A Corte [Parte 12] – Guillehal

Escrito por: A.J. Perez

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Capítulo 12 – “Guillehal”

— Então, como assim “Rei”? — indagou Mark movendo os olhos entre Natalia e Guillehal.

— Sou o Rei da Corte Unseelie local, como já havia dito.

— Lembra quando falamos que vivíamos em uma corte noite passada? — Natalia se atravessou no meio da frase do Rei — Explicamos que somos bem megalomaníacos com isso… — Ela riu, mas não era uma risada autentica.

— Então você é o dono de outra república aqui da cidade? — Ele olhou pra Guillehal enquanto falava — Vamos fingir que acredito nisso, em que podemos lhe ajudar?

— Que solícito, e esperto… — resfolegou o rei com um belo sorriso — Estão com Sede?Querem beber algo? — indagou enquanto esticava-se para pegar uma garrafa de bebida em um balde de gelo.

— Gostaria de saber dos motivos desse quase sequestro. — ralhou Mark.

Natalia olhou para Mark e em seguida para Guillehal, então apenas fez um movimento afirmativo com a cabeça.

— Eu quero uma bebida, — disse ela sentindo os olhos de Mark fuzilando-a impiedosamente de reprovação — Vai ser um looongo dia.

— Bem, se meus ouvidos estão bons seu nome é Marcus, certo? — indagou o rei ao entregar uma taça de espumante a Natalia.

— Sim, esse é meu nome. Agora posso saber o motivo…

— Améllia Oley, ela era uma ótima garota.

— A garota que foi morta no beco, então você a conhecia? — Mark observou que cruzavam a ponte. Estavam indo pra cidade velha.

Guillehal fez que sim com a cabeça enquanto tomou um longo gole de sua bebida.

— Boa garota, mais do que isso…— falou o rei, mais para si mesmo que para eles — ela tinha um senso de lealdade para com os seus. Algo raro nos dias de hoje, sentiremos falta dela.

— Sinto muito. Você quer saber o que aconteceu no beco?

— Não, a polícia vai me entregar o relatório com os seus depoimentos. — ele sorriu — vantagens de ser um homem rico e influente em uma cidade pequena.

— Posso ver.. — observou Mark sem gostar nada da atual situação.

— Ora, vejam só chegamos.

Mark olhou para fora do carro, estavam estacionando ao lado de uma grande construção, o local era uma mistura intrínseca de arquiteturas assim como a mansão onde as garotas viviam.

— Era um hotel no início do século, — iniciou Guillehal ao sair do carro assim que a porta se abriu, Natalia e Mark o seguiram — Depois foi transformado em uma fábrica de metais devido à proximidade do rio, com o passar do tempo se tornou um armazém até finalmente ser abandonado. Agora é minha casa. — Ele se virou pra Mark — Meu humilde clube noturno.

— Esse é o famoso Hades? Você é o dono do lugar, entendi a história do rei agora.

— Venham por favor. — indicou ele entrando no prédio de aparência decrepita.

Ambos andaram lentamente na direção do clube ficando propositalmente para trás.

— Sabe que eles podem nos matar facilmente e nos jogar no rio não é? — cochichou Marcus para Natalia.

— Não é assim que as coisas funcionam aqui…

— Sério? Que garantia tenho? Vocês tem algo a ver com a mafia ou gangues?

— Não exatamente… mas garanto que não vão nos matar. — respondeu ela de modo evasivo.

— Não exatamente? Eu não ligo pra o que quer que vocês façam aqui, não quero fazer parte disso.

Natalia parou antes de passar pela porta e olhou diretamente nos olhos dele.

— Você não tem escolha Marcus, você já é parte disso, só não sabe ainda. — ela se virou e entrou sem olhar pra ele novamente.

Marcus viu os seguranças de Guillehal o observando perto do carro, ele entrou no clube.

O lado interno da construção era surpreendentemente luxuoso. Tudo era lindo e impecável, sem dúvida era a melhor casa noturna que ele já havia visto. Um estabelecimento assim na capital renderia rios de dinheiro.

Mas logo a atenção de Mark foi desviada para o centro do salão onde um grupo de pessoas discutiam de forma acalorada, eles imediatamente se calaram ao vê-lo entrando e o fulminaram com o olhar.

Ao redor em mesas distantes mais pessoas estavam sentadas, de idosos bem vestidos a punks e góticos, todas o olhavam de modo firme para em seguida seus olhares se perderem em espanto.

— Bem-vindo a minha fortaleza Marcus. — Sentenciou Guillehal do fundo do salão.

— É um lugar e tanto! — exclamou ele alto para que o homem pudesse ouvi-lo — devo admitir que estou impressionado.

— Natalia, porque não apresenta a representante de sua corte a Marcus.

A garota se virou para ele e estendeu o braço na direção de uma mulher.

— Essa é Eleanor, ela é uma das pessoas que atualmente cuidam da nossa Republica.

— Corte. — sentenciou Guillehal se aproximando novamente — Nós vivemos em cortes, por que não somos humanos patéticos como o resto da cidade, veja sua nova amiga Natalia. Uma bruxa da mais alta linhagem de sangue, uma das ultimas puro sangue, um dia ela sera a Sumo Sacerdotisa dos Oito Aspectos.

— Bruxa? — os olhos deles encontraram, Natalia parecia pensativa — Vocês usam drogas pesadas aqui.

— Olha a língua garoto. — ralhou um homem oriental ao lado de Eleanor.

— Relaxe Abraxás, ele não faz ideia de sua real natureza. Não é Marcus? Me diga, nunca fez nada anormal? Algo que outras pessoas não conseguem?

— Isso é serio? — ele correu os olhos por todos do salão a sua frente, terminando em Natalia — Vocês são insanos…

— Ahh Tomé,— o rei abriu os braços de modo teatral — Bem aventurados os que não viram e creram. João 20:29-b.

— O que diabos vocês querem comigo?

Guillehal soltou o ar dos pulmões.

— Preciso que voltem ao beco e vejam se nós deixamos algo passar, despercebido vocês estavam lá logo depois do assassinato.

— A policia isolou a área, não podemos entrar. — explicou Marcus.

— A droga… — disse Natalia. Marcus a olhou tentando  entender.

Natalia pegou gentilmente na mão dele entrelaçando os dedos e em seguida apertando-os de modo firme.

—Marcus, — iniciou ela — não vomite em mim!

Guillehal lançou as mãos na direção da cabeça deles e foi como se uma força invisível socasse sua face o mandando metros para trás junto com Natalia.

O mundo se esticou e girou mergulhando na escuridão, não havia em cima ou embaixo, mas ele ainda sentia seu corpo girando junto do dela. não conseguia falar, não conseguia respirar, só sentia a aceleração vertiginosa até que seu corpo se chocou contra o asfalto molhado e o ar da noite encheu seus pulmões.

— Eu odeio isso… — resmungou Natalia arrumando o cabelo bagunçado enquanto se levantava.

— O que… — Mark parou ao sentir o suco gástrico subindo até a garganta, mas conseguiu se controlar.

— Aqui eu te ajudo, a primeira vez é sempre difícil… — ela estendeu a mão pra ele.

— Vocês sabem quem fez isso? – indagou uma voz masculina que ele reconheceu como sendo o oriental.

— Não, — era a voz de Eleanor — mas ajudaremos em tudo que for possível para pegarmos o assassino.

— Pode apostar que vocês vão, e não preciso dizer Seth, se um membro da corte Seelie matou Améllia haverá guerra… — sentenciou Guillehal.

Mark olhou ao redor, eles estavam na ponte da divisa com a cidade velha, estava acontecendo uma reunião.

— Quanto tempo dormimos? — indagou ele assustado.

— Nada… isso é… nós não… essa é a noite passada, nós voltamos pra logo depois do assassinato — ela o olhou com cuidado escolhendo as palavras — nós não somos humanos Mark, eu vou te explicar tudo depois com calma, agora nós temos que voltar ao beco.

— Isso é impossível.

— Bem. — iniciou o rei unseelie — Parece que meu convidado chegou.

Ele olhava diretamente para Marcus e Natalia.

— Quem diabos são vocês, o que vocês são? — Mark se afastou alguns passos.

Guillehal apenas sorriu.

————————————————————————–

Continua…

 

 

 

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