In the depths of her soul (Pt. 9) – Victoria [+18]

victoria

 

Escrito por Natasha Morgan

 

Moon estava inquieta. Mal dormira naquela noite, nem toda tequila do mundo conseguiria anuviar suas mais assombrosas preocupações. E olha que ela tentara afogar sua perturbação matando o restante da garrafa que Hugh lhe oferecera.

Ao sair do Casarão naquela madrugada fora direto para casa, tentar achar uma saída para a enrascada na qual estava metida.

Meteu-se na banheira de água morna e apanhou sua companheira mexicana, afogando seus pensamentos e medos a cada gole.

De fato seus pais teriam vergonha… Mas quem é que se importava? Eles nunca tiveram muitos motivos para se orgulhar dela. E estavam mortos.

A quem ela deveria querer impressionar?

Era uma covarde. Uma Lycan medrosa com sua própria força, incapaz de aceitar o poder dentro dela. Incapaz de abraçar a fome cruel que a dominava a cada lua cheia.

As sombras famintas que habitavam as profundezas de sua alma sempre a amedrontaram, fazendo com que fugisse de seus próprios instintos.

Que sorte a dela perder o controle de vez em quando. Era isso que a lembrava o que ela era. E o que a fazia querer parar aquela besta selvagem.

Não bastasse ter de controlar a criatura dentro de si com com uma força exorbitante, agora teria que lidar com mais uma mancha sangrenta em sua alma.

Elvira dissera para dar um jeito na garota. Matar, dilacerar, comer… O que quisesse fazer desde que o corpo não fosse encontrado e a investigação fosse silenciada.

O peso daquela sentença de morte estava em suas costas. Era preciso fazer o que lhe fora ordenado. Para o bem do Clã. Para preservar o anonimato e manter os Caçadores distantes.

Não que ela realmente se importasse em matar. Seria uma hipócrita se pensasse assim. Quantos já não haviam perecido diante de sua fome? Quantos não haviam sido seduzidos para as garras da criatura que espreitava sua alma? Matar realmente não era um problema, embora ela preferisse o sabor amargo da carne corrompida dos culpados.

O problema estava naquela culpa sufocante que a possuía logo depois de ter se fartado em carne e sangue, aquela sensação agoniante que se apoderava de sua alma ameaçando jogá-la num poço de emoções turbulentas, sufocando-a quase até seu coração se partir ao meio.

É. Talvez aquele seja o sentimento de tristeza e dor que os humanos sentem quando tem seu coração partido.

Moon sentia sua alma se dilacerar quando matava alguém que não acreditava merecer tal destino.

E Rachel, por mais intrometida que fosse, definitivamente não merecia o destino que estavam lhe traçando.

Moon sabia disso no fundo de seu âmago. Talvez por ter conseguido desvendar parte da alma jovial da garota com apenas um olhar profundo.

Não queria matá-la. E não apenas porque a garota era inocente.

Quando acordou cedo naquela manhã de domingo, apesar de seu corpo estar deleitosamente relaxado, sem a sombra da besta espreitando, sem precisar manter a guarda erguida para conter a criatura… Quando abriu os olhos pela manhã sentindo a paz habitar seu corpo, ela percebeu que seu mundo estava á beira do abismo, perigosamente perto de ruir.

Não havia o bom humor costumeiro da lua minguante. Não havia a expressão jovial que lhe transformava o rosto.  Não havia sorrisos a esmo que coloria seu dia.

Para Moon naquela manhã estava reservado apenas aquele olhar cheio de assombro e uma cautela meticulosa.

 

Erin a estranhou áquela manhã, mas não lhe fez perguntas. Deixou que a amiga trabalhasse em seu silêncio sombrio enquanto Hugh cantarolava uma música qualquer lá na cozinha.

O rapaz parecia animado, como se a alegria daquela noite ainda irradiasse de sua alma. E para ela, isso bastava. Era contagiante ter por perto pessoas de bem com a vida, especialmente pessoas que emanavam uma energia tão alegre como aquele garoto. Independentemente do que Hugh trazia dentro da alma, ele não deixara a felicidade minguar dentro dele.

Assim como Dork…

O pensamento fez seu coração pular, eufórico com a lembrança.

Dork, tão sério e letal. Mas adoravelmente doce e carinhoso.

Seus olhos voltaram para Moon e ela não pôde deixar de sorrir.

Não importava as diferenças que os separavam, sequer a monstruosidade de que era capaz cada um deles. Deus sabia o quão difícil era compreender a escuridão dentro deles, a carnificina e a besta. Mas eles eram sua família, capazes de amar como qualquer ser vivo.

Erin se aproximou da amiga, pousando um braço em seu ombro.

– Está um pouco tensa hoje. Não deveria estar sorrindo e comemorando a lua?

Moon fitou a outra nos olhos, incapaz de verbalizar o terror que sentia. Se Erin soubesse as ordens que lhe foram incumbidas a odiaria.

– Ok. Agora você está me assustando. O que está havendo?

Moon desviou os olhos, fixando-os no balcão.

– Kieran esteve aqui. – disse ela num sussurro.

Erin ergueu as sobrancelhas.

– E o que o desgraçado queria?

– Provocar a discórdia.

– Obviamente ele conseguiu o que queria. Você está péssima… – Erin a avaliou. – E com aquele olhar assombrado. O que diabos aconteceu?

– Depois. – Moon suspirou. – Agora não é momento para se discutir isso.

Erin franziu o cenho para ela.

Hugh apareceu pela portinhola da cozinha, usando sua saia longa dourada e uma blusinha justa. Trazia nas mãos uma caneca de café fumegante e no rosto uma sonolência evidente.

– Bom dia para vocês. – ele disse e sentou pesadamente num dos bancos altos de madeira, bebericando de sua caneca. Seus olhos se fixaram nas duas, confusos. – O que?

– Moon encontrou a visita indesejada a qual Vex mencionou.

Hugh revirou os olhos

– Oh, por favor, não toque nesse nome. Aquele cretino!

– Vex mencionou seu sumiço. – Moon disse, na tentativa desesperada de mudar de assunto.

– Ah, eu estava de porre! É claro que não ia arrastar minha bunda bêbada para uma reunião no casarão.

– Ele te chamou de cretino irresponsável.

– Quero que Vex desça ás mais abrasadoras profundezas do inferno!

– É claro que quer.

– Moon, o que está havendo? – Erin a fitou com astúcia. – E por que tenho a impressão de que está fugindo do assunto?

Hugh a fitou, meio distraído.

– Hein?

– Kieran apareceu no casarão ontem á noite e disse ou fez algo que deixou Moon perturbada.

– Ah, então é por isso que está com esse olhar assombrado? O que Kieran, o gostosão, lhe disse para perturbá-la tanto depois de uma noite fantástica de tequilas e música boa?

– Kieran veio alertar sobre a aproximação dos Caçadores.

– E isso a deixou perturbada assim? -os olhos de Erin a perscrutaram – Moon, o que não está me dizendo?

Mas antes que Moon pudesse inventar uma mentira para aplacar a perspicácia de Erin, a voz de Hugh se elevou pelo bar, entusiasmada.

– Uou, uou, uou! Olhe só para você!

Moon seguiu os olhos dele com rapidez, como se a presença a chamasse com intensidade, e no instante em que seus olhos se encontraram com os da ruiva parada ali no arco de entrada, seus temores mais assombrosos se transformaram em puro e sedutor deleite.

A ruiva repuxou os lábios sedosos em um sensual sorriso curvo, os olhos verdes como grandes esmeraldas se fixaram na garota estática do outro lado do balcão.

– Olá – ela praticamente ronronou num ar sedutoramente selvagem.

E Moon se viu incapaz de sorrir.

– Victória – sussurrou.

– Oh, sim! Agora vão ficar se encarando e esquecer do mundo ao seu redor! – Hugh soltou, revirando os olhos.

A ruiva desviou o olhar da garota e o fixou no rapaz, sorrindo com diversão.

– Ah, Hugh. Senti saudades. – ela disse e seus lábios sensuais se curvaram a cada palavra pronunciada.

Ela se vestia de forma um tanto peculiar, calças de couro marrom escuro, uma camisa branca e um colete justo que estufavam os seios pálidos contra o decote proposital. O rosto bonito era salpicado de sardas e exibiam um olhar verde de gato. E os cabelos num ruivo impressionante caiam em cachos perfeitamente modelados até o meio das costas.

Aquela mulher era sedutoramente selvagem.

Erin a observou em silêncio, limitando-se a assentir em cumprimento.

– Por onde esteve? – Hugh foi prontamente perguntando. – Não sabíamos que apareceria por aqui.

– Eu quis fazer uma surpresa. – ela caminhou a passos largos até o balcão, sentando-se num dos altos bancos de madeira.

Seus olhos se encontraram com os de Moon novamente naquela intensidade palpável.

– Espero que a surpresa tenha sido agradável.

– Bem vinda de volta. – Moon sorriu e lhe serviu uma dose de Grey Goose.

A ruiva virou o copo de uma vez, sentindo o ardor gostoso da bebida. A língua rosada lambeu os beiços sensualmente e aqueles olhos verdes voltaram-se para o negrume dos de Moon.

Hugh puxou um banco para junto delas e se sentou ali.

– E então, por onde esteve? – ele não se importava de ser um estraga prazeres. De jeito nenhum.

Victória riu.

– Alabama – seus lábios se moveram com sensualidade, levemente curvados. – Texas, Nebraska… E de volta para os braços dessas montanhas frias.

– E vai ficar? – Moon perguntou.

– Por uma noite, talvez. Estou apenas de passagem.

– De passagem? – Moon ergueu as sobrancelhas, servindo mais uma dose para a forasteira.

– Sou uma nômade nata, sabe disso. – Victória piscou.

– Ragnar sabe que está por aqui?

– Preciso informar todos os meus passos á ele?

Moon sorriu.

– Não. É claro que não.

– Talvez fosse uma boa ideia marcar um encontro com Ragnar. E quem sabe você me ajuda a convencer Moon a dizer o que diabos está acontecendo. – Erin falou pela primeira vez.

– Kieran apareceu. – Hugh concordou, lançando seu olhar acusador para a amiga.

– Notícias perturbadoras? – foi a vez de Victória erguer as sobrancelhas.

– Não. Nada de falar em problemas ou preocupações. – Moon serviu uma dose de Goose e a virou de uma vez. – É lua minguante. Não há o rugir selvagem dentro de nós, apenas um silêncio reconfortante. Sente o flutuar, a leveza da alma por dentro? Há apenas paz e silêncio e, só por hoje, quero abraçar tudo isso.

Moon se ergueu, passando pela portinhola do balcão e agarrando a mão da ruiva.

– Vem. Vamos sair daqui.

Victória esboçou um sorriso sensual e se permitiu ser levada.

Quando elas desapareceram pela porta, Erin voltou os olhos de um azul profundo para Hugh.

– Tem alguma coisa muito errada.

 

Moon dirigia em silêncio, os olhos intensos fixos na estrada de terra levemente esburacada. Podia sentir os olhos da outra em seu rosto, uma carícia selvagem.

O vento fustigava, penetrando pelo vidro aberto e fazendo voar os cabelos cor de ferrugem da outra mulher, tornando-a ainda mais bela e selvagem.

– Você não precisa de um carro para ir e vir com rapidez até onde quiser. – comentou a ruiva.

– Nem todos abraçam seu lado selvagem completamente. – Moon sorriu, com humor. – Além do mais, se quiser conviver entre os humanos precisa se comportar como eles.

– Hum… Talvez deva tentar a vida na floresta.

– Como uma nômade?

– Você se lembra dos benefícios da selvageria.

– Ela me parece bem em você.

Elas se encararam por alguns segundos.

– Você me parece muito bem, também. Andou destroçando muita gente pelas florestas?

– Você soube.

– O sussurro de seu mal comportamento sempre chegam a meus ouvidos. Você sabe, prefiro esse seu lado cruel e selvagem.

Moon ocultou um sorriso.

– Não foi proposital.

– Claro que não. Mas aposto como se fartou.

– De vez em quando é difícil resistir á besta. Ás vezes, eu não quero.

Victória esboçou um sorriso malicioso.

– No fundo, nenhum de nós quer.

Moon voltou os olhos para ela.

– Para onde está me levando? – Victória perguntou, embora soubesse.

Moon adentrou dois grandes portões de ferro e estacionou o carro na garagem aberta. Seus olhos se voltaram novamente para a outra.

– Para casa.

– Mandou instalar um portão.

– Os tempos não são seguros.

– Não, não são. Ainda assim, posso proteger você.

Moon sorriu, ajeitando-se no banco de couro do carro.

– Me proteger? Eu posso proteger a mim mesma.

– Somente quando está irritada o suficiente para fazer a besta vir a tona.

– Está me chamando de franguinha?

Victória riu.

– Não exatamente.

– Eu te venci na última vez em que me desafiou.

– Verdade. – a ruiva assentiu, aproximando-se. – Mas era lua cheia.

– Por que voltou? De surpresa.

– Não estou sempre voltando? De surpresa?

Moon a avaliou em silêncio, aquele desejo crescendo dentro de si. A fome selvagem começou no alto do estômago, espalhando-se com lentidão pelo corpo, fazendo-o formigar. Conhecia tão bem aquela sensação… Exceto quando a lua minguava.

Victória sorriu, daquele jeito sensual.

– Parece faminta.

Moon sentiu sua espinha se alongar num espreguiçar relaxante, a besta ronronou suavemente e seus olhos se dilataram, exibindo aquela imensidão negra.

– Eu estou – disse ela e puxou a ruiva de encontro á sua boca.

Seus lábios sedosos se encontraram com sofreguidão, explorando a maciez cálida em toda sua extensão.

Moon envolveu os dedos nos cachos suaves da ruiva e a prendeu de encontro a seu beijo intenso enquanto sentia as mãos maliciosas explorarem seu corpo.

Victória sorriu ao encontrar o botão da calça da amante, os lábios colados nos dele. Com dedos hábeis, puxou o botão de cobre, abrindo caminho para seus dedos ousados.

Moon ofegou ao sentir o toque suave em sua cavidade úmida. Victória sorriu mais uma vez em seus lábios, de um jeito sacana, e prosseguiu com a exploração dos dedos ousados, escorregando-os pela carne úmida e cálida.

Moon arqueou as costas, deixando a cabeça se escorar no para-brisa do carro, os olhos fechados em puro deleite. Seus lábios entre-abertos deixavam escapar pequenos gemidos.

Victória se inclinou sobre ela, apossando-se daqueles lábios deliciosos novamente e abafando os gemidos sensuais. Sua língua atrevida serpenteava dentro da boca quente, espreitando pelos lábios e descendo pelo queixo até o pescoço delgado onde ela distribuiu pequenas mordiscadas e lambidas.

Moon a empurrou com brusquidão de volta ao assento, sentando-se em seu colo e a dominando-a com facilidade. Victória esboçou seu sorriso sensual, provocando-a abertamente. Suas mãos presas acima da cabeça deixavam espaço apenas para seu olhar enfrentá-la com atrevimento. E Moon adorava isso.

Seus lábios foram dominados novamente, desta vez com violência, fazendo ambas ofegarem. Com um puxão, Moon se livrou do colete que Victória usava. Mais um puxão e foi a vez da camisa, exibindo os seios fartos e rosados.

Quando seus lábios tocaram os mamilos enrijecidos, ela ouviu o suspiro prazeroso de Victória e as mãos envolvendo seus cabelos, pressionando seus lábios contra a pele sedosa.

Moon abocanhou um dos seios rosados, sugando-os com vontade e sentiu as mãos da amante retomarem a exploração sedutora por seu corpo, alcançando pontos sensíveis e despertando seus gemidos mais intensos.

Não levou mais que cinco minutos para que se arrastassem até a cama, no segundo andar da casa, para continuarem com suas carícias debaixo dos lençóis de seda vermelha.

 

Rachel chegou ao bar por volta do meio dia e sentiu o clima estranho antes mesmo de ver o semblante de Erin.

Sentou-se numa das mesinhas de madeira e pediu um café amargo, espiando o balcão com os olhos confusos.

Hugh não estava na cozinha como de costume e assim que a avistou, arrastou -se até a mesinha e se sentou, carregando uma caneca suspeita.

– Dia difícil, querida? – ele perguntou, tentando soar simpático, mas havia uma sombra estranha em seus olhos.

– Ressaca. – Rachel comentou, apertando as têmporas.

– Entendo completamente.

Erin voltou com uma caneca igual para Rachel e se uniu a eles.

– O bar está vazio. – Rachel comentou, bebericando o café. O amargor quente ajudou a aliviar a sensibilidade de seu estômago.

– Depois do incidente aquela noite o movimento caiu.

– Sinto muito.

Erin assentiu, agradecida.

Estavam todos tão calados.

– Onde está Moon? – ela espiou o balcão vazio novamente. – De ressaca?

– Não. Mas amanhã com certeza estará. – Hugh deu um sorrisinho.

Rachel o fitou interrogativamente.

– Moon está se divertindo com uma antiga colega de farra. – Erin disse. – E, por algum motivo nos deixou de fora de seus problemas.

Rachel suspirou.

– Dêem uma folga á ela. Sei bem o que é estar saturada de problemas! – ela bufou, tomando mais um gole de café.

– Problemas nas investigações? – Hugh especulou, astuto.

– O Xerife me perturbou a manhã inteira sobre o caso, quer que eu conclua logo o que foi que atacou aquelas pessoas. Mas como diabos posso fazer isso se as pistas se perdem no vento? Não posso atestar uma coisa sem ter certeza! – mais um suspiro. – E a Detetive Dawson não apareceu no laboratório hoje de manhã, o que significa que não posso tirar minhas dúvidas com ela.

– Dawson não foi trabalhar hoje? – Erin trocou um olhar com Hugh.

– Não. Garrett está uma fera.

Fez-se um longo silêncio.

– O que há com vocês? Estão quietos demais. – Rachel observou.

– Ressaca. – Hugh deu um sorrisinho e levantou sua caneca de café.

– Péssima ideia comemorar a mudança da lua. – ela concordou. – Especialmente quando se tem trabalho no dia seguinte.

– Hoje é domingo. – Erin forçou um sorriso.

– Diga isso ao Xerife. – Rachel disse de mal humor. – Obrigada pelo café. Vejo vocês mais tarde, pelo jeito vou ficar atolada de trabalho o resto do dia.

Eles se despediram e Rachel levantou. Ela estava quase na porta quando Erin disse:

– Deveria passar aqui ao anoitecer. Podemos inventar algo para salvar o domingo.

Rachel sorriu um pouco.

– Vou pensar no assunto. – prometeu.

A porta se fechou.

Erin voltou os olhos para Hugh.

– Que merda está acontecendo?

– Eu não sei, mas vou descobrir. Fica bem sozinha até eu voltar?

Erin esboçou um sorriso, apontando para o caixa onde guardava seu revólver. Hugh assentiu uma vez e desapareceu pela porta dos fundos.

 

A noite se estendeu majestosa, cobrindo o céu com seu véu de escuridão sombria. A lua era uma esfera parcialmente comida em seu processo minguante, iluminando pouco daquela noite especialmente fria.

O vento uivava em rajadas eufóricas, adentrando pela janela aberta no andar de cima da casa.

Moon estava deitada de bruços na enorme cama de casal, envolvida pelos lençóis revoltos. Suas costas nuas contrastavam com a seda vermelho-carmim, sedosa e convidativa. Não havia uma única parte de seu corpo que não houvesse sido beijado. E a sensação das carícias de lábios selvagens deixou em seu corpo aquele formigamento suave, relaxando todos os músculos tensos e deixando-a sonolenta.

Victória se moveu ao seu lado, o lençol emitiu um ruído suave ao escorregar pelo corpo desnudo quando ela se levantou.

Moon a seguiu com os olhos, encarando-a enquanto ela se vestia. A visão de sua nudez instigava a fome dentro dela, fazendo-a sentir vontade de se perder naquele corpo novamente.

Victória encontrou os olhos negros a observando e esboçou um daqueles sorrisos sensuais.

– É uma pena que eu tenha que deixa-la agora.

– Aonde vai? – Moon perguntou, divertida.

– Cumprir a missão que me ofereceram. – Victória sorriu, terminando de abotoar os botões de sua camisa. – Se estiver deitada como está agora, quando eu retornar terei o prazer de te comer novamente.

Moon ser ergueu, confusa.

– Missão?

– Não achou que eu tivesse atravessado o país somente por uma visita casual, achou? Eu sempre tenho propósitos. E eles sempre valem a pena. – os olhos verdes sondaram a outra, cobiçosos. – Ragnar me convocou aqui.

– Ragnar? – Moon se encheu de desconfianças.

– Ele me ofereceu uma tarefa quase irresistível.

– Não.

– Sabe que eu não resisto a uma boa caça. E que não sinto remorso ao libertar a besta.

– Ele não ousou! – Moon pulou da cama. – Ela é minha!

Victória sorriu.

– Ele também mencionou isso. A tarefa foi incumbida a você. Mas ninguém acha que você realmente consegue. Especialmente ele. Então me chamaram para completar o serviço. E então, Moon, o que me diz? Está interessada em caçar comigo esta noite e compartilhar a carne?

Moon se encheu de raiva.

– Você não vai tocar num só fio do cabelo dela!

Victória riu.

– Desde quando é tão egoísta?

– Victória, ela é inocente! Não tem uma dívida de sangue para com a gente. Ela não merece ser estraçalhada e morta!

– Acha que isso realmente importa? A garota está cavando, sondando o que não lhe diz respeito e chegando perigosamente perto de descobrir algo que acabará por nos expor. Isso me parece um bom motivo para ela morrer.

– E você acredita mesmo que mais uma morte nos registros vai contribuir a nosso favor? Os caçadores estão se aproximando! Mais uma morte registrada por aqui vai atrair seu olhar aguçado para Montana!

– Não se preocupe, não vai sobrar nada dela para acharem. – ela esboçou um sorriso faminto.

– Você não vai caçar aquela garota!

– Não tem como me impedir, Moon. A ordem já foi dada. E eu vou curtir o que está para acontecer, não posso evitar. Eu não quero evitar. Você sabe como é a sensação… – ela fechou os olhos, inspirando fundo. Quando voltou a abri-los, eles ostentavam um brilho dourado. – É irresistível.

– Não vou deixá-la fazer isso.

– Você não pode me impedir. Eu sou mais forte. E não estamos na lua cheia.

Moon se interpôs no meio do caminho.

– Esqueça, Victória. Esse território é meu! Ela é minha!

– Venha caçar comigo. – Victória sorriu num convite quase irresistível. Ela estava ofegante, os caninos protuberantes se alongando, assim como as unhas. – Podemos comê-la juntas, dividir a carne como costumávamos fazer. Você se lembra da sensação, da euforia e formigamento? Lembra-se de como era extasiante o sabor do sangue? Você se fartava e eu amava vê-la daquele jeito, entregue em meio a sangue e desejo.

– Isso ficou no passado.

– Sim. Assim como a sua força e coragem. E é exatamente por isso que não vai me impedir de caçar a pequena humana. Você se tornou fraca, uma versão covarde de si mesma, incapaz de se transformar fora da lua cheia. Honestamente, eu preferia a antiga Moon.

Victória sorriu com malícia.

– Não. – Moon repetiu num aviso claro.

– Você não pode me parar.

Victória sorriu mais uma vez e num movimento ágil, lançou-se pela janela aberta.

Moon correu naquela direção, espiando lá embaixo.

A besta estava totalmente transformada, uivando diabolicamente para o céu escuro. Seus olhos negros como os tártaros do submundo se encontraram com os de Moon uma vez antes que se  lançasse contra os portões abertos e desaparecesse na imensidão da floresta.

O desespero misturado á raiva preencheu Moon com a certeza cruel de que Victória encontraria a garota e a mataria impiedosamente.

 

 

 

 

 

 

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