota. Ela é minha e você a caçou.

– Sim, ousei caçar uma presa que é sua. E agora podemos terminar o serviço juntas. E depois nos deliciar em meio a sangue, carne e sexo. – seus lábios roçaram os de Moon num convite sedutor.

– Volte para suas florestas ou seja lá onde você esteve antes de aparecer por aqui.

– Está me expulsando? – Victória parecia se divertir, mas por trás do sorriso a surpresa era real.

– Estou.

– Não vou embora sem completar a missão que me foi dada.

– Vai sair dessas florestas agora. Não vai sequer pensar na garota. Vai seguir pela estrada até os limites da cidade, sem olhar para trás! E se voltar a Montana vai se manter bem longe de Rachel Bones.

Victória a encarou com o cenho franzido.

– Está falando sério? Vai mesmo defender uma garota humana?

– Ela não merece tal destino.

– Ela vai nos expor! Ainda mais agora que esteve tão perto da besta!

– Muito obrigada por isso. – Moon disse, cheia de ironia.

– Você vai terminar o serviço, não vai, Moon? Precisa!

– Isso não é da sua conta. A garota é problema meu. Diga isso a Ragnar quando for passar seu maldito relatório.

Moon libertou a ruiva e se levantou, rumando de volta para a estrada que levava ao rio.

– O que vai fazer? – Victoria gritou, levantando-se.

– Dê o fora.

– Está zangada comigo por causa de uma humana? Que porra é essa? O que são para nós senão comida?

– Até mesmo os mais horrorosos de nós sabem escolher melhor a comida. Uma garota inocente não faz parte de um cardápio saboroso.

– Às vezes é necessário uma refeição amarga para ressaltar os outros sabores.

– Já chega! Você aparece do nada, me envolve em sua sedução o dia inteiro somente para me manter ocupada e então resolve se meter em um problema que não é seu!

–  Não te mantive ocupada o dia todo como parte da missão.

– Vá á merda!

Victória sorriu.

– Eu sempre apreciei esse seu lado descontrolado.

Moon a olhou feio.

– É bom estar indo terminar o serviço que começamos antes que a garota tenha tempo de envolver a polícia ou eu mesmo terminarei. Quer você queira ou não.

– Não vai encostar nela.

– Ah, Moon, não duvide da minha capacidade em ser desleal. Vá até lá e mate-a. Agora!

– Não me obrigue a machucar você, Victória. Já nos ferimos o suficiente  por hoje. Não vamos cometer um erro que nos faça lamentar depois.

– Não acredito que está realmente defendendo a humana! Desde quando se importa com eles? Desde quando se importa com quem vai matar?

– Eu me importo.

– A antiga Moon não ligava. Na verdade, você adorava sair por aí caçando e estraçalhando tudo o que era vivo.

– Pare de me provocar, Victória!

– Por que? Tem medo de perder seu tão precioso controle e abraçar a selvageria? Tem medo de não controlar a fera e sentir vontade de destroçar a garota até o último osso?

Moon virou os olhos alterados para a outra.

– Eu soube me controlar elegantemente, caso não tenha notado. Se eu sentir vontade de caçar a garota, eu caçarei. Mas enquanto eu não sentir, ela permanecerá sem nenhum arranhão!

A ameaça impregnada em sua voz foi sombria e Victória compreendeu muito bem.

– Nem todos são como Erin, Moon. Nem todos são capazes de aceitar e compreender nossa natureza selvagem. A garota vai nos desgraçar.

– Não vou deixá-la fazer nada imprudente. Vou apenas oferecer uma escolha que vocês lhe negaram.

– Está cometendo um erro!

– Sim. E vou para o inferno por isso.

Ela desapareceu por entre as árvores.

CONTINUA

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