Doce Morte

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Doce Morte

Escrito por: Ragnus Luke

Senhoras e senhores, sejam bem vindos ao show de Salazar, o anfitrião dessa noite fria e cheia de angustia, fiquem a vontade, pois a festa está para começar…

Ao fechar das cortinas e ao acender das luzes, se ver um palhaço com o rosto abaixado e algo que se parecia uma cabeça de um cervo escorrendo sangue pelos olhos, e bem baixo poderia se ouvir uma risada meio que macabra, mas que no fundo não parecia ser nada demais, quando de repente o microfone em sua outra mão chega perto dos seus lábios e uma pequena poesia começa a sair dos seus lábios, que mais pareciam trituradores de carne e seu olhar era como de um lobo faminto que não comeria a meses, no inicio me senti assustado, eu sou apenas um jovem de 15 anos que saiu de casa escondido para ver o circo que muitos falavam que era amaldiçoado e que só existia uma atração em todo o circo, o palhaço Salazar.

Ao ouvir as primeiras poesias, não parecia ser tão ruim e eu estava gostando das poesias e do jeito dele, me parecia ser apenas um personagem mal compreendido no momento. Até que, em um certo ponto, o seu olhar fixou sobre mim e ele veio em minha direção, dançando de uma maneira meio desengonçada e sem ritmo nenhum, esbarrando em todos que estavam na minha frente e rindo com a cabeça do animal ensanguentada, quanto mais perto de mim chegava, mais sangue a cabeça tinha, era como se ela estivesse querendo me dizer algo, algo não assustador, mas algo que me deu a coragem de fazer o que eu tinha sido programado para fazer, algo que o meu velho pai, que foi parar em uma cela fria e sem comida, está, algo que ele me disse quando eu visitei ele na prisão. – Era uma prisão até que boa, comparada as que existiam na pequena cidade de Toyjoy, era grande e bem confortável para a pequena economia que estava sendo feita pela governadora, mas isso não vem ao caso, não pelo momento – :

– Billy, existem pessoas que não deveriam fazer as pessoas acreditarem nelas, usam de brincadeiras e trapalhadas para fingir o quanto malignas elas são, e nossa família tem um único propósito, exterminar essa raça que os cegos chamam de palhaços.

– Mas papai, por que temos que matar os palhaços, meus amigos da escola falam que eles são a ultima alegria dessa geração?

Um tapa com a força foi em direção a minha face, mas ele se conteve e parou a poucos centímetros e viu que não tinha feito nenhum movimento para pelo menos amenizar a dor.

– Então você já se acostumou com a dor, e causar a dor, já sabe o que fazer hoje a noite, não é pequeno Bill?

– É, acho que estou pronto, velho!

– Então, tome isso e a use com cuidado e apenas uma vez, pois provas em uma cidade pequena como essa surgem até aonde Deus tem medo de pisar…

Minha mente e meu corpo sabia o que fazer, só faltava o gran finale que estava por chegar, e a arma perfeita para o grande show que realmente ia acontecer aquela noite.

De repente uma mão toca minha perna e com um sorriso macabro, seus dentes pareciam roer pedra e seu olhar de lobo faminto, virou um olhar demoníaco que ia engolir a terra, ao chegar no meu rosto ele sussurra com ar de alegria e ódio.

– Jovem garoto, não gost…

Antes dele terminar de falar, um canivete perfurou sua barriga, não uma vez, mas sim numa sequência de 20 movimentos leves como a pluma de algodão e dolorida como um chá quente derrubado sobre a mão desastrada de um psicopata em um dia de aula.

Minha cabeça chega ao ouvido dele e como uma brisa de vento uma simples poesia leve e doce começa a sair da minha boca

‘‘Criado na escuridão, essa é a origem da sua criação

Que noite fria e solitária, para uma morte pequena e revolucionária

Vozes na escuridão, cantam com você mais essa canção

Uma poesia de ninar, seus olhos vão chorar

Alguma coisa está se aproximando, e olhe que legal é seus palhaços saltitantes

Qualquer pessoa pode participar do jogo?

Um jogo de misericórdia, mas que não tem hora

Bem-vindo ao sótão, mas não de uma casa e sim da sua profissão

A hospitalidade é o meu nome, e o seu cemitério é esse alçapão

Olhos tão vivo, nem parece um demônio escondido

Eu tenho me sentido triste, mas sei que você está muito mais triste

Por muito tempo, eu fui criado por um louco com muito juízo

Me dê um sorriso, oh grande Salazar o magnífico

Morto-e-vivo é isso que te torna um submisso

Chegue um pouco mais perto, pois a sua hora está no decreto

Você e eu: Juntos para sempre e eu estou vivo, olha só como é o destino

A morte é apenas um sentimento, e eu sou o mensageiro do sofrimento

Você e eu trocando olhares, e veja só ninguém nos admirares

E o amor por diamantes, eis aqui a farsa do comediante

Eu estou apenas um pouco pálido, mas você, parece um ovo sem coragem

Que sua viagem ao inferno seja saborosa, assim como essa cabra que os consola

Que Deus perdoe o que eu acabei de fazer, mas está no sangue então não vejo o porque temer

Boa noite Salazar que sua caminhada seja doce, assim como sua morte’’

Com um pequeno empurrão para a escada ele foi descendo que nem uma gazela que acabou de sair do abate e está pronta para ser devorada, e assim o show de horror de Salazar acabou.

CONTINUA?

 

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