A Corte [Parte 13] – Fora do Tempo

Escrito por: A.J. Perez

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“Capítulo 13 – Fora do Tempo”

– Isso é impossível… O que está acontecendo?

Mark olhou para os lados confuso pouco antes de levar a mão a boca para conter o refluxo que lhe subia pela garganta. Ele o controlou e em sua percepção ficara apenas o gosto amargo da bile para trás.

– Realmente preciso que se acalme. Tudo vai ficar certo, ok? – era Natalia levando a mão ao ombro dele.

– Não encoste em mim! – ele se desvencilhou lançando o corpo para o lado raspando contra o asfalto noturno molhado e áspero – isso não é real! Vocês me drogaram, e eu, eu, eu estou em uma viajem terrível.

– E como te drogamos, Mark? Pense! Ninguém te drogou!

– A bebida no carro, estava com algum alucinógeno!

– Eu bebi. – resfolegou a gótica arrumando as mechas verdes bagunçadas – Você não… Se lembra? Você não tocou em nada em momento algum.

Mark olhou para os lados Guillehal vinha na direção deles. Os outros apenas observavam com olhar apreensivo.

– Bem vinda, minha cara. Essa energia… hummmm, eu conheço essa. Se você está aqui, é por que você estava no beco, certo Natalia?

Seth corrigiu sua postura ao ouvir o nome da jovem bruxa.

– Relaxe bonitão, eu sei que Nath jamais mataria alguém, afinal conheço minha doce sobrinha. Não é querida?

Mark olhou para Natalia com um olhar frio e penetrante ela abaixou a cabeça e em seguida o olhou de volta nos olhos.

– O que? – iniciou a garota – não se escolhe os parentes sabia?

– Certo, agora quero que me expliquem – ralhava Mark na direção do rei Unseelie, conforme se levantava – O que diabos está acontecendo aqui? Como isso é possível?

– Ele não pode te ouvir nem te ver. Nenhum de nós dois. – iniciou Natalia – não estamos aqui em corpos físicos é apenas a nossa mente, – Mark a observava com cuidado absorvendo cada palavra – é isso que um mago do tempo pode fazer, é uma das habilidades deles. Imagine os danos ao tecido do espaço tempo se alguém pudesse voltar de fato e mudar as coisas, linhas do tempo inteiras poderiam deixar de existir assim… – ela estalou os dedos de modo quase teatral na direção dele – as damas tecelãs são muito apegadas ao trabalho, ninguém mexendo nos destinos e os alterando passaria impune por elas.

– Mago do tempo. – sentenciou Mark com cuidado ao observar a garota – Você é mesmo uma bruxa não é? Aquelas piadinhas e todo o resto, você estava falando sério.

Ela assentiu com a cabeça.

– Eu sou mesmo uma bruxa.

– Isso é estranho… – disse o rei – sinto apenas a energia de minha sobrinha, mas é como se ela estivesse acompanhada de alguém… – ele olhou ao redor – como isso é possível?

– Há um novo sobrenatural na cidade.

– Seth, não! – gritou Natalia mesmo sabendo que ele não a ouviria.

– As garotas o conheceram no bar, tentaram ler ele, mas foi em vão. Segundo elas, incluindo Natalia, ele não tem aura.

– E esse sobrenatural misterioso tem nome? – perguntou Guillehal ao levar um chiclete de menta a boca.

– Marcus.

– Mas que merda! – gritou Nath – Malditos celestes e suas bocas grandes, eu quase estava começando a gostar desse cara mas ele é um maldito “X9”.

– Foi assim que ele nos achou na delegacia. – ralhou Mark.

– Com certeza foi, droga. – resmungou Natalia.

– E esse Mark estava no beco também presumo eu…

– Sim…

– Alguma chance dele ter matado minha Amelya?

– Não. Natalia estava seguindo ele com o espelho d’água, ela viu que ele entrou no beco pra tentar ajudar alguém, mas era tarde de mais.

– Me seguindo? – as palavras dele soaram frias nos ouvidos delas.

– Todos os sobrenaturais tem Aura, os humanos também, mas você não, – ela o olhou nos olhos – você é diferente de um humano, e diferente de nós, não ficaria curioso? Não está curioso para saber mais de nós?

– 10 pontos pra você, tudo bem eu ficaria tão curioso quanto estou.

Ela se permitiu sorrir.

– Natalia estava no espelho d’água na corte e ele no beco, então… – Guillehal se virou para a sobrinha e deu alguns passos – sua idiota. Atravessou o espelho d’água para ir ajudar um desconhecido por que achou ele era “alguém confiável” por se arriscar por uma outra mulher que nem conhecia? Tem noção do risco que correu? O que eu diria aos seus pais, ao meu irmão?

Os faróis de outro veiculo se aproximaram da ponte.

– Ótimo, os lobisomens chegaram… vamos pro beco rastrear. – falou o rei indo na direção do carro.

– Lobisomens? – Mark se virou para Nath – Sério? São mesmo lobisomens?

– Tem muitas coisas que você não sabe, melhor irmos devagar, não?

– Sem essa de ir devagar! Achei que só haviam bruxas e magos… o que mais existe?

– Muita coisa, você vai precisar a abrir a sua mente.

– Natalia, – ele pegou nos braços dela de modo firme, mas sem machuca-la – Eu estou com minha mente de volta na noite onde vi uma garota ser morta e conheci uma bruxa. Fui sequestrado por um mago do tempo que esta em uma ponte conspirando sei lá com quem, e agora tem lobisomens, pra abrir minha mente mais do que ela já está, só se você tiver um machado mágico nas calças.

– São só jeans, – ela olhou pras pernas envoltas na calça preta e justa – não são como o chapéu mágico do Presto. – ela estava sorrindo.

– Pelo menos não é uma calça verde… – ambos riram comedidamente. – O que mais existe?

– Tudo.

O chão se moveu abaixo deles como se deslizasse, eles seguiam parados, mas ainda assim em movimento.

– O que está havendo?

– Guillehal é como nossa ancora dimensional aqui, se ele se move – ela apontou a frente o grupo de três carros avançava pelas ruas – nós nos movemos. Não podemos nos afastar mais do que isso. Se não, seria fácil pra ele mandar alguém no beco ver quem matou Amelya, mas como ele estava longe de mais naquela hora…

– Não teria como mandar alguém lá, entendi. – ele fez uma pausa – Agora… lobisomens?

Ela arfou, e deu uma sorriso pra ele enquanto puxava uma mexa verde para trás da orelha.

– Lobisomens, assim como bruxas e magos são uma das muitas “raças” sobrenaturais que existem em nosso mundo.

– As garotas do bar, elas eram…

– Sobrenaturais assim como eu.

– Bem, eu tinha uma amiga wiccana na capital, então ela era bruxa como você não? Embora nunca tenha visto ela fazer nada assim.

– Wicca, Bruxaria verde, Paganismo, não temos nada a ver com eles, eles são humanos, humanos tem poderes incrivelmente limitados. Por terem existido muitos de nós no passado praticamente todos os humanos tem “magia” no sangue por assim dizer, então eles podem controlar certas energias. Seja uma wicca que acredita na lei tríplice, uma bruxa verde que cultua a natureza, um cristão que tem fé em seu Deus, um cientista que estuda Física Quântica. Todos estão falando da mesma coisa, mexendo com a mesma energia invisível que permeia o universo. Pode chamar de magia, fé, Deus, lei da Atração, energia escura, são só nomes que as pessoas deram ao longo de milênios para a mesma coisas.

– E como vocês chamam?

– Nós chamamos de Nether. Ele é a vida e a magia que permeia tudo, tudo existe pelo Nether, para o Nether e através do Nether. Essa força permeia esse universo assim como inúmeros outros universos, múltiplas realidades. Sem o Nether nada existiria.

– É o seu deus então, sua religião?

– Não temos religião ou deuses, embora alguns prestem culto aos Oito, mas isso é muito complicado pra que eu possa te explicar agora, depois falo sobre eles com calma. Porém se fosse comparar com algo, acho que o Nether é mais parecido com a força de Star Wars do que com Deus.

– Okay, você é muito nerd, Natalia.

– Disse o cara que entendeu as referências. – ela sorriu

– Droga, você me pegou…

– Você sabia sobre o Presto, se entendeu isso já sei que por baixo dessa carinha de malvado e jaqueta de couro você é nerdão.

– Okay, vamos parar.

– Beleza. – ela estava sorrindo.

– Voltando… as meninas no bar, Natalia. O que elas eram?

– É complicado falar dos outros.

Ele fixou os olhos nela.

– Okay! Mas que droga, cara. Bem como já sabe, – ela apontou pra si mesma – bruxa, sou o mais “normal” que vai encontrar provavelmente. Normal no sentido de mais próxima de um humano comum. Esther é uma Banshee, aquele grito que ouvimos quando a garota no beco morreu era dela, banshees fazem isso quando sobrenaturais morrem, é um poder de merda na minha opinião, ela vê a pessoa morrendo, da perspectiva do morto. Ela sente tudo que eles sentem seja física, emocional e mentalmente, deve ser horrível pra ela..

– Realmente, nossa… isso é tenso.

– Nitty é… nossa como vou dizer isso sem parecer idiota.

– Minha mente está aberta, pode falar.

– Nitty é uma fae. – Natalia esperou a luz da compreensão na face dele, mas ela não surgiu – Ela é uma fada, mas que droga.

– Fada?

– Você disse que estava com a mente aberta e eu disse que era complicado!

– Eu sei mas, uma fada? Serio? Fadas existem?

– Isso é preconceituoso sabia? “Bruxas e Lobisomens beleza, mas fadas?!” – disse ela imitando ele.

– Desculpe, não queria ofender.

– Certo… bem, Sophie é uma imortal.

– Imortal? O poder dela é não poder morrer?

– Um dos poderes… imortais são de longe os sobrenaturais mais poderosos que existem, os poderes deles, nossa são incríveis, e cada um tem um poder único.

– Qual o poder dela?

– Sophie consegue materializar pensamentos, qualquer coisa. Porém são mais como ilusões que enganam todos os sentidos, mas quando estão lá é como se fosse real. Depois que se vão é como se nunca tivesse acontecido.

– Isso é bizarro e meio difícil de compreender, mas parece ser bem poderosos mesmo.

– E é..

Eles pararam, Mark olhou ao redor estavam do outro lado da rua, o lugar tinha três viaturas de policia, no mínimo uma dúzia de pessoas entre policiais e legistas, além de uma garota que tirava fotos do local.

Os membros da corte saíram dos carros, e dois policiais vieram na direção deles.

– Está pronto? – perguntou Natalia

– Estou, mas antes… a outra garota Amattha?

– Nossa, essa vai ser complicada…

– Mente aberta. – Mark apontou pra cabeça

– Ela é um fantasma. O fantasma de uma garota assassinada nos anos trinta, sua alma está presa a um colar, então ela ainda está aqui.

– Certo, essa é difícil de aceitar.

– Bem! – era Guillehal Minha querida sobrinha e meu novo amigo misterioso, hora de vermos o que aconteceu aqui.

A mão de Natalia roçou na de Mark, e eles se olharam por alguns instantes antes de instintivamente darem as mãos.

– Vamos lá… – disse Mark olhando-a nos olhos, ela assentiu com a cabeça.

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Continua…

Um comentário em “A Corte [Parte 13] – Fora do Tempo

  1. Garoto, deixa eu te falar uma coisa…
    Está cada dia mais esplêndido, é incrível como sua escrita não se torna cansativa, cativa quem lê e nos dá aquela sensação de “putz, agora vai dar merda”, (infelizmente nessas partes geralmente você para e deixa a gente muito puto)
    Parabéns Perez! Fã de carteirinha eu já sou, agora pare de me matar de curiosidade.
    PS: A Amatha me pegou de surpresa…

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