Inside You

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Inside You

Escrito por: Lua Morgana

*Baseado em uma história real, com toques pessoais da autora.

Estava cada vez mais difícil depois que minha mãe se foi. Ficamos só eu, minha irmã e meu pai. Meu pai quase não parava em casa, pois trabalhava muito e depois da morte dela, passou a trabalhar mais, acho que era para esquecer que ela se foi. Eu sou a mais velha de duas filhas que meus pais tiveram. Me chamo Lindsay, tenho 15 anos. Minha irmã se chama Eva e tem 13 anos. Estudamos praticamente a manhã toda e parte da tarde, chegamos em casa e nos deparamos com aquele vazio imenso. Sem o sorriso da nossa mãe na cozinha para nos receber depois de um dia cansativo, é frustrante, deprimente. Eu queria alguma forma de trazê-la de volta! Meu pai sempre chega em casa depois das 20hr da noite, praticamente come e dorme. Não o culpo, ele amava muito nossa mãe, a falta dela afeta a todos nós.

Os dias se tornaram cada vez mais chatos, nada novo acontecia. Só aquela velha e inesquecível tristeza me perseguia. Minha irmã não parecia estar tão triste assim como eu, ela levava a vida normalmente, pois ela tinha a mim como referência de pessoa mais velha e mulher. Eu não tinha mais ninguém.

Certo dia, um menino ligou para minha casa por engano, disse ele que pretendia ligar para a tia. Porém acabou caindo na minha casa a ligação, nós conversamos um pouco, pois eu não tinha nada para fazer e ninguém para conversar, acabei despejando essa vontade em “qualquer um” que me desse atenção. Conversa vai, conversa vem, e ele passou a me ligar quase todos os dias. Eu gostava, era legal ter alguém pra falar sobre qualquer coisa, sem sentir que a pessoa está com pena de mim, porque sou a “sem mãe”. Ficamos mais ou menos 1 mês só se falando por telefone. Eu estava gostando dele… então ele me perguntou se poderíamos nos encontrar em um sábado a tarde, para tomarmos um sorvete e nos conhecermos. Óbvio que eu aceitei, queria muito conhecê-lo. Como não sou besta, sabia de casos que ocorrem com meninas que encontram desconhecidos e somem, por isso levei minha irmã junto e avisei ao meu pai. Ele nos deixou na sorveteria e conheceu o tal rapaz. Depois foi até o mercado e ficou esperando a gente, era ali perto.

Bom, sobre o tal “encontro” não foi lá essas coisas. O garoto não era nada daquilo que me falou ao telefone. Ele não tinha 17 anos, tinha 15. Não sei porque mentiu a idade… Além do mais, era um chato! Fez uma pergunta muito sem noção: – “Como é viver sem mãe?” – Eu não soube o que responder e simplesmente disse que era a hora de ir embora, que meu pai estava me esperando. Fui embora e ele demonstrou decepção e eu mais ainda, pois ele era legal ao telefone e um babaca pessoalmente, típico de garotos dessa idade. Fui ao encontro do meu pai e disse a ele sobre como foi o encontro e ele disse para eu me afastar, que esse garoto não merecia minha atenção. O nome dele era Kevin.

Kevin ficou me ligando praticamente todos os dias e eu não tinha vontade nenhuma de falar com ele e sempre inventava uma desculpa para desligar o telefone. Certo dia ele perdeu a paciência e disse: – “Você não deveria se comportar como uma puta de ego grande!” – Eu fiquei tão chateada que desliguei o telefone na cara dele e nunca mais atendi o número dele. Depois de alguns dias de insistência ele parou de me incomodar e minha vida voltou ao normal… bem, até certo tempo.

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Estava chegando o dia que fariam 6 meses que minha mãe havia partido, eu estava sentindo tanta falta dela… pesquisei em tudo quanto é site se havia alguma forma de falar com os mortos. E encontrei uma forma… estranha, porém era melhor que nada. A saudade era tanta, mais tanta, que eu só queria escutar a voz dela mais uma vez e me sentir segura.

Uma das formas que descobri de falar com ela era com um pêndulo. Eu tentei seguir a risca tudo que estava escrito para fazer e, em uma tarde, enquanto meu pai estava no trabalho, minha irmã e eu fizemos o tal jogo no nosso porão, onde era um lugar mais calmo e reservado. Segurei o tal pêndulo e se ele apontasse para tal lugar (dediquei a esquerda para o SIM e a direita para o NÃO), era a resposta que precisávamos. Acendi uma vela e marquei a esquerda e a direita no chão com giz para não me perder. Botei fotos da mamãe dentro do círculo e comecei a chamá-la… Concentrei-me e deixei o pêndulo mais estático possível, para tentarmos ter as respostas. Minha irmã e eu começamos a perguntar por ela… nada. Até que, em uma última tentativa, a vela quase apagou! Não tinha fluxo de ar no porão! Eu gelei. Minha irmã ficou imóvel, pálida. Perguntei de novo:

—Mamãe, você está aí? – Trêmula.

O pêndulo inclinou-se todo para a esquerda. Eva e eu gritamos e saímos correndo para a sala… Demos de cara com nosso pai entrando pela porta. O abraçamos e choramos muito. A gente queria muito uma resposta, porém foi muito assustador!

Contamos tudo o que havia acontecido para nosso pai, ele ficou pesaroso. Pois viu que a gente estava tentando fazer de tudo para encontrar nossa mãe de novo… Ele apenas nos disse para não brincar com essas coisas que poderia trazer “maus espíritos” e que nada traria nossa mãe de volta.

Aquela noite foi difícil, mal consegui dormir… fiquei pensando o tempo inteiro naquele jogo e naquele momento que o pêndulo nitidamente se inclinou. Eu só queria voltar no tempo e não ter feito aquilo, mas era tarde demais.

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Passaram-se alguns dias depois da nossa “brincadeira” com os espíritos. Eu achei que já tinha superado tudo aquilo, aquele medo. Até que, em uma noite, nosso pai chegaria mais tarde, pois havia muito trabalho aquele dia… Minha irmã e eu estávamos na sala de estar assistindo um filme e, do nada, a luz piscou, a TV desligou. Ficamos furiosas, pois estava no final do filme… A luz voltou uns minutos depois. Tentei ligar a TV de novo e mais uma vez a luz piscou… Corri para pegar a lanterna e assim que cheguei no armário, a luz voltou. Era bizarro que só na nossa casa aconteceu isso, as outras casas estavam com luz. Aquele pensamento de medo, sobre o jogo, voltou para me assombrar. Minha irmã entrou em pânico, pois pensou o mesmo que eu. Até que começamos a ouvir batidas na parede… freneticamente, parecia vir do porão. Batidas fortes… a luz piscou de novo e começamos a gritar… Mas gritar não mudava nada, tínhamos que descobrir a causa dos piques de luz e do barulho, seria nossa mãe tentando se comunicar?

Peguei a lanterna e fui para o porão, dei as mãos para minha irmã e fomos confiantes de que poderia ser nossa mãe nos chamando. Chegando lá, a luz voltou normalmente… olhamos tudo, estava tudo absolutamente normal. Até que de novo o pique de luz… Ficamos um minuto em pânico, paradas no lugar, sem mover um músculo. A luz voltou de novo e olhamos para a parede perto da escada e tomamos um susto enorme, algo que não consigo descrever, estava escrito com sangue na parede: “VOCÊS VÃO MORRER!”

Não era nossa mãe. Só conseguíamos correr e gritar. Saímos da casa desesperada e ficamos lá fora esperando nosso pai… uma vizinha nos deu apoio e como sempre, achava que era algo de “criança que perdeu a mãe”.

Assim que nosso pai chegou e nos viu desesperadas lá fora com nossa vizinha, perguntou o que havia acontecido. Contamos tudo e ele simplesmente achou o mesmo que a vizinha. Mesmo constando o que estava escrito na parede do porão, não acreditou em nós duas. Ficamos arrasadas.

Os dias foram passando e sempre que nosso pai não estava em casa, era o mesmo terror de sempre. Picos de luz, barulho o tempo todo… A gente só tinha sossego quando nosso pai chegava em casa e na hora de dormir. Pelo menos aquele momento a gente tinha paz, porém o medo era algo que tínhamos que conviver, pois não tínhamos lugar para ir e todos achavam que estávamos com trauma por causa da perda de nossa mãe.

Era extremamente difícil conviver com o medo diariamente, além de toda a tristeza. Algo estava muito errado e ninguém me ouvia. Se meu próprio pai não acreditava em mim, quem mais acreditaria? A única pessoa que sabia o que estava acontecendo comigo, porque também estava acontecendo com ela, era minha irmã. Nós duas estávamos vivendo um caos interno e ninguém parecia se importar de verdade. Era difícil, porém essa fase só fortaleceu nosso vínculo fraternal, éramos só ela e eu e ninguém mais.

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Era estranha a forma como as coisas aconteciam, tinham dias que eram barulhos pelas paredes o dia todo, como se alguém as socasse, e era somente quando chegávamos em casa e nosso pai não estava. Porém, nessa semana específica, o barulho havia cessado. Respiramos aliviadas, parecia que o pesadelo havia acabado. E ficou bem pior!

Havíamos acabado de chegar em casa, era começo da noite, aquele dia havia uma festa para irmos e estávamos até animadas. Parecia o sol saindo após a tempestade… porém, assim que entramos em casa, percebemos que as luzes não acendiam! Tinham algumas velas acesas! Mal pude acreditar na cena que vi… As velas faziam um caminho pela escada, que levava aos nossos quartos. Mesmo com muito medo, peguei uma lanterna e subi. Falei para minha irmã ficar lá embaixo e deixasse a porta aberta, para que fugíssemos, caso algo desse errado… foi uma das piores cenas que vi. Algo ou alguém estava no quarto dos meus pais, usando um dos vestidos preferidos da minha mãe e usava peruca loira, assim como os cabelos dela. O vestido estava todo manchado de sangue! O ser segurava um machado e correu atrás de mim… desci a escada muito rápido e ele não me alcançou, fugimos correndo para a casa de um vizinho policial e contamos o que havia acontecido, desesperadas e chorando, ele rapidamente acionou a polícia.

Meu pai havia chegado em casa e notou que a porta da frente estava aberta, ele entrou procurando por nós duas e se deparou com a cena bizarra. Pela primeira vez a coisa quis que meu pai a visse. O ser desceu a escada correndo atrás do meu pai com o machado, meu pai saiu desesperado e se deparou com carros de polícia chegando ao local.

Os policiais correram e conseguiram pegar o ser. Minha irmã e eu observamos tudo do outro lado da rua… por fim, não era um fantasma, o risco era real. Era uma pessoa!

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Os policiais vasculharam a casa e notaram que havia uma saída de ar em nosso porão, que por ali, a pessoa tinha acesso às paredes da casa! Era assim que ele assustava a gente. Ele passava dias dentro da nossa casa. Tinha um acampamento e comidas dentro das nossas paredes… era surreal de mais para acreditarmos.

Assim que soubemos quem era, fiquei transtornada, eu havia colocado minha família em risco… Quando os policiais retiraram a peruca e a maquiagem da cara do homem, pude perceber que eu o conhecia muito bem, era o Kevin!

Ele não ficou feliz com o fora que dei nele e pretendia fazer da minha vida um inferno e depois me matar! Ele revelou tudo isso aos policiais. Meu pai chorou muito aquele dia, me abraçou forte e pediu perdão por não me escutar. Fiquei aliviada por duas coisas: Primeiro que o Kevin não conseguiu terminar o plano dele e segundo que eu não estava louca.

O Kevin foi preso em flagrante e, como era menor de idade, foi solto sob fiança e os pais o levaram para a casa deles – até o momento ele morava com uma tia. Alegaram que ele tinha problemas mentais… Ele era psicopata! Como puderam soltá-lo?

Meu pai temia pela nossa segurança, ainda mais com o Kevin solto, preferiu que mudássemos de Estado e ninguém saberia para onde iríamos. Foi a melhor coisa que fizemos em tempos.

Minha irmã e eu começamos uma vida nova e meu pai estava mais presente em casa e mais carinhoso com nós duas. É como aquele velho ditado: “Há males que vêm para o bem!”

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Passados alguns meses da nossa estadia no novo lar, estávamos mais feliz e unidos! Chegamos em casa após o colégio e entramos nosso pai desesperado em frente a TV: O Kevin tinha ressurgido e, dessa vez, havia feito algo pior. Para nossa sorte, não foi com a gente, mas para o azar de outras pessoas e tristeza nacional, ele havia assassinado uma família inteira (mãe grávida, filha e filho, ambos crianças). O teor do crime foi bárbaro! Ele havia entrado na residência para assaltar e, passados alguns minutos, a família havia chegado em casa e ele os surpreendeu. Foi chocante demais, ficamos desesperados, pois poderia ser a gente! E também ficamos muito tristes por causa daquela família… ele precisava pagar por tudo que havia cometido!

Ele havia ficado foragido por alguns dias… mas finalmente haviam o encontrado. E para a sorte da sociedade, mais um psicopata foi tirado das ruas. Ele foi preso e pegou prisão perpétua pelos assassinatos. Não havia um que não tivesse ficado arrasado pela notícia das mortes e felizes pela prisão desse assassino psicótico.

Felizmente, depois de todo esse desespero e dor, pudemos recuperar nossas vidas de volta.

FIM

 

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